Guarulhense lança livro sobre cuidadores familiares

A escritora e jornalista guarulhense Cristiane Santos lançou o livro “Minha vida pela sua vida”, no qual aborda tema geralmente ignorado pela sociedade: o papel do cuidador familiar.

“Sabemos que faz parte da vida ter de passar por adversidades. Ninguém está livre de sofrer um acidente ou enfrentar problemas de saúde. Ter de encarar um corredor mórbido de hospital, precisar receber cuidados especiais dos outros, ou ter que abrir mão da própria vida para se dedicar a quem precisa de ajuda”, diz ela.

Na obra, a jornalista destaca a importância do cuidador familiar e o zelo que ele deve ter com a própria saúde, porque diante da necessidade do acamado ele não se vê como pessoa que também necessita de cuidados.

“Dados de pesquisa feita pela Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos[1] afirma que, em 63% dos casos, os acompanhantes morrem até quatro anos antes do familiar ou amigo enfermo por quem zelam […]. Outro estudo descobriu que cuidadores desenvolveram problemas no sistema imunológico mesmo após três anos de ter concluído seu papel como cuidador.”

Ela afirma que o cuidador familiar faz parte de um grupo invisível, assim como: garis, coletores de lixo, auxiliares de limpeza e ascensoristas, por exemplo, que embora exerçam ofícios relevantes para a sociedade, passam pela vida das pessoas sem serem notados por elas.

“Ao visitar um acamado, dificilmente, nos comovemos com as olheiras estampadas no rosto do cuidador, porque a nossa atenção está voltada apenas ao enfermo. Não procuramos saber se o cuidador está bem, alimentando-se e dormindo direito. Geralmente, quem cuida do outro não tem tempo para cuidar de si mesmo. Tarefas simples como: ir ao banheiro, alimentar-se ou zelar da higiene pessoal e da própria aparência, não são consideradas prioridades para o cuidador, mediante a necessidade de atender a demanda que o lidar com o acamado exige”, explica.

A autora comenta que, comumente, livros que lidam com a questão destacam o dilema do enfermo e não o do cuidador, não existindo a mesma preocupação em zelar pela integridade emocional, psicológica e física de quem abre mão da própria vida para beneficiar ao próximo.

A obra enfatiza a vida de três cuidadoras que relatam seu dia a dia lidando com as necessidades do enfermo. Mulheres que tiveram a rotina de suas vidas modificadas por causa de uma fatalidade, fazendo-as deixarem seus próprios interesses em segundo plano para se dedicarem integralmente ao acamado.

São inúmeros relatos como esses, que despertam compaixão e complacência das pessoas, todos os dias. A escritora indaga: “Mas, quem se importa com o cuidador? Com quem ele pode contar? Qual é o apoio psicológico que ele recebe ou deveria receber? A quem pode recorrer quando é ele que necessita ser ajudado?”.

Ao final de cada capítulo há uma análise feita por profissionais da área psicológica e jurídica, que nortearão pessoas que estejam passando por situação semelhante.

O livro está à venda na Livraria Nobel, avenida Salgado Filho 1453 (convênio para estacionamento no Extra do Jardim Maia).

Pedidos para envio pelo correio por meio do Whatsapp (11) 96624.2373.

[1]A Academia Nacional de Ciências (NAS) é uma corporação nos Estados Unidos cujos membros servem como conselheiros em ciência, engenharia e medicina. As três academias trabalham juntas para fornecer análises e conselhos independentes e objetivos para a nação e realizar outras atividades para resolver problemas complexos e informar as decisões de políticas públicas.