O Portal Click Guarulhos recebeu denúncia de que uma área na esquina da marginal Baquirivu com a avenida Joaquina de Jesus, próximo ao terminal de ônibus Taboão, está cheia de lixo, com carros alegóricos, pneus velhos e entulho. Fatalmente, um criadouro de dengue a céu aberto.

O curioso é que uma placa colocada em uma posição elevada mostra que a área fica sob os cuidados do Saae, pois está projetada a construção de uma Estação Elevatória de Esgoto. Mais uma vez, o velho ditado se aplica aqui: em casa de ferreiro, o espeto é de pau.

estação elevatoria de esgoto GuarulhosQuestionada pela Redação do Click Guarulhos, a Assessoria de Imprensa respondeu: “Trata-se de uma área desapropriada pelo Saae; no local está projetada a construção de uma Estação Elevatória de Esgoto pertencente ao sistema de tratamento de esgoto Várzea do Palácio. A placa foi colocada nessa área, que é monitorada pela segurança patrimonial do Saae, por medidas de segurança, para evitar invasões.” Quanto ao acúmulo de lixo no local, o Saae prontificou-se a fazer uma vistoria no local: “Se for constatado descarte irregular de materiais, será programada a limpeza do terreno. ”

O plano municipal tem uma meta de tratar 80% dos esgotos do munícipio até 2017, após a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), com o Ministério Público. O mês de setembro foi revelador no que tange ao tratamento de esgoto de Guarulhos. O próprio Saae informou que 5% são tratados, dizendo que os tais 50% espalhados ao vento, na verdade são a capacidade de tratamento das três atuais ETE’s da cidade.

pq sto agostinho guarulhosEm 30 de junho de 2014, o prefeito Sebastião Almeida inaugurou a terceira Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), Várzea do Palácio. Na ocasião, os dados apresentados foram que, de 35% do esgoto tratado, passaria para 50% – dados que foram provados falsos.

A obra teve um investimento de R$ 126 milhões em recursos municipais e federais e outros R$ 40 milhões ainda serão destinados ao empreendimento. Complementam a obra 5.133 metros de coletor-tronco e interceptador, 511 metros de emissário, 414 metros de linha de recalque e três estações elevatórias de esgoto. Logo, a área que hoje deveria uma estação elevatória de esgoto, é um terreno para descarte irregular e um potencial criadouro de mosquitos transmissores da dengue. “Quanto à Estação Elevatória de Esgoto projetada, que faz parte da segunda etapa do sistema de tratamento Várzea do Palácio, não há previsão para a conclusão pois, neste momento, os investimentos foram priorizados ao sistema de abastecimento de água”, informou a Assessoria de Imprensa do Saae.

Vale relembrar a fala do prefeito Almeida na ocasião da entrega da ETE Várzea do Palácio: “Nossa cidade é uma das que mais investiu em Saneamento Básico no país. Em apenas quatro anos, saímos do zero no tratamento e chegamos a 50%, o que já nos coloca entre as cidades que mais tratam esgoto em toda a Região Metropolitana de São Paulo”, destacou o prefeito Sebastião Almeida.

Nada como tempo para comparar o discurso com a prática.

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