Por Jônatas Ferreira e Valdir Carleto

O prefeito Guti recebeu a equipe do Click Guarulhos em seu gabinete para falar sobre os avanços promovidos por seu governo e também sobre os percalços encontrados no caminho, bem como das falhas cometidas. Confira o resultado abaixo.

Estamos com um ano e meio de gestão. Quais os maiores avanços promovidos pela sua gestão até o momento?

Conseguimos melhorar a distribuição de água em 70% do território guarulhense. A população tem a sensação de não existir rodízio; digo isso porque o dia inteiro as casas são abastecidas, mas, por causa de uma manobra que é feita, na madrugada e nos primeiros horários da manhã, o fornecimento é interrompido. Existem alguns pontos críticos que precisam ser solucionados ainda, mas não se trata mais de recebimento de água, porque tudo o que a nossa capacidade estrutural permite, a Sabesp fornece. Agora, para recebermos mais água, são necessários investimentos, os quais no momento a cidade não tem condições de arcar, por causa do tamanho da crise financeira.

Nós também conseguimos melhorar a distribuição de recursos porque reduzimos os gastos públicos, principalmente com cargos em comissão, números de secretarias e aluguéis. Somente com a ida da SDCETI, por exemplo, para o Adamastor, foram economizados cerca de R$ 600 mil. Isso só com uma Pasta que saiu do aluguel.

Agora estudamos a possibilidade de mais duas ou três secretarias também deixarem os imóveis locados, porque estamos para fechar uma parceria com o Shopping Pátio, onde ele disponibilizaria uma quantidade de metros quadrados para que as pastas fossem instaladas dentro do shopping por determinados anos, sem nenhuma contrapartida por parte do poder público, semelhante ao que foi feito no Poupatempo. Mas ainda não temos nada concreto.

Nosso esporte também tem avançado. A nossa iniciação esportiva cresceu em 120%. Guarulhos nunca teve um time de ponta disputando a Super Liga, hoje temos a equipe de Vôlei; já renovamos com quase metade do time para a próxima temporada, sem colocar um real de dinheiro público.

No transporte, não existia Wi-fi nos ônibus. Ainda é uma frota acanhada, não é o ideal, mas já temos vários coletivos com essa tecnologia espalhados pela cidade, não só no Centro. Conseguimos colocar 60 veículos novos, que são ecológicos e com suspensão melhor. O impacto do dia a dia na coluna dos passageiros, por exemplo, é muito menor, graças a essas modernidades. Vamos totalizar 120 novos ônibus nos próximos dias. Além dos 220 micro-ônibus novos que foram apresentados no ano passado.

Na Saúde nós temos um problema: tudo que a gente faz não reflete na população, por conta de um déficit de 25% no fornecimento de insumos e medicamentos. Quando assumimos existia uma falha de 51%. O tolerável é de 15%. Então melhoramos, mas ainda precisamos reduzir mais.

Entregamos duas UPAS que estavam paradas. Só na abertura dessas unidades, são aproximadamente R$ 2,5 milhões por mês para a manutenção. Reformamos o HMU, que está muito melhor. Ano passado investimos 30% no orçamento da saúde, muito acima do que a Lei exige. Tínhamos dois Cemeg’s, agora temos quatro. Neste ano, o investimento será voltado para a saúde básica, o que pode contribuir com a economia ainda mais.

O que mais impactou no aumento desse orçamento para a Saúde foi que de 2015 para 2017, houve um aumento de 70 mil pessoas no SUS por causa da crise econômica. Muitas pessoas deixaram os planos de saúde e passaram a usar o sistema público. Foram 2,5 milhões de consultas só no ano passado, um acréscimo de 10% na cidade. Avançamos muito, investimos mais. Mas a necessidade é cada vez maior.

Fiz esta pergunta no ano passado. Passados 16 meses, repito: o que mais o surpreendeu na máquina pública, tanto do lado negativo, quanto do positivo?

Primeiro, o que temos de positivo são os funcionários. Temos muita gente que tem garra e consciência que dá pra fazer melhor. O funcionalismo está entendendo que precisamos de uma eficiência melhor e está se dedicando. Mas existe a morosidade do poder público, seja em qual esfera for pelos excessos de controle. É claro que estamos falando do dinheiro público; então, é necessário que haja o controle para que não seja mal investido ou que seja ainda objeto de crime. Na nossa gestão até que burocratizamos um pouco mais: criamos a Procuradoria e outras comissões que avaliam todo o tipo de licitação, contratação e pagamento. Então o procedimento acaba demorando um pouco mais. Isso no primeiro ano. Agora, vamos começar a desburocratizar. O povo precisa entender que o que é bom para o primeiro ano pode não ser para o segundo, para o terceiro ou quarto. São etapas. Em um primeiro momento deixamos a fiscalização mais burocrática para entender como funciona. Então estamos fazendo uma força-tarefa para desburocratizar, dentro da legalidade, para que a gente consiga ter mais celeridade.

Apesar da burocratização para se ter mais controle, uma série de contratos tem vencido sem a Prefeitura preparar uma nova licitação, como é o caso da Zona Azul. A quê atribuir isso?

O excesso de controle com certeza travou um pouco a fluidez de contratação. No caso da Zona Azul, a Secretaria competente não trabalhou como deveria. Mas já estamos encampando isso para conseguir soltar essa licitação. Na questão da coleta e do aterro, foi porque ninguém estava preparado para esse tipo de contratação, que é muito burocrática. Fazia 20 anos que não era feita licitação para gestão desses serviços. Então, tanto concursados quanto comissionados não estavam preparados para essa contratação. Por essa falta de expertise, demos muita cabeçada. Um dizia que tinha de fazer desse jeito, outro falou que deveria ser de outro. Era muita divergência. Por isso acabamos operando emergencial. Mas nenhuma gestão gosta, pois deve existir o devido processo legal. É até uma recomendação do TCE. Então, para tentar fazer o melhor possível, acabamos demorando mais do que o necessário.

E no caso dos uniformes escolares, cujas compras são feitas todos os anos e novamente teve um atraso?

No ano passado, o nosso problema foi que já tinha uma empresa contratada e ela demorou a entregar os kits. O atraso deste ano foi por causa da troca de secretários, porque todo trabalho iniciado acaba se interrompendo. Infelizmente, era outubro e a licitação ainda não tinha sido feita. Tirando todo esse problema e falando só de licitação, fizemos o processo de forma rápida. Mas até que a empresa seja vencedora, todos os prazos recursais sejam cumpridos e os kits entregues, acaba demorando. Porém, encontramos muitos uniformes ainda da gestão passada que estavam lacrados; então, os entregamos nas escolas que mais precisavam. E dessa vez, vamos entregar os uniformes para o inverno, o que nunca teve na cidade.

Sequentes trocas do secretariado têm acontecido, o que é comum em uma gestão, mas não com tanta intensidade como ocorre em seu governo. Por quê?

Existem diversos fatores que explicam isso. A gente trouxe muitas pessoas da área privada, que estão acostumados a ver as coisas acontecerem rapidamente, bastando ter recursos. No Poder Público não é assim. Existem muitas pessoas que precisam ser ouvidas. Então muitas pessoas dizem que não se adaptaram à vida pública e pedem para sair. Outras pessoas foram trazidas com uma missão e em um ano a cumpriram. Com isso, outras metas são traçadas e não temos problema nenhum em substituir os responsáveis. E também tem aquelas que não apresentam o resultado esperado e são transferidas para outros lugares ou simplesmente substituídas. O mesmo ocorre com o prefeito. Se em quatro anos ele não dá resultado, a população irá mudá-lo.

Um dos seus primeiros atos no ano passado foi juntar a Educação às pastas de Cultura, Esporte e Lazer. Neste ano, propõe separá-las. O que aconteceu?

No primeiro ano, a gente avalia tudo. Quanto mais enxuto, melhor. Depois, a gente procura entender o funcionamento. A Educação precisa ter suas contas e processos separados, até mesmo por questões de órgãos de controles externos; portanto, é muito melhor que ela esteja separada. Então começamos este ano tendo a certeza que a separação faz o trabalho fluir melhor. O secretário da Educação já tem muitas atribuições: são sete mil funcionários; se ainda tiver que cuidar do Esporte e da Cultura, as coisas acabam não andando porque ficam muito concentradas. No primeiro ano, foi positivo; se eu tivesse sido eleito ontem, faria a mesma coisa: reavaliaria e depois separaria. Como eu disse: tudo é feito por etapa. Ninguém constrói o terceiro andar da casa se não tiver base. E é isso que estamos fazendo.

Apesar dos avanços na Saúde, o setor continua sendo alvo das principais queixas da população. Como o senhor justifica esse descontentamento da opinião pública?

O problema maior é a falta de medicamentos e insumos. Inclusive faço aqui um agradecimento aos profissionais de Saúde. Como em qualquer lugar, têm profissionais não atendem aos requisitos e aos chamados da profissão, 99% dos nossos são apaixonados pelo que fazem. A maior crítica desses profissionais é realmente o medicamento e o insumo. Eles atendem bem, mas na hora que receita e não tem o remédio, o povo acaba descontando nos profissionais. Mas tenho certeza que 70% dessas críticas serão finalizadas quando tivermos a distribuição regular, o que acredito que conseguiremos fazer ainda no primeiro semestre, atendendo os índices que eu disse no início da entrevista.

E com relação aos frequentes atrasos de salários dos profissionais de saúde?

Nenhum funcionário público tem o salário atrasado. Guarulhos tem um dos maiores índices de dívida do Estado, mas temos reponsabilidade com o funcionalismo, tanto que conseguimos dar o reajuste agora, de acordo com a inflação. Mas com algumas unidades terceirizadas, muitas vezes quando fazemos um pagamento, já estão atrasados outros valores. Então eles fazem a gestão interna deles e muitas vezes o profissional da saúde acaba não recebendo na data adequada. Quando dá problemas, cabe ao Poder Público atuar diretamente. Quando tivemos problemas com a Gerir no primeiro bimestre, chamamos eles para conversar e falamos que não dava para continuar nessa situação. Eles estão pedindo uma repactuação, porque a procura pela saúde pública aumentou. Mas a cidade também não tem como aumentar porque não estamos preparados financeiramente para isso. Então eles acabam fazendo uma ginastica financeira para conseguir pagar uma ou outra coisa. Mas a gente disse a eles que “medicamentos e insumos não dá pra ficar para depois”. Esse ano estamos adimplindo tudo da forma correta, mas ainda tem alguns passivos do ano passado que ainda iremos saldar. ABC e SPDM: nossa gestão está em dia com os pagamentos, os passivos que tem vêm da gestão passada, que ainda precisa ser negociado.

Outra reclamação constante é sobre os buracos nas ruas públicas. Em entrevista que fizemos com Márcio Pacheco, da Guarupass, sobre a conservação dos coletivos, ele apontou que uma das causas dos problemas com os veículos é a má-conservação das ruas. Há certo descompasso entre os buracos que aparecem, seu conserto e a qualidade do serviço. Existe alguma fiscalização para isso?

O índice de reabertura do buraco é muito baixo. O que existe é uma falta de comunicação, às vezes, entre as empresas. Proguaru tapa um buraco, Saae abre poucos metros depois para fazer algum conserto de tubulação. Mas só para passar em números, a Proguaru tapa aproximadamente 300 buracos por dia. A cidade ainda está esburacada? Sim. Mas conseguimos melhorar muito. Herdamos uma cidade com muito buraco. O Saae ainda não achou uma fórmula para abrir o buraco e já tapar. Ainda há um problema que é antigo. Quase em nenhum lugar da cidade foi feito recape nos últimos 15 anos, principalmente ruas internas de bairro. Quanto mais velho for o asfalto, mais poroso ele fica. Com o atrito de caminhões e carros, abre-se os buracos. Mas aos poucos vamos conseguindo vencer. Não estamos mais enxugando gelo: o que abre de buracos novos, estamos conseguindo tapar. Uma boa notícia é que recebemos R$ 20 milhões do Estado para conseguir recapear as avenidas Tiradentes, Jamil Zarif e a Monteiro Lobato, que são as principais vias da cidade. Vamos receber ainda R$ 10 milhões do fundo do tesouro do Estado e R$ 20 milhões, financiados pela Desenvolve SP.

De 0 a 10, como o senhor avalia o seu governo?

É difícil eu conseguir me avaliar. Digo a vocês que queria ter dado muito mais resultado do que a gente deu. E o guarulhense espera isso. Preciso melhorar muito, sempre. Se estivesse tudo indo muito bem, eu diria que precisaríamos melhorar e muito. Mas estamos nos esforçando muito. Temos um time competente. Com a crise financeira e uma nova administração chegando, a gente encontra muitos empecilhos, mas não tenho dúvida de que neste ano vamos conseguir render muito mais do que o primeiro ano e nos próximos mais ainda.