Por Tamiris Monteiro

Apesar de muitas pessoas não acreditarem em vida inteligente fora da Terra e as discussões sobre o assunto ainda serem tímidas e acontecerem com pouca frequência, principalmente por causa da relação com o misticismo, algumas pesquisas e indícios mostram que as chances de não estarmos sozinhos no universo são grandes. Tanto que, em abril deste ano, uma notícia em que Ellen Stofan, cientista-chefe da Nasa, afirmou que possivelmente teremos registros de alienígenas que vivem em outros planetas até 2025, foi amplamente divulgada por mídias de todo o mundo.
Além dessa afirmação, ainda há inúmeras evidências como fotos, filmagens e relatos de quem supostamente avistou discos voadores, o que dá margem para ufólogos acreditarem que o céu, definitivamente, não é o limite. Para Ademar José Gevaerd, conceituado ufólogo, jornalista e editor da revista UFO, nos últimos 20 anos tem havido aumento significativo da credibilidade da ufologia e diminuição da rejeição das histórias relacionadas ao assunto, em especial nos países mais avançados, incluindo o Brasil, que apesar de não se destacar por avanços tecnológicos, é considerado base de referência.
“De uns 10 anos para cá, o fato de o governo brasileiro ter liberado documentos até então secretos que comprovam que os militares da Força Aérea Brasileira investigaram discos voadores oficialmente, contribuiu muito para tornar nossa linha de pesquisa ainda mais confiável. Afinal, se existem documentos que comprovam isso, se militares fizeram investigações, é porque o fenômeno UFO existe. Ninguém gasta dinheiro e recursos humanos em algo que possa ser uma tolice. Há documentos que são bastante reveladores de que a força aérea tem um programa de entendimento da questão ufológica. No nosso continente, Peru, Equador, Chile, Argentina e Uruguai são países que pesquisam discos voares oficialmente. Ou seja, têm comissões de pesquisa ufológica bancadas pelo próprio governo”, afirma.
Mesmo já tendo avistado objetos voadores em 1992, nos Estados Unidos, e em 1997, no Pantanal, Ademar ressalta que as experiências pessoais não devem ser consideradas como base de pesquisa no campo da ufologia. “Nós pesquisamos fatos relatados por outras pessoas, até por uma questão de ética. Controladores de tráfego aéreo, militares, pilotos e engenheiros são exemplos de profissionais que nos dão mais credibilidade e relatam fatos contundentes”, explica.

Na ufologia, menos não é mais, pois de acordo com o jornalista, quando a história de “avistamento” de um OVNI é contada por apenas uma pessoa ou se o objeto for visto muito longe, menor é a credibilidade. “A somatória do que importa para nós é um grupo de pessoas ter visto a nave com clareza, numa curta distância e determinar os detalhes do objeto. E histórias assim existem no mundo inteiro, contada por milhares de pessoas, forte indicativo da existência dos objetos voadores”, pontua.
Ainda que a ufologia tenha ganhado mais força somente nos últimos 20 anos, principalmente por causa de avistamentos e relatos, a hipótese de seres de outros planetas visitarem a Terra desde tempos mais remotos é totalmente possível pela probabilidade de haver até 10 bilhões de planetas parecidos com o nosso. “Seria muito estranho que não houvesse extraterrestres; afinal, o universo tem galáxias compostas por bilhões de constelações, que são compostas por bilhões de astros, que têm bilhões de planetas. Pensando nisso, é totalmente aceitável que existam civilizações mais avançadas do que a nossa, que começaram antes a sua jornada. Somos uma sociedade bastante atrasada em tantos pontos de vista, que ainda vive na barbárie, com guerra, fome, desgraças e tudo mais, já exploramos o sistema solar inteiro e mandamos foguetes para todos os lados, ou seja, nós já fazemos a nossa exploração espacial. É certo então que outras civilizações estejam fazendo há muito mais tempo”.

Casos curiosos

Operação Prato

Você sabia que o Brasil já teve uma operação especial para investigar OVNIs? Realizada pela Força Aérea Brasileira, nos anos de 1977 e 1978, em Belém do Pará, o comandante da ação foi o coronel Uyrangê Hollanda Lima, e a missão era verificar a ocorrência de luzes estranhas relatadas pela própria população do município de Colares. Os militares montaram uma base na cidade, e passaram a vigiar o espaço aéreo dia e noite, numa tentativa de explicar os fenômenos. Anos mais tarde, em 1997, já perto de completar 60 anos, Uyrangê chegou a afirmar em uma entrevista documentada em vídeo para a revista UFO que havia tido um contato de 2º grau com os seres da nave, mas depois de efetivamente ter conseguido essa aproximação, recebeu ordens de encerrar a operação e foi retirado da missão. Após sua saída, a missão passou a ser conduzida por autoridades americanas. Três meses depois da entrevista, o coronel foi encontrado morto em sua casa, a polícia tratou o caso como suicídio. Os relatórios com fotos, vídeos e informações confidenciais relatadas por pilotos e controladores de voo foram guardados por anos pelo governo, até que, em 2014, depois de reunião no Ministério da Defesa, em Brasília, entre representantes das Forças Armadas e da Comissão Brasileira de Ufólogos, os relatórios foram liberados.

Arquivo Pessoal Ademar Gevaerd
Arquivo Pessoal Ademar Gevaerd

Agroglifos

Os agroglifos são grandes desenhos geométricos feitos em plantações. O surgimento na América do Sul começou a ser observado nos anos 2000, mas os primeiros registros aconteceram na Inglaterra. No Brasil, o fenômeno tem sido visto com maior frequência, principalmente na região Sul do País. Em Ipuaçu, no Oeste de Santa Catarina, por exemplo, os agroglifos aparecem todos os anos desde 2008, e a cidade registra os desenhos, geralmente, no final de outubro. No início de outubro deste ano, em Prudentópolis, na região central do Paraná, também foi registrado um agroglifo. O que intriga os pesquisadores é que os desenhos são bem grandes, a formação geométrica normalmente é melhor observada de cima, não existem rastros da entrada de máquinas em nenhuma parte da figura e as plantas ficam dobradas, mas não quebradas, em sentido anti-horário.

Varginha: a possível verdade não contada

Para Ademar, um dos casos mais emblemáticos é o de Varginha, cidade localizada no Sul de Minas Gerais. De acordo com o ufólogo, apesar da chacota estimulada por alguns programas humorísticos da época, essa é uma das histórias mais sérias e concretas da ufologia nacional e mundial. “Segundo relatos e muitas pesquisas, o que verdadeiramente teria acontecido em Varginha foi que uma nave se acidentou e alguns seres tripulantes dessa nave sobreviveram à queda. Atraídos pelas luzes da cidade, foram caminhando até Varginha e no período da manhã teriam sido vistos por dezenas de pessoas, e ao longo daquele mesmo dia (20 de janeiro) seriam vistos ainda por muitas outras pessoas. Logo que a história ganhou proporção entre os cidadãos, um caminhão do corpo de bombeiros e outro do exército compareceram ao local em que as criaturas estavam. Os bombeiros capturaram a primeira delas, que foi levada no carro do exército para a Escola do Sargento das Armas, na cidade vizinha de Três Corações, e depois para Campinas. Essa criatura não ofereceu nenhuma resistência à sua captura, e morreu apenas alguns minutos depois. Outras continuaram vivas e espalhadas ao redor da cidade, até que uma foi vista à tarde por um grupo de moradores, em especial por três meninas que voltavam do trabalho, e essa mesma criatura foi capturada na noite de 20 de janeiro pelo soldado da polícia militar de Minas Gerais, Marco Eli Cherese. O Marco pegou a criatura com as mãos, colocou no carro e levou para o hospital regional do Sul de Minas, bem no Centro da cidade. Nesse processo, muitas pessoas viram a criatura: médicos, enfermeiros, pacientes e visitantes. Marco faleceu três semanas depois sem uma causa aparente. O exército até hoje esconde essas informações”, relata Ademar.