HMU: TV Globo repercute queixas de pacientes e funcionários

O telejornal Bom Dia SP, da TV Globo, mostrou hoje, 20, no quadro “Tudo Anormal”, reportagem sobre diversas reclamações e reivindicações por pacientes e médicos do Hospital Municipal de Urgência, o HMU (https://goo.gl/nWcuVx). Os problemas apontados vão da falta de insumos básicos à superlotação, passando pelo atraso de salários de médicos e funcionários e ao atendimento restrito apenas a casos de urgência e emergência.

No início da reportagem foram mostrados armários vazios onde deveriam estar estocados insumos básicos e importantes como soros fisiológicos, sondas, seringas. Depoimento de uma médica apontou que na quarta-feira, 18, os estoques zeraram, mas que ontem, 19, já foram repostos. A prefeitura de Guarulhos informou à emissora que todos os materiais foram repostos.

Mas, pacientes e familiares reclamaram também de outros problemas, como a superlotação e demora no atendimento, que é seletivo: o HMU atende apenas urgências e emergência, conforme triagem. Um produtor do programa registrou a situação, com depoimentos de pacientes e acompanhantes. Francisca Maria Barbosa, 67 anos, buscava atendimento para hematomas, dores e ferimentos pelo corpo devido a uma queda. Ela contou ter chegado ao HMU às 22h da quarta-feira, 18, mas até as 13 h da quinta-feira, 19, ainda aguardava em uma cadeira de rodas na recepção, sem ter sido atendida. Maria Santos Araújo contou que Bernardo Araújo, seu marido vítima de acidente com moto, está internado há 22 dias à espera de uma cirurgia, “por falta de material”.

Pedro Gomes, conselheiro gestor do HMU, cargo de exercício voluntário, mas eleito pela comunidade, aponta “a falta de insumos, medicamentos e, principalmente, respeito. Os profissionais médicos estão sem receber desde janeiro, assim como o pessoal que faz o transporte de coleta de sangue e de transporte de pacientes”, declarou ao produtor Ronaldo Paschoalino. Também afirmou que faltam “soro, todos os tipos de seringa” e que “não tem sonda para alimentação de pacientes, não tem lençol e não tem fralda”, completou, destacando que o HMU só atende casos de urgência e emergência e que outros pacientes são recusados.

Rodrigo Bocardi, apresentador do telejornal, questionou ao vivo o prefeito da cidade: “O prefeito Guti, de Guarulhos, estou querendo saber qual o hospital que ele utiliza. Se você souber, conta pra gente. Será que é o Hospital Municipal de Guarulhos? É dureza ver isso!”. O produtor teria sido “convidado” pelos seguranças a sair do HMU e impedido de continuar a filmar e a conversar com os pacientes no local.

Ao telefone, uma médica, não identificada, confirmou o atraso dos salários desde fevereiro, mas ressalvou: “a prefeitura, não sei te falar, mas o pessoal da GERIR é assim, demora pra pagar”, em referência ao Instituto Gerir, organização social escolhida pela prefeitura guarulhense em processo de licitação para administrar o HMU e também o Hospital Municipal da Criança e do Adolescente (HMCA) e a Policlínica, no Paraventi. Ela comentou que na quarta-feira vários materiais chegaram a faltar, mas que na quinta-feira foram repostos. Ressaltou, ainda, a superlotação frequente, as filas de espera “gigantescas”, problemas que os profissionais não dão conta de atender adequadamente, ao ponto de, em alguns dias, não ser possível aceitar a internação e “recusar o paciente”. Quanto à falta de pagamento dos salários, ela afirma que não receberam da administração nem previsão, nem justificativa.

À redação do telejornal, conforme o seu âncora, a Prefeitura informou: “ninguém está com salários atrasados desde 2017 e que todos os insumos foram repostos na farmácia e no almoxarifado”; que o paciente Bernardo Araújo, 23 dias à espera de cirurgia, “precisa de uma placa que não é fornecida pelo SUS e é preciso aprovar a compra por meio de licitação”; que casos como o da idosa vítima de queda, com mais de 15 horas à espera de atendimento, são consequência do problema de superlotação e, por isso, “alguns pacientes têm de esperar por uma vaga na enfermaria”. Sobre a restrição ao atendimento de classificados como leves, a prefeitura de Guarulhos afirmou tão somente que “o complexo hospitalar teve que dedicar-se aos casos de urgência e emergência”, sem explicar as razões dessa decisão, nem nada dizer sobre alternativas à população.

Por fim, o jornalista Rodrigo Bocardi  comentou que “para a prefeitura, está tudo bem, totalmente contraditório às imagens e depoimentos” e destacou que nesta sexta, 20, funcionários já estavam em manifestação contra a falta de pagamento dos salários, embora, ressaltou ele, “a prefeitura pode até estar pagando à administradora, mas esta administradora não está pagando aos funcionários, senão, a troco de que eles diriam dizer que não estão recebendo? E quanto à falta de insumos… as imagens são claras”, finalizou.

No início dessa tarde o prefeito Guti está no HMU para verificar pessoalmente a situação do lugar e os problemas denunciados na reportagem da TV Globo.

O Click Guarulhos acompanhará os desdobramentos e levantará as providências decididas pelo prefeito após sua visita desta tarde. Mas, enquanto isso, o espaço está aberto às manifestações do Instituto Gerir e da prefeitura, se assim o desejarem.