Por Cris Marques

Com o novo papel do sexo feminino na sociedade, foco maior na carreira e a vontade de constituir uma família cada vez mais tardia, é comum vermos uma grande diferença na idade das grávidas de hoje. Dira Paes, Carolina Ferraz e Solange Couto, que engravidou aos 54 anos, em 2011, são bons exemplos disso. Mas o que a idade tem a ver com a fertilidade feminina? É essa resposta que fomos buscar com Gilberto da Costa Freitas, doutor em medicina reprodutiva pela faculdade de medicina da USP (Universidade de São Paulo) e diretor da clínica de reprodução humana Sonolayer.
De acordo com o profissional, os dois fatores têm relação direta, uma vez que a mulher já nasce com um número definido de óvulos, por volta de 300 mil, que vão se esgotando a cada menstruação. “A fertilidade feminina é limitada e determinada geneticamente. Ela obedece aos ciclos ovulatórios, que vão da menarca à menopausa. […] Em tese, enquanto a paciente estiver menstruando, ela pode engravidar”. Ele ainda relata que a queda da fecundidade acontece de forma gradual e obedece ao ciclo natural do corpo, se acentuando após os 34, 35 anos.

Gestação e maturidade
Apesar de uma gravidez após os 40 anos ser clinicamente considerada tardia, ela é possível. E o melhor, de uma forma saudável. “A medicina e os métodos disponíveis promovem uma maior assistência e proteção para a gestante e o bebê. No entanto, os riscos inerentes permanecem. Com a idade mais avançada, questões como hipertensão, diabetes e prematuridade merecem atenção, assim como complicações obstétricas”, afirma. Além do acompanhamento do profissional e a realização dos exames de rotina, os hábitos de vida da mãe podem significar uma gestação mais sadia, como boa alimentação, prática de atividades físicas ou estar no peso ideal. Outro fator importante é a questão da maturidade pessoal e profissional.

Mãe aos 20, aos 30 e aos 40
A administradora da Associação Santa Marcelina e mantenedora da Faculdade Santa Marcelina, Valéria Taranto Barbosa, de 42 anos, ficou surpresa ao receber a notícia de sua mais recente gravidez. Além de já ter três filhos (Marina de 23 anos, Letícia de 21, e Luiz Henrique de 13), seu marido tinha feito uma vasectomia recentemente. “Jamais esperávamos que eu engravidasse novamente. No começo foi um susto, mas depois ele foi substituído por amor. Cada filho veio em uma fase bem diferente. […] Só posso dizer que está sendo mágico, pois além da estabilidade financeira que já temos, o corpo e a mente parecem estar muito mais preparados. Fico um pouco mais cansada, mas nada que me deixe desaminada. Quero ter muita disposição para curtir todos os momentos”. Quando questionada sobre sua saúde e as preocupações que chegam com uma gestação depois dos 40, Valéria ressalta que tem tirado de letra. “Posso dizer que sou privilegiada, não sei o que é ter enjoos, diabetes ou pressão alta, muito pelo contrário. Por não ter nenhum sintoma, descobrimos que ‘estávamos grávidos’ quando eu já estava de nove semanas”, conta ela, que já passou do sétimo mês e agora aguarda ansiosa a chegada da pequena Manuela.

Inseminação e outros tratamentos
O doutor em medicina reprodutiva explica que o único lado negativo de adiar a maternidade é a dificuldade, em alguns casos, da mulher engravidar. Mas, diante desse tipo de situação é possível lançar mão de tratamentos de fertilidade. “Na inseminação, usada para casais sem grandes problemas, preparamos a paciente para ovular e, no momento da ovulação, introduzimos os espermatozóides preparados em laboratório. As chances de sucesso variam entre 15 e 20%. Já na fertilização in vitro, colhemos os óvulos, que são inseminados. Dos embriões que resultam, escolhemos de um a dois para colocar diretamente no útero. As chances de sucesso chegam a 50%.” Ainda segundo ele, também existe a possibilidade de congelamento dos óvulos, procedimento que deve ser feito cedo, preferencialmente antes dos 30 anos.