Impasse com manifestantes inviabiliza reunião com Guti sobre aterro

Manifestantes não entraram em acordo com a comitiva e deixaram o saguão do Paço Municipal - Foto: Alexandre de Paulo

Acabou não acontecendo a reunião com a presença do prefeito Guti, que foi negociada pelo secretário de Serviços Públicos, Edmilson Americano, para que moradores da região do Cabuçu tomassem conhecimento da real situação do aterro sanitário, que sofreu deslizamento na noite do dia 28 de dezembro.

Na manhã do dia 31, na entrada do aterro, Americano ainda não tinha respostas às muitas questões levantadas pelos manifestantes e pelo vereador José Luiz (PT), pois dependia de análises técnicas que estavam sendo feitas. Explicou que seria prematuro passar informações que poderiam não ser confirmar. Eles pediram para que uma comissão fosse até a área atingida e ele não autorizou, argumentando que seria irresponsável se permitisse, dado o risco a que as pessoas estariam expostas.

Americano afirmou que a Prefeitura havia solicitado a participação da Cetesb, do Ministério Público e do Tribunal de Contas, para que houvesse total transparência. As pessoas contestaram, exigindo que, nos dias seguintes houvesse uma reunião, com a participação de alguns representantes dos moradores. Ficou combinado que seriam cinco pessoas e que a reunião seria nesta quinta, 3, às 17h.

Os manifestantes começaram a usar o microfone, criticando a gestão do aterro pela empresa Proactiva e a pretensão da empresa francesa Veolia, do mesmo grupo, de implantar um novo aterro em Guarulhos, para depositar lixo de outras cidades. Em dado momento, bloquearam a entrada e saída de caminhões. Para liberar a passagem, exigiram que Guti se comprometesse a participar da reunião. Quando Americano conseguiu contato com o prefeito, comunicou que o pedido seria atendido; algum tempo depois, a passagem dos caminhões foi liberada.

Impasse

Quando deveria ocorrer a reunião na tarde desta quinta, no Bom Clima, estavam presentes os vereadores José Luiz e Janete Pietá, depois também Edmilson Souza, todos do PT, e o líder do governo na Câmara, Eduardo Carneiro (PSB); além de representantes de algumas entidades e moradores da região, totalizando cerca de 20 pessoas.

O secretário Americano argumentou que poderiam entrar os vereadores e mais cinco pessoas, conforme o que fora combinado. Os manifestantes exigiam que participassem também representantes das entidades. Uma delas era o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Americano quis saber qual a relação dessa entidade com a questão do aterro. Houve discussão, os ânimos se acirraram e o grupo acabou se dividindo. Aos poucos, mais e mais GCMs foram chegando, alguns bastante armados. Em certo momento, Americano informou que haviam chegado a uma proposta de consenso: entrariam os vereadores e os representantes dos movimentos. Alguns manifestantes discordaram, dizendo que entrariam todos ou não entraria ninguém.

Diante do impasse, os manifestantes foram para o lado de fora do prédio e chegaram à conclusão de que pleiteariam uma reunião com o prefeito na entrada do aterro, no bairro do Cabuçu.

Levada essa decisão ao secretário, ele considerou que estava havendo radicalização, pois não ser isso o que estava combinado. Alguns manifestantes argumentaram terem se sentido desrespeitados pela presença de tantos guardas municipais. Americano alegou que eles estavam ali apenas para garantir a segurança e que nada haviam feito para que alguém se sentisse ameaçado.

Eduardo Carneiro sugeriu que os vereadores fossem conversar com o prefeito, mas os parlamentares petistas não aceitaram, pois estariam descumprindo a decisão coletiva dos manifestantes.

Medidas efetivas

Indagamos ao secretário Americano se há informações mais recentes, além das divulgadas na quarta-feira. Ele respondeu que estão sendo feitos outros diques para impedir que chorume atinja o lençol freático e que estão buscando amparo técnico de especialistas, embora o momento seja pouco propício, pois a maioria dos escritórios de engenharia está em recesso até dia 6. Afirmou que todas as atenções estão voltadas para a questão ambiental. Evitou atribuir responsabilidades pelo ocorrido, dizendo que não cabe a ele julgar quem quer que seja.

Concluiu dizendo esperar que os manifestantes tenham bom senso e não impeçam a entrada e saída dos caminhões de coleta, pois se o fizerem estarão prejudicando toda a população, já que não há em toda Guarulhos ou imediações nenhum outro local onde seja possível despejar o lixo.