Incêndio do Museu Nacional é tragédia anunciada

Um palácio de 200 anos, onde morou D.João VI e onde D. Pedro I assinou a Independência do Brasil, foi consumido por um incêndio de grandes proporções na noite deste domingo. O acervo total é de 20 milhões de itens, entre os quais alguns sem similar, como uma múmia egípcia de dois mil anos e o fóssil humano mais antigo já encontrado no país, batizada de “Luzia”, que faz parte da coleção de Antropologia Biológica. Também alguns dos mais relevantes registros da memória brasileira no campo das ciências naturais e antropológicas.

Pertencente à Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Museu, na Quinta da Boa Vista, vinha sofrendo falta de manutenção, nos últimos anos, devido ao corte do orçamento. Calcula-se que seriam necessários R$ 500 mil por ano para que estivesse conservado. Há testemunhos de que fios estavam mal instalados, materiais acumulados, muitas divisórias de madeira; enfim, tudo contribuindo para que as chamas tivessem início e se propagassem.

A historiadora Mary del Priore disse que a tragédia já estava anunciada. “Não é o primeiro museu que queima. Tivemos a Capela Imperial, na UFRJ, que foi queimada. Mas as pessoas apenas lamentam depois. Toda vez que o Museu Nacional precisou de verbas, o apoio da população era zero. Agora todo mundo chora, mas a verdade é que há uma negligência do cidadão carioca”, afirmou.

“O Rio de Janeiro já perdeu, com a abertura da avenida Central, uma parte considerável do seu patrimônio histórico. A importância do acervo do Museu Nacional é enorme. Só lamento a postura dos cidadãos. Ninguém se prepara, ninguém antevê, os diretores de museus ficam sozinhos”, disse Priore.

Segundo o portal UOL, o historiador José Murilo de Carvalho chamou o incêndio de “catástrofe para a história e a cultura brasileira”. “Estou absolutamente chocado, é uma desgraça. Não é um acervo importante para o Brasil, mas para pesquisadores internacionais também. Toda a coleção de d. Pedro 2º [está lá].”

Uma parte considerável da história do País virou cinzas. Até quando o Brasil tratará a Cultura com tanto descaso?

Valdir Carleto