Inflação dos supermercados surpreende e aumenta 0,84% em outubro

O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista dos Supermercados (APAS) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), subiu pelo segundo mês consecutivo. Em outubro, a inflação foi de 0,84% no comparativo com setembro. Com este resultado, o acumulado do ano agora apresenta inflação de 4,45%.

“Em outubro, os preços dos produtos dependentes do dólar continuaram subindo, principalmente em artigos de higiene e beleza. Em compensação, o leite segue sua curva descendente e apresentou nova deflação. Porém, nem este novo decréscimo deste item, que tem alto peso no índice geral, não foi capaz de conter a escalada de preços em sua totalidade”, explicou o economista da APAS, Thiago Berka.

A APAS projetou para 2018 uma inflação entre 3% e 4% no Índice de Preços dos Supermercados. A disparada de preços em outubro coloca em xeque esta previsão e em dúvida se o ano vai encerrar com uma inflação mais contida. “Para que tenhamos uma inflação dento da meta prevista precisaremos contar com a queda nos preços dos hortifrutigranjeiros até o final do ano”, avaliou Berka.

Índice de Preços dos Supermercados (IPS/APAS)

Destaques de Outubro

O dólar continua tendo forte influência no preço dos produtos que têm matéria-prima cotada na moeda americana, como os casos das categorias de higiene e beleza e de produtos de limpeza. Outros que sofrem com o câmbio são os itens importados e commodities. No entanto, surpreendentemente os artigos de limpeza apresentaram deflação de 0,34% em outubro, acumulando alta de 6,37% no ano. Já os preços dos produtos de higiene e beleza cresceram 1% no mês, chegando a um aumento de 2,92% no ano. A concorrência com farmácias e a própria indústria segura um pouco mais os preços destes produtos.

Panificados e massas, que dependem do trigo cotado em dólar, apresentaram, respectivamente, altas de 0,21% e 1,78% no mês de outubro, e 4,74% e 11% no acumulado de 2018. “O efeito do dólar é impactante nos preços dos supermercados quando permanece muito tempo em patamares acima de R$3,70. Quando isso acontece, historicamente, temos crescimentos maiores no índice”, avaliou o economista da APAS.

Além dos produtos impactados pelo dólar, os principais vilões do mês de outubro foram as aves, com alta de 2,37%; os legumes, com crescimento de 26%; e os tubérculos, com aumento de 12%. Essas categorias representam grande parte do abastecimento do dia a dia do brasileiro e tornaram o mês complicado para o consumidor.

Segundo as análises da APAS, as aves estavam com aceleração nos preços na primeira quinzena do mês pela conjunção de fatores como o feriado do dia 12, que impulsionou a demanda para cima, e o mercado externo também aquecido. O câmbio favorável otimizou a exportação do frango: nos seis primeiros dias úteis do mês, houve 10% a mais de embarques em toneladas comparados com 2017. Ao final do mês, os preços no atacado voltaram a cair mais rapidamente, o que deve refletir no índice de inflação de novembro.

No caso dos legumes, o destaque foi para o tomate, que apresentou 82% de alta nos preços em relação ao mês passado. Historicamente, outubro e novembro são meses em que o tomate aumenta de preço. Porém, este foi o maior aumento da história para o mês de outubro desde 1994, quando o IPS começou a ser calculado.

“Em São Paulo, uma cadeia de problemas fez o preço do tomate disparar. As chuvas muito fortes e pouco espaçadas prejudicaram muito a produção no estado, gerando fortes perdas. É bom lembrar que o tomate é uma das culturas mais sensíveis e delicadas ao clima instável e às pragas, portanto suas perdas são maiores que as de outros hortifrútis. Para dar conta da demanda, a produção de Minas Gerais e de Goiás foram usadas para cobrir a oferta paulista e o cenário atual é de transporte mais caros, seja pela nova tabela de frete, seja pela alta nos combustíveis”, explicou Berka.

Nos tubérculos, o aumento de 26% na batata, produto de peso importante para o brasileiro, foi o vilão da categoria. A cebola também teve aumento, na ordem de 7,75%. Em ambos os casos, explicações semelhantes às do tomate: chuvas que prejudicaram a colheita, tanto em Minas Gerais quanto São Paulo, e o fim da safra no começo de outubro. Períodos imediatamente pós-colheita apresentam disparadas de preço.

Já o leite seguiu sua sequência de quedas e voltou a cair com o início da safra do segundo semestre, com 4,87% de redução no preço em outubro. “Se olharmos desde agosto, as quedas são acima de 4% mês a mês, deixando o acumulado do ano em 29%. Em 2016, no mesmo período, a inflação era de 39%, ano em que também observamos escalada de preços semelhante”, analisou o economista.