Jandilisa Grassano: criança, mulher e mais… artista!

Jandilisa Grassano, multiartista, conta um pouco de sua vida e carreira, desde criança, em uma narrativa sincera e reveladora

Jandilisa nasceu na antiga Maternidade São Paulo, Capital. Ela se refere em detalhes a esse período: “Criança, carrinho feito pelo papai, uma boneca loirinha – tive uma boneca… (os tempos eram difíceis). Eu tinha uma amiguinha, uma companhia no berço, lembro até hoje. Menina linda, de trancinhas,fitas vermelhas, estava sempre comigo. Olhava, sorria ou não para mim… muito bonita.”

Em conversa, a Jan, como costuma ser chamada pelas pessoas mais próximas, continua contando: “Nessa casa, havia um porão onde eram guardadas as ferramentas do meu pai, Juca (José), um artista/inventor e sala de costura da minha mãe, Anita, que gostava de enfeitar os vestidos que fazia”.

Relata que o porão era também lugar da brincadeira das crianças, Jan e Lucélia, sua irmã. Um dia, em uma visita de parentes, algo inominável aconteceu e viria a mudar toda a trajetória normal de sua vida. “Penso ter sido aos 5 anos porque no ano seguinte, com seis, mudamos para Arapongas, Paraná”, diz.

De forma dolorida, lembra ter visto o jovem priminho distante, como diz, fechar a porta do porão. O que aconteceu? Sabia, sim, que haviam ocorrido coisas que… (esquecimento total!)

Na escola, acontecia uma coisa esquisita: vez ou outra era retirada da sala de aula. “Ficava lá fora, sozinha, chorava… e por quê?”, indaga e, em seguida, ela mesma responde: “Ah, uma religião diferente da maioria era a causa disso.” Sua família acreditava “num tal de Chico Xavier”!! Como Arapongas era essencialmente católica, tiravam-na da sala nas aulas de religião, no “Marquês de Caravelas”.

“Em determinado momento dos meus 8 anos, percebi algo estranho – terrível –, um som, um zumbido na cabeça. Todos teriam isso? É muito ruim! Como acabar com esse barulho? Nunca desligou…”

Lembra que, também aos 8 anos, decidiu: “Não, não cresceria mais, ficar criança para sempre. Não queria ser como os adultos!”.

Aos 12 anos, porém, num lindo e ensolarado domingo de Páscoa, foram para um jardim procurar os ovos, quando ela ouviu algo marcante: “Não tem mais ovo de Páscoa para você, Jandilisa, pois está crescida”!

Diz que não foram seus pais que disseram isso, mas ela não conseguia entender o motivo:

“Como? Crescida? Ovo de Páscoa! Crescida!”
… Depois de muitos anos, conta a Jan, assistiu surpresa e assustada ao filme “O tambor”, sobre um menino que não queria crescer.

Adolescente extremamente estudiosa, já cantando no Coral Alvorada, no Coro da Igreja Matriz, em festas; tocando piano, estudando inglês, estudando… “Sentia medo! De tudo! Ficar alegre? Não, não podia…”.

Problemas psicossomáticos? Médicos, medicações. Enquanto isso, em suas pesquisas, soube: “Músicos, estadistas, pintores, também tinham coisas parecidas”…
“Da biblioteca do tio-avô e da cidade, lia tudo, tudo mesmo! Era diferente! Sentia-me diferente!

Do porão para a vida!

Muito jovem, foi professora, secretária, coordenadora, bibliotecária, substituta na direção de escola primária, pianista, estudante de inglês… ( uma vida estudando), professora de português, no ginásio. “Cantei, cantei muito, e adorava! Ah, viajei com o Coral! Fui solista, gravamos um CD…”

Vai relembrando e contando: “Pensei que em meio a tudo fosse ser cantora ou pianista, embora desenhasse e escrevesse muito, muito mesmo! ”.

Das artes, deriva para a caridade: “Ah, tinha meus doentinhos e com a mais que amiga da minha mãe Anita, a D. Yolanda D. Viroli, visitava e internava nossos queridos, lá, em Arapongas! Como cá, em São Paulo, não mais com ela, que também se foi…”

Jandira Elisa, nome de batismo que preferiu abreviar como Jandilisa, graduou-se em Letras, Música e Artes Visuais e se casou aos 21 anos, com Jaime Ferreira Lopes, em Arapongas, Paraná, onde teve dois filhos, Emerson Alexandre e Fabiane Grassano Lopes. Ficou viúva em 2004, quando já tinha perdido a mãe e a sogra; pouco tempo depois, também seu pai e sogro.

Em seguida, seus filhos casaram e se separaram, período no qual participou de ininterruptas atividades nos ateliês no Brasil e fora dele, atividades essas que pautaram sua vida, já que, em virtude das muitas mudanças de cidades e Estados, acompanhando seu marido, Jandilisa, teve interrompida sua carreira inúmeras vezes.

Com programas em TVs em cidades diversas, ateliês, aulas, exposições e viagens nacionais e internacionais, não teve tempo de renovar e refazer sua vida pessoal. Para ela, como disse outro dia, meio sorrindo: “A fila não andou! Andará? Aos 70 anos? Ah, não é comum, não acha?”, brinca.

Jan conta que, no entanto, durante essa longa jornada de atividades, percebeu: “Tinha que trabalhar muito para fazer o que todos faziam normalmente. Era desgastante, uma luta diária intensa! É, extremamente desgastante! Era diferente… É, acho que sou diferente!”
Sobre essa suposta diferença, divaga: “Rótulos, muitos – antissocial, estranha… Diagnósticos? Diversos! Bipolar; síndrome de pânico, enxaqueca, TAG…”

Sim, dos muitos médicos, buscas infinitas, Jandilisa conclui dizendo que procura respostas, sentir menos os sintomas na cabeça, embora não tenha ainda encontrado soluções possíveis ao mal que a acompanha.

Impensável 3, ou raro, nos dias de hoje, alguém se submeter a uma himenectomia um ano após o casamento. “Sim, muitos foram os danos causados em momento de extrema gravidade. Eis que, então, depois de décadas de esquecimetno total, no dia 28 de dezembro de 2016, flashes mostram-me o que havia ocorrido naquela tarde dos meus cinco anos”.

“Do porão para a vida!”

Essa paulistana, radicada em Guarulhos desde 1987, portanto há 31 anos, não se permitia ser chamada de artista. Não se considerava como tal, apenas “pintava o que escrevia, ou escrevia o que pintava”… Até que Laila, amiga da Belas Artes de São Paulo, e o professor José Ismael, de Guarulhos, a convenceram, enfim, de que era ARTISTA – “Ah, sim, dizia ela – SER ARTISTA É TER UMA IDENTIDADE, UM ESTILO, TER CRIADO E NÃO COPIADO, TER O SEU PERFIL!!! Ok, sou artista!”. Sim, percebeu que “não poderia negar o presente, o talento oferecido por Deus, o Criador, O Artista Máximo”!!!

O gosto pelo canto e o piano, desenho a lápis de cor, além da facilidade ao escrever, eram as provas cabais de que nasceu artista. “Meus pais, José Azevedo Grassano, o Juca, artista e inventor que era, e Anita Pereira Carvalhaes Grassano, foram os meus grandes incentivadores.”

Trabalhou na Inspetoria de Ensino de Arapongas; cursou a Escola Normal Fernando Amaro, estudou e depois lecionou no Colégio Estadual Emílio de Menezes, e contribuiu com a formação e trabalhou por longos anos na Escola Municipal Pe. Germano Mayer. “Foram honras e glórias poucas vezes vividas por alguém, com tanto gosto pelos estudos e trabalho. Toquei piano: Mozart, Beethoven, Liszt, Chopin… tocaram por minhas mãos… Foi e é ainda, mágico!”

“Ter vivido e viver a Pintura Contemporânea, como vivo; amar a História da Arte; a Estética – Filosofia do belo; poder fazer da minha Arte, a pintura, o meio de me doar às Entidades Assistenciais, às escolas; ter escrito o meu livro, o ‘Jandilisa Grassano – MINHA VIDA, UMA ARTE SÓ’…, completar neste ano – 54 anos de ARTE; ir às ruas de Guarulhos fazendo a minha Arte; ter aqui plantado árvores nessa terra abençoada; ter realizado aqui, em Guarulhos, várias exposições e convidado artistas diversos, amigos meus particulares; ter levado a países, como Grécia, Itália, Mônaco e França, artistas daqui e de outros estados brasileiros; ter ocupado o cargo de Secretária Adjunta da Cultura, em Guarulhos, cidade que adotei como minha; ter sido lembrada para vir a ocupar cadeira na Academia Guarulhense de Letras; ter não somente a minha casa aqui, nesta cidade, como o meu ateliê, são acontecimentos e coisas dignas de nota e de orgulho!”, conclui.

Jandilisa Grassano atende seus clientes pelo e-mail jandilisa@uol.com.br