Novo Bourne não inova, mas mantém a franquia com o saldo positivo

Nove anos separam O Ultimato Bourne de Jason Bourne, mais novo filme da franquia estrelada por Matt Damon. Neste meio tempo, foi lançado o pouco expressivo spin-off O Legado Bourne, este protagonizado por Jeremy Renner. Depois de 9 anos, 3 filmes e um spin-off, não parecia que Jason Bourne teria a força necessária para ser relevante. Felizmente, o novo longa prova que a franquia ainda tem fôlego para se manter ativa no meio do gênero de ação

Dirigido Paul Greengrass, que esteve à frente do segundo e do terceiro filme, Jason Bourne situa o ex-agente secreto da CIA na era pós-Snowden. Isolado na Grécia, Bourne é forçado a voltar à ativa após ter uma revelação dramática sobre seu passado. Em uma época onde quase toda informação é pública na internet, o objetivo de Bourne de se manter no anonimato se torna uma missão ainda mais complicada.

Com tal ambientação, Jason Bourne tinha tudo para propor uma discussão extremamente rica e relevante sobre privacidade da informação. Edward Snowden, que divulgou informações secretas do sistema de vigilância global dos EUA, é citado o tempo todo no filme, e é usado como a faísca de toda a discussão que o filme propõe. O problema é que o desenrolar da história não se dispõe a desenvolver essa discussão, desperdiçando o que poderia ser o maior trunfo do longa.

Apesar de desperdiçar boa parte de seu potencial, o filme cumpre bem a função de conceber cenas de ação. Deixando de lado o fato de tudo parecer ser uma cópia descarada dos filmes anteriores (perseguições de carro, lutas, até mesmo reviravoltas…), trabalha e executa-se muito bem todas as características inerentes à um filme de ação. Até os coadjuvantes (Tommy Lee Jones, Julia Stiles, Vincent Cassel) dão vida à personagens que possuem características praticamente iguais ao personagens secundários dos filmes anteriores, mas nada que não fosse bem interpretado. Todo mundo ali cumpre bem seu papel. Talvez a única surpresa que o filme reserva para si são os personagens de Riz Amhed e Alicia Vikander. Amhed surpreende dando vida à Kaloor, um jovem empresário dono de uma desenvolvedora de aplicativos, que se mostra uma inusitada mistura de Steve Jobs com uma personalidade um tanto malandra. Enquanto Vikander entrega uma personagem muito segura de si, fazendo uma hacker que, por fora da trama principal, busca atingir seus próprios objetivos.

Greengrass também merece destaque. Sua opção por filmar tudo com as câmeras na mão, juntamente com os incessantes zooms nos personagens e a trilha sonora quase que onipresente, deixa o filme mais enérgico. Por momentos, até cansativo.

Damon já deu declarações de que o processo de filmagens foi muito difícil e que está velho demais para entrar novamente na pele do ex-agente secreto. Independente disso, Jason Bourne deixa a franquia com um saldo positivo, abrindo espaço para talvez mais um filme, com um novo ator. Por ser mais do mesmo, a única coisa que se espera de um próximo longa é a capacidade de reinventar uma fórmula que começa a dar sinais de desgaste.

Nota: 7,5/10