Jornal Olho Vivo faria hoje 35 anos

No dia 31 de janeiro de 1981, circulava a edição número 1 do Jornal Olho Vivo, que foi inicialmente “O jornal do Parque Cecap”.

Antes dele, eu e minha esposa na época, Elisabetta Gallo, editávamos como voluntários o Jornal ComunicAção, para o Conselho Comunitário do Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado.

Quando a maior parte dos membros da Diretoria da entidade filiou-se ao PDS, que era o partido do então governador biônico de São Paulo, Paulo Salim Maluf, discordamos e resolvemos parar de fazer o ComunicAção, que estava na 13a. edição mensal, e os anunciantes nos incentivaram a lançar um jornal independente.

Olho Vivo era o nome da coluna mais comentada pelos leitores, pois mostrava flagrantes de atitudes indevidas, tanto de autoridades quanto das pessoas em geral. Foi natural que o escolhêssemos para batizar o novo veículo que surgia na cidade.

De imediato, o Jornal Olho Vivo foi bem aceito pela população do Cecap e deixávamos alguns exemplares nos estabelecimentos que anunciavam e, desde o início, garantiram a pela liberdade do conteúdo editorial. Era difícil, porém, obter novos clientes e, para que o jornal pudesse se manter, era preciso ampliar a tiragem, passando a distribuí-lo também em outros locais.

Seguiu-se um círculo vicioso e, ao mesmo tempo, virtuoso. Porque a cada momento, para sobreviver, o jornal precisava crescer. Assim, em 1983, passou a circular quinzenalmente; e, com gradativa evolução, a semanal, bissemanal e trissemanal.

Em 2005, quando meu filho Fábio já atuava comigo, firmamos sociedade com Alexandre Polesi e Paulo Carneiro, oriundos do Diário do Grande ABC, pois sentia que o Olho Vivo tinha tudo para transformar-se em jornal diário, mas não reuníamos condições financeiras para tal empreitada.

Em agosto de 2007, o Olho Vivo passou a ser “Diário de Guarulhos”, circulando de terça a sábado; alguns meses depois, começou a ser editado também aos domingos. Produzíamos também o jornal Vitrine, que era distribuído nas ruas semanalmente, e a Revista Guarulhos, bimestral na época.

As receitas, porém, continuavam a ser insuficientes para cobrir as despesas. Eu e Fábio não tínhamos recursos para fazer aportes, o mesmo acontecendo com Paulo Carneiro. Se mantivéssemos a sociedade naqueles termos, a tendência é que nos tornássemos praticamente subordinados a Polesi, o que não desejávamos.

Propusemos reunir um grupo de investidores simpatizantes do jornal para que recomprássemos a parte que havia sido vendida a Alexandre Polesi, mas ele não aceitou. Concluímos por fazer um acordo, vendendo a ele as cotas restantes, com exceção da Revista Guarulhos, que passou a ser de propriedade minha e de Fábio. Deixamos a direção do Grupo Olho Vivo em 16 de março de 2009 e, daí em diante, não tivemos mais absolutamente nada a ver com a gestão do Diário de Guarulhos e do Vitrine.

Constituímos, então, a Carleto Editorial e a Revista Guarulhos ganhou o título abreviado de RG; em outubro daquele ano, lançamos a revista semanal Weekend, que foi sucesso desde a primeira edição; algum tempo depois, a RG passou a ter circulação mensal.

Infelizmente, o Diário de Guarulhos deixou de circular em dezembro de 2014. Caso contrário, estaria comemorando neste 31 de janeiro seu 35o. aniversário.

De qualquer forma, creio que é uma data a ser comemorada. Não nos cabe opinar, pois seria cabotino, mas o Olho Vivo fez história em Guarulhos. Parabéns a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para isso. Temos orgulho de ter escrito boa parte dessa história, ainda que com suor e lágrimas.

Valdir Carleto