Leituras para vestibulares

Fotos: Divulgação

O ano letivo começou e com isso chega a hora de colocar a leitura em dia, principalmente para aqueles que desejam prestar vestibular para tentar ingressar nas universidades públicas. Reunimos as obras exigidas pelas instituições mantidas pelo Estado de São Paulo – USP, Unicamp e Unesp. As obras são de domínio público, portanto, vale a pena baixar no smartphone ou no tablet e aproveitar as viagens de ônibus e as filas de espera para ler um pouco.

A lista oficial da Fuvest 2017 ainda não foi divulgada. Baseamo-nos nas obras dos anos anteriores, que se mantêm as mesmas desde 2013, quando houve quatro alterações nos títulos. É bom citar que ainda que não caiam, tais títulos são fundamentais para se entender o contexto da literatura brasileira e portuguesa da época.

Fuvest

Viagens na minha terra

Autor: Almeida Garrett
Ano: 1846

Tida como única obra do Romantismo português. O autor a divide em duas partes: na primeira – estilo digressivo – ele narra sua viagem de Lisboa até Santarém e, na segunda, o romance com os personagens Carlos, Joaninha e Frei Dinis. O livro não é só uma novela, mas um importante documento de referência para se compreender a decadência do império português.

Til

Autor: José de Alencar
Ano: 1872

O romance regionalista retrata os costumes, a linguagem e a vida rural da época em que foi escrito. O cenário é a fazenda de Palmas, localizada na região de Campinas, interior de São Paulo. O romance narrado em terceira pessoa, com narrador onisciente neutro, é dividido em duas partes: a primeira serve como apresentação das personagens e das tramas e, na segunda, há o desembaraço do enredo e suas revelações.

Memórias de um sargento de milícias

Autor: Manuel Antônio de Almeida
Ano: 1854

O palco é o Rio de Janeiro do tempo em que o rei D. João VI refugiou-se na cidade. Com uma linguagem bem coloquial, o autor retrata a fala do povo desse período. A narrativa em terceira pessoa é fluida. Nesta obra, o humor tem foco e por isso é considerado um romance fora do tradicional.

Memórias póstumas de Brás Cubas

Autor: Machado de Assis
Ano: 1881

Machado de Assis marca suas características intrínsecas que o levaram a ser um dos 100 maiores autores da literatura de todos os tempos, devido a suas obras realistas, especialmente a esta, onde o narrador-observador e protagonista é Brás Cubas, um defunto-autor que conta a sua história a partir da morte, ou seja, do final para o começo.

O cortiço

Autor: Aluísio Azevedo
Ano: 1890

Tendo por cenário e grande astro da trama uma habitação coletiva no Rio do Segundo Império, no bairro de Botafogo, a obra não só retrata desigualdade social através da mistura de raças e promiscuidade da classe baixa e a ascensão da burguesia no século XIX, mas a degradação que o capitalismo selvagem leva o homem a fazer. O narrador é onisciente (com conhecimento de tudo), seguindo o modelo que propunha o naturalismo.

A cidade e as serras

Autor: Eça de Queirós
Ano: 1901

Livro póstumo de Eça de Queirós, no qual o narrador-personagem, José Fernandes, conta a história do amigo Jacinto e pretende mostrar como a vida no campo é superior à da cidade. A cidade é Paris e as serras são Tormes, no interior de Portugal. O autor critica com ferocidade os males da civilização e enaltece os valores da natureza.

Vidas secas

Autor: Graciliano Ramos
Ano: 1938

O romance começa e termina com a fuga de uma família de vida miserável que enfrenta a duras penas a seca do sertão nordestino. Mostra a realidade de muitas pessoas, vítimas da desigualdade social e da exploração humana – o opressor e o oprimido. A narrativa é em terceira pessoa, com narrador onisciente e uma linguagem direta e seca, caracterizada pelo pouco uso de adjetivos, que transmite os efeitos dos que vivem sob o Sol escaldante da caatinga.

Capitães da areia

Autor: Jorge Amado
Ano: 1937

Romance que retrata o cotidiano de um bando de meninos de rua que se unem para fazer assaltos pelas ruas e areias de Salvador. Destaca-se por apresentar características jornalísticas em seu contexto e o poder da mídia em manipular uma matéria para o que melhor lhe convém. Através de uma narrativa como espectador, porém, realista, o autor apresenta diversos problemas que sobrevivem até hoje na sociedade brasileira.

Sentimento do mundo

Autor: Carlos Drummond de Andrade
Ano: 1940

São 28 poemas produzidos entre 1935 e 1940, que permeiam o cenário mundial da época, como a ideologia nazista, as duas Guerras Mundiais e a ditadura Vargas no Brasil.

 

Unicamp

Desde o vestibular 2015, a Universidade deixou de unificar a lista de livros com a Fuvest e passou a adotar uma listagem própria. Para o vestibular 2017, três novas obras serão inseridas “Til”, de José de Alencar, “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, da lista da Fuvest, são também leituras obrigatórias para a Unicamp 2017.

POESIA

“Sonetos”, por Luís de Camões;
“Poemas Negros”, de Jorge de Lima.

CONTOS

  • “Amor”, do livro Laços de Família, de Clarice Lispector;
  • “A hora e a vez de Augusto Matraga”, do livro Sagarana, de Guimarães Rosa;
  • “Negrinha”, do livro Negrinha, de Monteiro Lobato.

TEATRO

  • “Lisbela e o Prisioneiro”, de Osmar Lins.

ROMANCE

  • “Coração, cabeça e estômago”, de Camilo Castelo Branco;
  • “Caminhos Cruzados”, por Érico Veríssimo;
  • “Terra Sonâmbula”, por Mia Couto.