Liberdade de Imprensa foi tema de palestra na São Judas

Promovida pelo grupo de mulheres “Elas & Elas”, com apoio do diretor do Campus Guarulhos da Universidade São Judas, Dênis Lopes, foi realizada na noite de terça-feira, a palestra “Liberdade de Imprensa e ativismo político”, com o advogado Alexandre Cadeu Bernardes, conselheiro seccional da Ordem dos Advogados do Brasil; e o jornalista Valdir Carleto, diretor do portal Click Guarulhos e das revistas Weekend e RG.

Cadeu, como é mais conhecido nas esferas do Direito, discorreu sobre os aspectos constitucionais da liberdade de Imprensa, afirmando que, mais do que se possa apregoar em uma ou outra fase que o País viva, é um princípio garantido pela Constituição. Quanto aos abusos que alguém possa cometer ao usar essa liberdade, disse que a Lei também prevê punições, o que faz com que se exerça esse direito com responsabilidade.

Alexandre Cadeu Bernardes

Carleto citou o início de sua carreira, ainda na adolescência, de forma amadora, quando percebeu o quanto a comunicação pode ser útil às pessoas, razão pela qual implantou pequenos jornais por onde passou, culminando com o lançamento, em 1981, do Jornal Olho Vivo, que fez história no Jornalismo de Guarulhos. Enumerou episódios nos quais respondeu a processos, tanto na esfera cível quanto na criminal, e afirmou que, com a experiência, aprendeu a refrear o ímpeto da juventude, de querer publicar tudo e rapidamente, passando a escolher melhor as palavras, buscando transmitir a mesma notícia, porém utilizando termos que não gerassem novos processos.

Valdir Carleto

O advogado citou casos nos quais entende que, embora cidadãos possam se sentir ofendidos e recorram à Justiça contra a Imprensa, não vê que tivesse havido abuso no direito de informar, pois o interesse coletivo deve estar acima de questões pessoais. Defendeu as instituições e a liberdade de imprensa como imprescindíveis à democracia, ressalvando que é direito de todos recorrer à Justiça quando se sentir prejudicado.

O jornalista explicou que o papel para impressão de jornais, revistas e livros é imune, para que sejam úteis à coletividade, ou seja, não há impostos aplicados sobre o custo desse papel e, portanto, os meios impressos de comunicação devem fazer jus a essa imunidade, privilegiando a função social de servir à população. Nesse sentido, disse discordar dos ataques que a mídia em geral tem sofrido de setores que apoiam o governo. Lembrou que no passado, durante os governos petistas, acusava-se a mídia de ser direitista; agora, que há um governo de direita, acusa-se a mídia de ser de esquerda, comunista, o que ele considera incoerente, pois é da Imprensa que as pessoas se valem para denunciar abusos e para divulgar reivindicações.

Ambos responderam perguntas da plateia, formada por alunos de diversos cursos da instituição, por profissionais que atuam nas várias áreas do Direito, pelas mulheres integrantes do “Elas & Elas”, coordenadas pela advogada Fátima Schoppan, e por pessoas interessadas no tema.

Valdir Carleto concluiu declamando a letra da música “Sonho Impossível” (trilha de “O homem de la mancha”, de Joe Darion e Mitch Laugh, versão de Chico Buarque de Holanda), conclamando os estudantes a definir sonhos para a vida, fixando metas a alcançar e dedicar-se com vontade à carreira que escolheram, seja qual for.

fotos: Alexandre de Paulo