Livro de luxo traz versões da história que inspirou o clássico da Disney “A Bela e a Fera”

O tão aguardado filme da Disney “A Bela e a Fera” estreou nesta quinta-feira, 16, nos cinemas. Baseado tanto no conto de fadas de 1740 – da escritora francesa Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve – e alterado por Jeanne-Marie LePrince de Beaumont, em 1756, como na animação da Disney de 1991, o longa trouxe atores reais (live-action) nos papéis de personagens clássicos de um dos maiores sucessos da empresa. Afinal, difícil conhecer alguém que nunca assistiu ao desenho na infância.

A Bela e a Fera rendeu nada mais que U$ 424 milhões há 26 anos e recebeu a inédita indicação ao Oscar de “Melhor Filme”. Segundo o Estadão, baseado no site especializado Box Office Mojo, o filme lucrou no seu fim de semana de estreia 170 milhões de dólares nos EUA, se tornando assim a sétima maior estreia de todos os tempos do país. Os seis primeiros colocados são ‘Star Wars: O Despertar da Força’ (2015), ‘Jurassic World’ (2015), ‘Os Vingadores’ (2012), ‘Vingadores: Era de Ultron’ (2015), ‘Capitão América: Guerra Civil’ (2016) e ‘Homem de Ferro 3’ (2013). Fora dos EUA, o filme arrecadou cerca de 180 milhões de dólares, totalizando 350 milhões em seu final de semana de estreia mundialmente. Com isso, o novo ‘A Bela e a Fera’ se tornou a 14ª melhor estreia de todos os tempos no mundo.

O conto original de Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve, de 1740

A história original baseia-se em um mercador falido com três filhas, que em busca de oportunidade de negócios, abriga-se em um castelo para livrar-se de uma terrível tempestade. Antes de sair, o pai prometeu que traria presente às filhas. Duas delas, pediram vestidos extravagantes, enquanto Bela, a mais jovem, apenas a mais linda rosa que ele encontrasse pelo caminho.

No castelo, o mercador descobriu que tudo era mágico, alimentando-se e descansando à vontade. Ao sair, acha um jardim de rosas e lembra-se de sua filha mais jovem. Quando ele colhe a flor, a terrível fera aparece e o prende. Para ter a libertação, ele precisaria trocar de lugar com uma de suas filhas.

Quando chegou em casa e contou a história para suas filhas, Bela logo se oferece para ser prisioneira da fera, imaginando que morreria. Porém, ao invés de devorá-la, a Fera a trata como uma princesa e faz todas vontades de Bela. O monstro a pedia constantemente em casamento, pedido que Bela gentilmente recusava.

Certo dia, Bela pede para ir visitar a família. A fera, mesmo não querendo, permite, com a condição de que ela retornaria em uma semana. Para voltar, bastaria por o anel sobre a mesa e num passe de mágica, estaria no castelo.

Ao ver que Bela volta como uma princesa, a inveja desponta no coração das irmãs, que a convencem há ficar mais tempo. Quando volta, Bela vê Fera muito doente e quase morrendo. A princesa então revela seu amor sobre a Fera, dizendo que ela não pode a abandonar. Ao beijar o seu rosto, a criatura transforma-se em um belo príncipe.

Villeneuve faz uma crítica às donzelas que eram obrigadas a se casarem com homens mais velhos, por quem não tinham nenhum sentimento.

Edição Zahar de “A Bela e a Fera”

Para quem curte e tem interesse na leitura, a Zahar lançou recentemente a edição bolso de luxo com as duas variantes da história.

A versão clássica, escrita por Madame de Beaumont em 1756, vem embalando gerações e inspirou quase todos os filmes, peças, composições e adaptações que hoje conhecemos. Já a versão original, que Madame de Villeneuve publicara em 1740, é de uma riqueza espantosa, que entre outras coisas traz as histórias pregressas da Fera e da Bela e dá voz ao monstro para que ele mesmo narre seu destino.

Toda em cores e com ilustrações de Walter Crane, essa edição conta com tradução do premiado André Telles, uma apresentação reveladora e instigante assinada por Rodrigo Lacerda e cronologia das autoras. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

JEANNE-MARIE LEPRINCE DE BEAUMONT (1711-1780), escritora francesa e ex-preceptora, publicou uma série de antologias de histórias, contos de fadas, ensaios e anedotas. Sua obra mais conhecida é a versão enxuta de A Bela e a Fera, que se tornaria um clássico mundial através dos séculos.

GABRIELLE-SUZANNE BARBOT DE VILLENEUVE (1685-1755), escritora francesa, é autora da versão original de A Bela e a Fera, publicada em 1740 em uma de suas coletâneas de contos de fadas. Publicou também novelas e romances.