Por Cris Marques
Fotos: arquivo pessoal e divulgação

Ler para uma criança dormir é uma prática bastante antiga, prazerosa, divertida e que parece ajudar na chegada do sono. Inclusive, já existem histórias específicas para isso, com técnicas linguísticas, que induzem o pequeno ao relaxamento e mostram ao seu subconsciente que a “hora de ninar” enfim chegou. O primeiro livro desse tipo a fazer sucesso aqui no Brasil foi “O Coelhinho que queria dormir”, escrito pelo terapeuta e neurolinguista sueco Carl-Johan Forssén Ehrlin e lançado pela editora Companhia das Letrinhas. No enredo, mesmo tentando muito, o coelho Roger é sempre o último dos irmãos a deitar e pede a ajuda de sua mãe para contornar esse problema. Enquanto o autor descreve a aventura dos bichinhos em busca de um mago que pode ajudar, ele introduz falas e ações que devem ser feitas pelo adulto, como bocejar ou ler algumas expressões com entonação diferente.

A outra publicação é “A Caminhada”, do norte-americano Grant Maxwell, PhD em língua inglesa com especialização em inteligência artificial e evolução da consciência e psicologia transpessoal, que usou todo seu conhecimento para criar uma trama que acalmasse seu filho. A obra narra a aventura de Mason, seus dois cachorrinhos, Rex e Totó, e quem escuta a história. Durante a narração, o escritor dá dicas aos pais de como fazer a leitura para embalar o sono das crianças e como pronunciar as palavras de maneira segura e suave.

Livros para dormir | Click Guarulhos

Funciona mesmo?

Livros para dormir | Click GuarulhosLoreta Berezutchi, publicitária, mãe do Pedro, 9, e da Catarina, 6, e blogueira do Bagagem de Mãe ficou curiosa com os tais livros de dormir que ganhou das editoras e fez o teste, relatando a experiência no blog. Segundo ela, o coelhinho não foi sucesso instantâneo, mas acalmou os rebentos. “O Pedro, na primeira noite, ria, fazia perguntas e pedia para ver as ilustrações, o que o autor desaconselha. Como ele já é mais velho, acredito que seu cérebro simplesmente negou o convite das ‘mensagens subliminares’. Saí do quarto com ele mais calminho do que havia entrado, mas ainda acordado. Cacá [apelido carinhoso da menina] também não havia dormido, mas já estava bocejando”.

Para ela, o exemplar de Grant agradou mais e fez as crianças adormecerem mais rápido. “Na minha análise, completamente amadora, baseada apenas na experiência de mãe leitora, na primeira estória, há muita repetição de frases e muitas ordens, como ‘durma já’, ‘adormeça já’, ‘feche os olhos’. Já na segunda, há maior uso de onomatopeias, o que deixa a história mais lúdica, fluída, envolvente. Claro que tudo é uma questão de gosto pessoal. ‘O coelhinho…’ deve funcionar melhor com os mais novinhos, entre 18 meses e 6 anos. Já ‘A Caminhada’, eu arrisco dizer que é mais indicado para os maiores: de 3 ou 4 a uns 8 ou 9 anos”.