Mais de 30 pinguins foram resgatados no Guarujá e Litoral no último feriado

Reprodução

Só no último fim de semana, 18 pinguins da espécie Spheniscus Magellanicus, conhecida popularmente como Pinguim de Magalhães, foram resgatados em todo o Litoral Sul de São Paulo e levados para o Centro de Recepção e Triagem de Animais Marinhos (Cetas Marinho), mantido pela Prefeitura de Guarujá em parceria com o Instituto Gremar – Pesquisa, Educação e Gestão de Fauna. Em apenas uma semana, mais de 30 pinguins vivos foram recolhidos, além de 10 carcaças (animais mortos).

“Eles têm em média de sete a oito meses, chegam famintos e desidratados porque não encontram alimentos no mar, devido ao aumento da pesca e às mudanças climáticas”, diz a médica veterinária do Centro, Andrea Maranho.  Segundo Andrea, esse número é recorde, pois no ano passado inteiro foram recolhidos 30 pinguins.

O tratamento dura em média um mês, porém os jovens pinguins devem ser devolvidos ao mar apenas em outubro, mês em que as correntes marítimas estarão favoráveis para que eles voltem para sua área reprodutiva, o seu habitat natural, na Argentina.

Causa apontada pela veterinária, a sobrepesca, que é a retirada de espécies do mar acima da cota permitida pelos órgãos ambientais, já atinge quase 80% das principais espécies exploradas pela atividade pesqueira na costa brasileira.

Para o biólogo João Alberto dos Santos, membro do CRBio-01 (Conselho Regional de Biologia) 1ª Região (São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), se não houver maior controle sobre a pesca predatória no país, muitas espécies correm o risco de extinção. “Com a sobrepesca, algumas espécies acabam não tendo tempo suficiente de reprodução. E, aos poucos, vão se tornando cada vez menos presentes em nossas águas. Daqui a algum tempo, podem sumir de vez”, alerta o biólogo.

Ele cita a sardinha-verdadeira como exemplo desse efeito. Sua produção no país era de 228 mil toneladas, em 1973. Em 2011, caiu para apenas 75 mil toneladas.