Medalhista em diversas competições, o judoca Luciano Corrêa sonha com a medalha olímpica

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

O brasiliense Luciano Ribeiro Corrêa tem 32 anos e é formado em Administração de Empresas. Mas o que administra melhor é a forma de vencer suas lutas dentro do tatame. Iniciou sua trajetória no judô com quatro anos de idade e aos 16 foi convidado para integrar a equipe do Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, onde mora. Com seus 1,90 m de altura e 100 kg, Luciano luta na categoria meio-pesado e coleciona títulos em diversas competições, como Copas do Mundo, Mundiais, Grand Slam, Mundial Militar, Aberto Pan-americano, Aberto Europeu e Grand Prix, além do bicampeonato nos jogos Pan-Americanos de Guadalajara (2011) e Toronto (2015). Curiosamente, o ouro em Toronto, na vitória sobre o canadense Marc Deschenes, chegou no mesmo dia da medalha de bronze de sua namorada, a nadadora Joanna Maranhão. “Ela me dá alguns conselhos, sabe das dificuldades que nós atletas enfrentamos. E além disso dividimos os mesmos sonhos, que é uma medalha olímpica no Rio”, explica Luciano.

Nas Olimpíadas, porém, Luciano nunca foi bem sucedido. Em Pequim-2008, foi eliminado na repescagem, enquanto em Londres-2012 saiu na segunda rodada. Sobre a pressão de conquistar a única medalha que lhe falta na carreira, Luciano prefere mudar de assunto. “Tento não pensar nisso no meu dia a dia, porque gera uma ansiedade e uma pressão a mais. Eu tento olhar apenas para a próxima competição”, avisa o judoca. Entre uma competição e outra, Luciano toca seu projeto social, a Associação Esportes Sem Fronteiras, que estimula as práticas esportivas nas escolas municipais e mantém uma unidade em Belo Horizonte e outra no interior de Alagoas. “Hoje temos apoio apenas da Prefeitura de Belo Horizonte e temos dificuldade de mantê-lo. Queria fazer um projeto para ajudar as crianças, mas elas é que me ajudam mais. Sempre que vou lá, volto mais motivado”, avalia Luciano, que costuma tocar violino para se acalmar e relaxar da pesada rotina de treinamentos.

Jogos Cariocas – Como se aproximou do judô?

Luciano Corrêa – Comecei no judô por acaso! Minha mãe me inscreveu na academia sem saber o que era judô! Eu pratico desde os 4 anos. Percebi que podia ser um atleta profissional aos 16, quando me mudei para Belo Horizonte pra viver exclusivamente do judô. Meu ponto forte sempre foi a parte física – e sempre preciso melhorar a parte técnica.

Jogos Cariocas – Como o judô influiu no seu jeito de ser?

Luciano Corrêa – O judô é uma filosofia de vida. Através do judô, aprendi vários valores, como disciplina, respeito, dedicação e perseverança. É uma atividade que oferece vários desafios no dia a dia.

Jogos Cariocas – Como é a sua rotina, num dia comum?

Luciano Corrêa – Eu treino duas vezes ao dia, pela manhã de 8 h às 10 h, e de tarde de 14 h às 16 h. O ritmo é bem intenso, pois temos que fazer várias lutas no mesmo dia.

Jogos Cariocas – Qual foram seus momentos mais emocionantes, dentro do esporte?

Luciano Corrêa – Meu momento mais emocionante foi quando fui campeão mundial no Rio, em 2007. Foi simplesmente sensacional! Também foram marcantes os títulos do Mundial Militar em 2011, e o bicampeonato nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, e Toronto, em 2015.

Jogos Cariocas – Como estão suas chances para as Olimpíadas de 2016?

Luciano Corrêa – Estou disputando a vaga. A disputa é bem acirrada e estou me esforçando bastante para conseguir representar o Brasil nesse grande evento. Tenho que pensar passo a passo, primeiro na classificação pra depois pensar nas Olimpíadas do Rio. Uma Olimpíada gera uma ansiedade maior e é o auge de qualquer atleta. O pessoal costuma falar que são quatro anos de preparação, mas na verdade é muito mais. Desde o início da carreira um atleta se prepara para chegar lá. Já participei de duas edições e é realmente diferente.

Jogos Cariocas – O fato de estar em casa pode representar uma vantagem para os atletas brasileiros? Ou será que pode atrapalhar?

Luciano Corrêa – Acho que varia de atleta para atleta. Para mim é sensacional ter a oportunidade de disputar uma Olimpíada em casa, com o apoio da torcida. Não somos nós que vamos enfrentar a pressão da torcida, são os adversários. Podemos pressionar o adversário com o apoio da torcida. Eu acredito que tudo dará certo e o Brasil vai sediar um belíssimo evento em 2016.

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