Meditar no trabalho aumenta concentração e produtividade

A meditação tem sido cada vez mais difundida na cultura ocidental, mas tem muita gente que ainda sente dificuldade em encontrar um tempinho para praticá-la no dia a dia. A solução pode ser meditar no trabalho. É isso mesmo! Tirar alguns minutinhos no meio do expediente pode ajudar o funcionário a ser mais produtivo. Os benefícios de incorporar a prática à rotina vão desde maior poder de concentração até aumento da criatividade.

De acordo com Beatriz Azevedo, neuropsicóloga, especialista em psicossomática e técnicas de relaxamento do Espaço Ki, meditar desenvolve a atenção e o foco; além disso, proporciona mais uma série de benefícios, como a diminuição da ansiedade, estresse, depressão e transtornos de pânico. Promove o equilíbrio emocional por meio de maior consciência e equilíbrio das próprias emoções e sentimentos. Traz mudanças estruturais no cérebro, responsáveis pela maior percepção das sensações físicas internas e externas; e pela tomada de decisões, processamento cognitivo, memória e aprendizagem. Causa efeito relaxante proveniente do fato de que, ao vivenciar cada momento, conseguimos diminuir o ritmo acelerado em que vivemos na atualidade. Desenvolve empatia, autocompaixão e compaixão. Aumenta o autoconhecimento e a autopercepção. E melhora o funcionamento do sistema imunológico.

Para começar a prática, Beatriz dá algumas dicas: “Sente ou deite em um lugar calmo e preste atenção na sua respiração. Não exija muito de si mesmo: muitas pessoas não meditam porque acham que está ligado a ficar muito tempo parado em posição de lótus e isso não é verdadeiro. Outro ponto é que as pessoas imaginam que na meditação a mente precisa entrar num estado de quietude absoluta, mas isso também não é verdade. Aprendemos a lidar com a mente inquieta, porque é natural e humano pensarmos muito. E, com a prática, aprendemos a nos relacionar melhor com esses pensamentos e a mente fica como o mar: muitos pensamentos formam ondas grandes e à medida que meditamos, o mar se acalma naturalmente”, explica.

4 motivos para meditar no trabalho

Aumenta o grau de concentração
Relatório para terminar, reunião para acompanhar, projeto para desenvolver e concentração nula. A prática da meditação ajuda a se concentrar em um objetivo específico, criando um fluxo de atenção e aqueles que meditam podem manter a sua atenção durante períodos relativamente longos.

Melhor o relacionamento interpessoal

Sabe aquela pessoa estourada, o famoso pavio curto? Os adeptos da prática budista desconhecem essas atitudes; isso porque eles desenvolvem o autoconhecimento e a meditação aumenta a sensibilidade em relação ao outro. Ainda de acordo com o estudo feito pelo Instituto Max-Planck (Alemanha), dirigido por Wolf Singer, os “burn-outs” são um resultado do desgaste emocional causado pela “fadiga da empatia”.

Aumenta a criatividade e produtividade

Checar o e-mail e WhatsApp a cada cinco minutos consome seu tempo, não?! A concentração ganha durante a meditação vai aumentar não apenas a sua produtividade no escritório como também a criatividade, já que você não interromperá o processo criativo com facilidade. Ou seja, tudo terá sua hora certa para fazer.
 
Reduz a ansiedade

A preocupação com o futuro e o próximo passo pode tornar a rotina no mínimo estressante. Por isso, a prática ajuda o indivíduo a se concentrar no hoje. Para Mathieu Ricard, monge budista, “passamos um tempo considerável sendo vítimas de pensamentos insuportáveis, da ansiedade e da raiva (…); achamos mais fácil considerar que esse caos é “normal”, que a “natureza humana é assim”.

#FICADICA

Para quem deseja entender os efeitos da meditação para o cérebro, uma sugestão é o livro “Cérebro e meditação”, obra que retrata os diálogos entre o monge francês Matthieu Ricard – considerado o homem mais feliz do mundo, segundo pesquisadores da Universidade de Wisconsin – e o neurocientista Wolf Singer, diretor do Instituto Max Planck de Pesquisa do Cérebro (Alemanha). Singer é considerado um dos maiores especialistas mundiais em cérebro e autor de mais de 400 artigos científicos sobre neurociência.