Mercado imobiliário teve o melhor janeiro dos últimos 8 anos

Mercado imobiliário
Mercado imobiliário

De acordo com a Pesquisa Creci.SP na análise da movimentação de vendas de imóveis residenciais usados no Estado de São Paulo, o início de 2018 parece marcar um novo ciclo virtuoso para o mercado imobiliário.

Na comparação com dezembro de 2017, as vendas de imóveis no Estado tiveram alta de 17,04%. Esse percentual só é maior do que o registrado em 2010, quando o mercado apresentou um aumento no volume de negócios que atingiu 36,01% em janeiro ante dezembro de 2009.

Ao longo desse período os resultados não foram animadores, com cinco anos começando em queda no total de imóveis vendidos. Analisando o mercado imobiliário de forma mais ampla, efetivamente identifica-se que já há sinais de reação. Entidades que apuram dados relativos a lançamentos também confirmam um aumento ao longo de 2017 em relação aos novos empreendimentos de 2016.

Sabe-se que, certamente, esse reaquecimento no mercado não virá com a mesma velocidade de anos anteriores e terá influência de diversos fatores, como o cenário político, a estabilização econômica e a diminuição na taxa de desemprego, que pode levar consumidores a voltar a pensar na aquisição da casa própria. Mas já é um alívio saber que é possível ver luz no final do túnel.

Preços

A pesquisa Creci.SP também apurou o comportamento dos preços dos imóveis, registrando um aumento de 1,23% ao longo de 2017, índice abaixo da inflação oficial (IPCA), que fechou o ano em 2,95%. Com isso, surgem boas oportunidades para compradores e vendedores, que já sentem, também, uma reativação do financiamento imobiliário, especialmente em bancos que estavam com carteiras praticamente fechadas para esse tipo de crédito no ano passado.

A Caixa, por exemplo, apresentou, na última semana, o balanço de seus negócios em 2017 e deu um novo alento ao segmento. Os números indicam que houve a contratação de R$ 86 bilhões para o financiamento de imóveis, somando as linhas do SBPE e FGTS. Isso representa 5,1% a mais do que o valor contratado em 2016, de R$ 82 bilhões.

O presidente do banco, Gilberto Occhi, falou à TV Creci e reafirmou o compromisso da instituição em voltar a ser o banco da habitação do País: “A retomada do crescimento é muito importante nesse segmento da construção civil e as oportunidades para os corretores e para as imobiliárias significam muito para a Caixa. Espero que, em breve, a Caixa possa anunciar uma redução na taxa de juros nas operações com recursos da poupança, porque as operações com funding do FGTS já têm as menores taxas, definidas pelo conselho curador do Fundo.”

Com a queda na taxa Selic e a inflação sob controle, o cenário para aqueles que desejam adquirir um imóvel financiado se abre, também, para outras possibilidades. Diversas instituições financeiras têm dado uma atenção especial a esses possíveis novos clientes e liberado crédito a juros mais favoráveis. Com isso, o banco estatal passou a ocupar a quarta posição na concessão de empréstimos para o financiamento imobiliário em 2017.

Porém, mesmo com condições melhores, segundo a pesquisa Creci.SP, o crédito imobiliário ainda não foi o principal fator decisivo para a aquisição da casa própria no mês de janeiro. Em todo o Estado de São Paulo, ele respondeu somente por 38,89% dos negócios realizados pelas imobiliárias consultadas. Em contrapartida, 48,69% dos clientes optaram pela compra à vista.