Por Val Oliveira
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Período menstrual com cólicas, dores abdominais e lombares anormais ou sangramento uterino intenso? Cuidado! Você pode ser portadora de mioma, um tumor (nódulo) benigno da região uterina. Apesar de não ser considerado de caráter grave, pode causar muitos incômodos e atrapalhar a qualidade de vida da mulher.

De acordo com a ginecologista e obstetra Rita de Cássia Borges, os miomas acometem 30% das mulheres em idade fértil e costumam regredir após a menopausa. Incide mais na raça negra, em mulheres que nunca tiveram filhos e naquelas que têm antecedentes familiares para esta patologia.

Outra informação importante é que praticamente metade das pacientes portadoras de mioma são assintomáticas e o diagnóstico é feito casualmente em exame de rotina. Daí a importância da visita anual ao ginecologista. Já nas pacientes sintomáticas, as queixas mais frequentes são: “distúrbios menstruais (o aumento do fluxo é o mais incidente), cólicas menstruais, dores pélvicas com irradiação para a região lombar e membros inferiores, sensação de pressão na região vaginal, dores e dificuldades na relação sexual, aumento do volume abdominal, infertilidade e sintomas relacionados a compressão de órgãos vizinhos, como o aumento da frequência urinária, urgência para urinar, desconforto intestinal na região do reto e doença hemorroidária. Outros sintomas também podem aparecer decorrentes da anemia causada por alguns miomas, como tontura, fadiga e fraqueza”, explica a médica.

Frequentemente, o mioma surge entre os 20 e 35 anos de idade e uma mulher pode ser acometida por vários miomas ao mesmo tempo. Eles podem crescer e provocar aumento do volume abdominal.

 

Mioma um inimigo silencioso das mulheres | Click GuarulhosDiagnóstico

O diagnóstico do mioma é feito através de uma história clínica detalhada, exame físico e exames complementares. “Entre os exames complementares, destaca-se a ultrassonografia pélvica. O médico poderá também solicitar outros exames, como a ressonância magnética, a histeroscopia e biópsias, para um diagnóstico mais preciso desses nódulos e realizar um diagnóstico diferencial com outras patologias que apresentam sintomas semelhantes”, informa Rita.

 

Evolução

A boa notícia é que o mioma não pode “evoluir de categoria” e transformar-se em um nódulo maligno, por exemplo. Contudo, é preciso estar atenta a outras patologias que podem ser confundidas com mioma. “Pela semelhança de sintomatologia (sangramento uterino anormal), outras doenças podem passar despercebidas, como câncer de endométrio (camada mais interna do útero). Existem também tumores malignos do útero (sarcomas), que em fase inicial podem ser confundidos com miomas, mas, posteriormente, apresentam uma evolução anormal, com crescimento excessivo e não responsivo a tratamentos convencionais aos miomas. É importante ficar atenta a “miomas” que crescem muito, principalmente em fase peri e pós-menopausal”, detalha.

 

Tratamentos

A ginecologista enfatiza que existem vários tratamentos disponíveis para o mioma; entretanto, deve-se levar em conta os sintomas clínicos, a idade da paciente, o número de filhos, a localização dos nódulos, o desejo de menstruar ou de gravidez. Pacientes assintomáticas não necessitam de tratamento, mas apenas de um acompanhamento, exceto se tiverem nódulos volumosos.

“O tratamento clínico consiste em apenas aliviar os sintomas e ou preparar para cirurgias conservadoras. Entre eles, o uso de anti-inflamatórios, anticoncepcionais, hormônios e medicações que reduzam o volume dos nódulos ou os estabilizem (análogos de GnRH).
O tratamento cirúrgico pode ser conservador, no qual se retiram apenas os miomas (miomectomia), ou cirurgias radicais com retirada do útero (histerectomia). As cirurgias podem ser por laparotomia, laparoscopia ou por histeroscopia. Existe também a técnica de embolização das artérias uterinas, em que se tratam vários miomas simultaneamente de forma minimamente invasiva, em casos clínicos específicos a serem avaliados”, pontua.

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Prevenção

Não existem maneiras de prevenir o surgimento do mioma. A saída é somente fazer acompanhamento ginecológico constante. “O que pode ser feito são exames periódicos para diagnóstico precoce e acompanhamento, a fim de evitar que esses nódulos, em alguns casos, atinjam proporções que causem problemas de diversas ordens a paciente”, finaliza a ginecologista.