Mulher de Sucesso

Por Beatriz Martins, do Olhar de Bia*

Um dos meus desenhos preferidos era “Meninas Superpoderosas”. Sempre quis ser uma delas, que, além de terem poderes e enfrentarem o mal, brincavam e aproveitavam muito como qualquer outra criança. Não só elas, mas a mídia sempre me proporciona referências de mulheres fortes, através de filmes, comerciais, mulheres que se destacam e são consideradas bem-sucedidas.

É ela, bem-sucedida, a mulher que não é uma professora ou uma comerciante. É uma executiva. Possui ou está a caminho de possuir uma grande formação acadêmica, digna de MBA. É casada e, por sinal, é uma excelente mãe. Está sempre se adaptando aos padrões de beleza da atualidade. Ah, além disso, separa semanalmente um momento para ir ao happy hours, para não perder sua sociabilidade. Se destaca em todas as áreas e por isso é considerada com uma autoestima alta, estando à frente na nomeada “guerra dos sexos”, por ser melhor que o homem em tudo.

Mas será esse o real significado de uma mulher de sucesso?

Mulher de sucesso pra mim é a minha vó. Com pouco estudo, criou dois filhos e construiu sua família ao lado do seu marido. Mesmo durante o processo do tratamento de um câncer que apareceu para visitá-la nesse último ano, continua com seu carisma e seu jeito leve de levar a vida.

É a Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança. À frente desse trabalho por 25 anos, foi indicada ao prêmio Nobel da Paz. Veio a falecer durante o terremoto no Haiti, no momento em que realizava ações no país. Mas marcou para sempre nossa sociedade.

É a Samira. Mãe do Bruno, um menino de 15 anos com deficiência intelectual, enfrenta diariamente todos os preconceitos que ela e seu filho sofrem.

É a Oprah Winfrey, apresentadora na televisão norte-americana e referência no mundo inteiro por sua trajetória de garota pobre à mulher bilionária.

A semelhança que consigo ver entre elas é que todas alcançaram seu sucesso pessoal. Algumas mulheres se sentem realizadas ao serem mães. Outras ao presidirem uma grande empresa. Outras por formar jovens através da docência. A escolha de felicidade de cada mulher não a faz menos ou mais que outra, mas sim, mostra a relevância delas na sociedade.

Nesse 8 de março, o movimento “A day without a woman”, que tem como principal objetivo mostrar que o mundo não anda sem as mulheres, se espalhará por mais de 30 países. A causa pode ser aderida de diversas formas, como usando algo um acessório lilás, deixar de fazer tarefas domésticas durante esse dia ou até parando durante um tempo no trabalho para refletir sobre a causa.

Indo um pouco além das opções de adesão do movimento, minha melhor contribuição nesse dia é empoderar outra mulher. Com um sorriso, um olhar, um texto. Dando uma oportunidade pra ela ver que é capaz de ser o que quiser. Quero frizar cada vez mais a sororidade e deixar de lado essa ideia de que as mulheres têm de serem inimigas ou sempre melhores umas que as outras. Vamos fazer juz a esse dia e mostrar que a mulherada unida têm muito mais força do que separadas em suas devidas “panelas”!

Feliz dia das mulheres!

*Beatriz Martins, ativista do bem, jornalista, palestrante e fundadora da ONG Olhar de Bia, que desde 2006, já impactou mais de 100 mil pessoas em todo o Brasil. Atualmente, apresenta o programa “Olhar de Bia” na rádio web do Grupo FJR e é youtuber á frente do canal “Olhar da Bia”.