Por Cris Marques

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Hoje em dia, já é comum vermos mulheres com seus próprios negócios e que fazem suas próprias regras, cavam suas oportunidades e conduzem suas vidas. Tudo isso, contrariando um mercado de trabalho que ainda toma partido e as trata como inferiores. São vários os fatores que levam uma mulher a empreender, entre eles necessidade financeira, a percepção de uma oportunidade de mercado, o desejo de colocar o talento em prática e a possibilidade de conciliar o trabalho e a família. Mas, os maiores são a busca por realização profissional e a dificuldade de ascensão em uma carreira.
Segundo Regina Yabu Pavanello, proprietária da Vital Odontologia, primeira mulher vice-presidente de serviços da ACE-Guarulhos (Associação Comercial e Empresarial), em 50 anos, e diretora financeira do CME (Conselho da Mulher Empreendedora), o perfil mais humanista e multitarefa do sexo feminino se tornou um diferencial importante. “Algumas pesquisas já mostram que 51% das empresas brasileiras são geridas por mulheres. E isso tende a crescer. A mulher tem mais jogo de cintura, é mais sensível e também usa mais a inteligência emocional”.

CHARGES MAY APPLY  Re: li-parent-returntowork On 2012-05-11, at 2:54 PM, Weikle, Brandie wrote: Photo of mom and daughter for story on returning to work after maternity or parental leave.

Apesar dessa estatística crescente, ela ainda acredita que tem muita mulher com vontade de empreender, mas sem saber a quem recorrer. “O associativismo hoje é uma ferramenta que deve ser usada a nosso favor. Porque sozinhas, não conseguimos ir muito longe. Então, um dos principais objetivos do nosso conselho é unir empresárias e empreendedoras para promover ações que incentivem e ampliem os negócios na cidade, que possibilitem networking entre essas mulheres”, afirma a integrante do CME.

A tal jornada dupla
Josy Medeiros, empresária e sócia-proprietária da Josy Medeiros Calçados, em Guarulhos, começou a empreender para ter renda extra, abrindo, em 2011, uma loja de 20m² em um minishopping da cidade. Hoje, a marca já cresceu o suficiente para trabalhar até mesmo com franquias, contando com 11 endereços. Para o sucesso, além de muito esforço e a ajuda da família, Josy conta que foi preciso equilíbrio para desenvolver o ambiente profissional e pessoal. “É de extrema importância saber diferenciar e lidar com o local de trabalho e o de casa. Sempre busco ser realista, tanto em minhas lojas quanto em meu lar. Deve-se ter muita dedicação para manter ambos os ambientes”.o-BUSINESS-WOMEN-facebook

Busca por um lugar ao Sol
Sobre os obstáculos que ainda precisam ser vencidos pelas mulheres empreendedoras, Regina Yabu (foto) acredita que o desafio é vencer a dominação masculina. “Nós estamos em um país latino-americano, em que o machismo predomina. Então essas barreiras culturais impedem as mulheres de ocupar cargos mais altos nas organizações”. Já Josy vai além. “As mulheres precisam acreditar mais em sua capacidade profissional. Se elas têm preconceito com o próprio sexo, por que o mundo as aceitaria com tanta igualdade?”.

Perfil empreendedor
Heloisa Motoki, diretora administrativa financeira na Rede Mulher Empreendedora e sócia-fundadora da Quali Contábil, explica que não existe uma fórmula mágica ou um teste formal para saber se a pessoa tem espírito empreendedor. “Qualquer mulher pode empreender e hoje estamos buscando mais conhecimento para isso. Antigamente os empreendimentos eram mais pela necessidade do que pela oportunidade, isso vem mudando e destacamos sempre que não há problemas em empreender na área que já tem conhecimento, mas é preciso sair da zona de conforto e buscar um diferencial, não adiantar ser só mais uma no segmento”.

Aprendendo e empreendendo
Para a mulher que busca empreender, o ideal é procurar um negócio que seja a combinação entre fazer o que gosta, encontrar uma oportunidade e ter chance de crescimento. É preciso definir qual será o diferencial e começar aos poucos. “Tente vender seu produto/serviço de uma forma bem simples, sem grandes investimentos, para avaliar se ele tem aceitação com os clientes. Alguns negócios são destruídos nesta fase, o que é bom porque é possível repensar o modelo”, acrescenta a profissional da Rede Mulher Empreendedora. Além disso, é preciso lidar com os desafios financeiros, já que um negócio leva em média de três a cinco anos para se estabelecer. Outra dica importante é investir em uma boa equipe, selecionando e engajando cada um dos colaboradores, e descentralizar, delegar funções.