Mutirão constrói casa com garrafas pet no bairro Morros

Um grupo de voluntários, por intermédio da técnica de Bioconstrução Eco, fará um mutirão para a erguer uma Eco Casa, na rua Roberto Correia Viana, 57, no bairro dos Morros, em Guarulhos, neste feriado de 1º de Maio. Adesão de novos participantes e demais informações pelo telefone (11) 97301-6525, com Adriana.

Por meio de uma ideia criativa para sair do aluguel e poder realizar o sonho da casa própria, a professora de ciências (físicas e biológicas) Adriana Meireles Beani e o seu marido, o chef de cozinha Daniel Beani, se uniram à bióloga Ruth Carmona para implementar um projeto moderno e inovador de construção de moradia popular.

O casal, que comprou um terreno numa área de invasão, estava encontrando muita dificuldade para erguer o imóvel a partir das técnicas de construção civil convencionais (de alvenaria), devido ao alto custo de materiais e mão de obra.

Segundo Adriana eles estão inscritos há 12 anos no programa Minha Casa, Minha Vida e faz cinco anos que tentam atualizar seus dados para incluir a filha caçula no cadastro do programa. “Toda vez que entro em contato com a secretaria de Habitação só recebo a informação de que não podem atualizar meus dados”, reclama. Pelo fato de serem assalariados e pagarem aluguel, eles não estavam conseguindo arcar com todas as despesas, fato agravado pelo desemprego do marido Daniel.

Após fazerem cursos, workshop, pesquisas na internet e leitura de vários livros digitais da área, eles participaram de videoconferências com grupos de pessoas adeptas dessa técnica em várias regiões do país. Daí aderiram à construção de ecovilas, em chácaras e sítios.

O desafio do projeto é colocar em prática todas as técnicas apreendidas, num terreno de meio lote, em uma área urbana. Seguindo a legislação, a estrutura da casa segue o padrão convencional de uma construção de alvenaria, porém no local dos blocos serão usadas garrafas pet de dois litros, de mesmo tamanho. As garrafas serão preenchidas com terra extraída do próprio terreno e colocadas na posição vertical.

Também serão usadas placas de madeira de pallet, manta térmica, confeccionada com caixinhas de leite e embalagens tetra pack. Os materiais usados na Bioconstrução são sobras de obras que o casal, ajudado por amigos e voluntários, recolheu pelo bairro, inclusive em caçambas de entulhos.

O casal já tem disponível para reaproveitar nessa obra portas e janelas usadas, sobras de pisos diversos, variados e coloridos, que serão utilizados como mosaico; telhas de fibrocimento usadas, que seriam jogadas no lixo, e dezenas de garrafas pet e embalagens tetra pack arrecadados por meio de campanha entre os voluntários, amigos, familiares, colegas de trabalho e alunos da professora.

A intenção do casal, além de conseguir baratear o custo da obra em até 70% (comparado ao valor convencional), é receber os benefícios oferecidos pela Prefeitura por meio do IPTU Verde.

“Queremos obter o reconhecimento de cálculos de bioestatísticas, que serão feitos posteriormente, em que serão calculadas as quantidades de materiais recicláveis utilizados na obra, além de mensurar o impacto positivo no meio ambiente”, disse Adriana.

Diversas ações na Justiça buscam obter a regularização da área para que o casal e seus vizinhos possam efetuada a compra oficial do terreno por meio do Minha Casa, Minha Vida. O casal pede à Prefeitura e Câmera Municipal que apoiem esse projeto, para que outros municípios possam conhecer, aplicar e aprimorar as técnicas de construção utilizando materiais recicláveis.

“Diversos estudantes de engenharia e arquitetura, de várias universidades do país, já comprovaram que essas construções são mais resistentes do que as feitas com materiais convencionais”, disse Adriana. O casal, apesar das dificuldades, espera que a eco casa, construída com as técnicas de Bioconstrução, seja a primeira de muitas na cidade de Guarulhos.

Alunos graduados de ciências físicas e biológicas, engenharia e arquitetura que queiram participar do mutirão, inclusive utilizando as horas como atividade extracurricular, ou para elaborarem trabalho de conclusão de curso sobre o projeto, podem entrar em contato com a professora Adriana, pelo telefone (11) 97301-6525.