Não queira estar na nossa pele

Quero passar aos caros internautas que nos dão o prazer de acompanhar nosso trabalho no Click Guarulhos um pouco do que é nosso cotidiano, no que diz respeito às publicações que fazemos, principalmente as que envolvem temas polêmicos.

A Imprensa é a tábua de salvação para a manifestação do povo, em boa parte das vezes a única forma de fazer chegar às autoridades as queixas e reivindicações. Ainda assim, não raro é a primeira a ser atacada, como se fosse responsável pelas mazelas que afligem o Brasil. Mesmo que haja setores da mídia que não exercem seu poder de comunicação em favor da maioria da população, é exagero atribuir a ela, generalizadamente, essa culpa. Se não fosse a vigilância da Imprensa, fatalmente a corrupção seria ainda maior.

Mas, vamos ao relato que me motivou a escrever isto hoje, 7 de abril, Dia do Jornalista.

1 – governo municipal

Se publicamos seguidas matérias apontando falhas do governo municipal, os gutistas, assim como faziam os apoiadores dos governos anteriores, entendem que estamos procurando pelo em ovo, que não entendemos que a gestão está fazendo tudo que pode para melhorar a cidade; que não levamos em conta que os atuais governantes assumiram uma administração falida, etc.

Por outro lado, há setores que nos cobram uma postura mais agressiva, acham que batemos pouco na administração e que não deveríamos publicar a respeito do que é feito, pois isso não seria mais do que obrigação dos governantes.

Entendemos que, ao apontar onde estão os problemas, estamos contribuindo para que o governo agilize as providências e, assim, também colaboramos com a população. Somos a ponte entre quem tem o problema e quem pode resolvê-lo.

2- governo federal

Quanto ao governo federal, mais ou menos a mesma coisa: os que o combatem gostariam que o criticássemos ferozmente dia e noite. Quando publicamos algo de negativo do novo governo, há os que nos criticam, afirmando que não estamos dando tempo ao tempo, que Bolsonaro está sendo vítima dos que querem manter privilégios. E assim por diante.

3 – eventos no piscinão

Em casos polêmicos, como o de eventos no piscinão da Vila Galvão, os organizadores entenderam que o portal serviu de arma para meia dúzia de moradores que estariam mais a fim de impedir que haja povo reunido perto de suas residências do que efetivamente preocupados com a segurança da laje, pois seria impossível reunir mais de 500 kg por metro quadrado. E que, devido à postagem que fizemos, o evento foi impedido pela Prefeitura, prejudicando indiretamente mais de 100 pessoas que dependem desse tipo de trabalho para sobreviver.

Por outro lado, entre os opositores, há quem entenda que, ao publicar os argumentos dos promotores do evento, estaríamos atuando em benefício de interesses particulares de quem não estaria preocupado com a segurança dos frequentadores. Houve quem criticasse também por termos divulgado o novo local, na praça IV Centenário (a rigor, é na praça Prefeito Paschoal Thomeu, novo nome de trecho da praça), pois os requisitos teriam de ser cumpridos com antecedência para determinado local, o que não teria ocorrido com a mudança definida na última hora.

4 – Caso do PM no Brotero

No caso do PM que empurrou uma estudante com o cano da espingarda que dispara balas de borracha, quando publicamos o fato, houve internautas que entenderam que estávamos defendendo os alunos e crucificando o policial. Na opinião dessas pessoas, ao divulgar o episódio, sem analisar as circunstâncias em que se deu, estávamos tomando partido em favor do desrespeito às autoridades.

Por outro lado, após publicarmos o posicionamento de mães e pais que manifestaram apoio à atitude do diretor de chamar a Polícia para preservar a própria integridade física, houve quem entendesse que estávamos defendendo a atitude do policial. A postagem do vídeo que mostra cenas anteriores ao ato em si, com a aluna dirigindo-se rispidamente ao diretor, foi interpretada como se, ao incluí-lo na matéria, estaríamos dando a entender que o PM agiu corretamente.

Na verdade, como escrevi em minha coluna, publicada no início da noite de sexta-feira, minha opinião é de que para que policiais entrem em escolas em situações de tumulto, seria preciso que houvesse equipes preparadas psicologicamente para agir sem recorrer a atitudes por impulso. Ao mostrar os dois lados da questão, buscamos dar ao leitor um panorama abrangente, deixando a cada um a avaliação. Entendo pessoalmente que a aluna agiu de forma desrespeitosa, tanto com o diretor quanto perante o policial, o que explica – mas não justifica – que ele a empurrasse com a arma.

5 – conclusão sobre o piscinão

Quanto à área do piscinão, defendo que seja feita uma nova avaliação sobre os efetivos riscos apresentados pelas rachaduras. Teriam sido decorrentes dos eventos que já foram feitos lá? É preciso reforçar a estrutura? Há meios de fazer isso? O último parágrafo do ofício da construtora é ambíguo, pois ao mesmo tempo que diz que a laje suporta 500 kg por m2, afirma que o local não está preparado para eventos. Nenhum tipo de evento? Se a laje não é possível controlar o peso que a laje possa suportar, então o caminhão-pipa que lava o local diariamente (ou quase) também não poderia trafegar ali. E o projeto da Sdceti de implantar um boulevard no local também fica impraticável. Portanto, nada melhor do que esclarecer o que pode ou não ser feito sobre o piscinão, de uma vez por todas.

6 – nossa missão

Desde a adolescência, estou envolvido com a comunicação, sempre com o mesmo propósito: utilidade pública. Mostrar dois ou mais lados da mesma questão é dever de todo veículo de comunicação, ainda que se corra o risco de desagradar parte do público. Não temos a pretensão de sermos isentos. Temos, sim, o compromisso de agir com o máximo possível de justiça, dando espaço aos diversos posicionamentos, ainda que contrariem frontalmente o que entendemos correto.

Não é fácil exercer nosso ofício. Acolhemos com todo respeito as críticas ao nosso trabalho, que evidentemente não é perfeito, por mais que procuremos exercê-lo com dignidade e independência. A você, que fica desconfortável diante de uma ou outra notícia, de um ou outro posicionamento: não queira estar na nossa pele.

Valdir Carleto