Nenhum deles merece que amigos se ofendam

O ano eleitoral tem feito com que as opiniões divergentes manifestadas nas redes sociais gerem comentários ácidos, muitas vezes entre pessoas que mantêm (ou mantinham) relações de amizade. Ainda que fosse apenas amizade virtual, esse comportamento já seria condenável. Mais ainda se fosse algo efetivamente pessoal.

O atentado contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), ao invés de chamar as pessoas à reflexão e estimular o entendimento, o diálogo, está servindo para ainda maior acirramento de ânimos.

A exemplo do que acontece nos campos de futebol, nos quais depois do jogo muitas vezes os participantes de ambos os times se reúnem no boteco para tomar cerveja, praticamente tudo que se vê nas campanhas eleitorais é jogo de cena, é teatro. Nos bastidores, eles se entendem, fazem acordos entre si; partidos que competem em nível federal fazem coligações e dobradinhas nos estados e municípios. Na mesma cidade, um pai faz campanha para um candidato a deputado, enquanto o filho aparece nas redes sociais apoiando outro.

Então, em vez de um internauta chamar o outro de idiota, burro ou imbecil porque o oponente defende candidatos ou teorias políticas diferentes das suas, é melhor fazer uma análise fria, desapaixonada e irá concluir que nenhum candidato ou partido merece que amizades sejam desfeitas ou mesmo estremecidas por esse tipo de divergência.

Vamos, cada um de nós, fazer o que entendemos ser melhor para nosso País, sem atacar os que pensam de outro jeito. Aposto que haverá até irmãos que se distanciarão por causa da política, enquanto os candidatos que motivaram a briga estarão juntos, tomando uísque caro, pago por todos nós, contribuintes compulsórios desse teatro horrendo em que se transformou o panorama eleitoral no Brasil.

Não quero com isto pregar o voto nulo, muito pelo contrário. Mas que cada vote de acordo com suas convicções, analisando com cuidado em quem depositará sua confiança, sem, no entanto, criar inimizades por causa das divergências. Reafirmo que o voto nulo, em branco ou abstenção contribui apenas para ajudar a manter os mesmos no poder, pois eles reúnem mais condições de fazer campanha e se reeleger: quanto mais eleitores se omitirem, melhor para eles.

Valdir Carleto