Ninguém assume edital absurdo sobre livros didáticos

Depois da repercussão negativa das reportagens publicadas pelos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, anunciou na tarde desta quarta-feira (9) que irá “tornar sem efeito” as mudanças realizadas no edital do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) 2020, que orienta a produção de livros didáticos.

Entre as mudanças, criticadas de forma unânime por pedagogos e estudiosos, estava a não-obrigatoriedade de constar nos livros as referências bibliográficas e a retirada do limite de 10% de erros no conteúdo, além de suprimir a recomendação de defesa da não-violência contra a mulher, bem como a proibição de publicidade ou uso de marcas e símbolos comerciais nas obras didáticas. Ou seja, os governos poderiam adotar livros cujo conteúdo estivesse amparado em meras suposições, que contivessem uma infinidade de erros e se parecessem com um catálogo comercial.

O novo ministro apressou-se em culpar a gestão de Michel Temer, alegando que o edital estava pronto quando o governo Bolsonaro tomou posse. No entanto, em entrevista à Folha, o ex-ministro da Educação Rossieli Soares, que exerceu o cargo de abril a dezembro de 2018, negou que sua gestão tenha produzido as polêmicas alterações no edital. Garantiu que sua equipe nunca discutiu essas questões.

Enquanto antecessor e sucessor jogam a batata quente um para o outro, é inegável que a equipe de transição acompanhou par e passo o último período do governo Temer. Além do mais, como bem frisou Rossieli Soares, “todos os atos a partir do dia 1º de janeiro são de responsabilidade do novo governo”.

Menos mal que Vélez Rodríguez tenha decidido tornar sem efeito a papagaiada que sua pasta fez. Qual nota você daria ao novo ministro da Educação?

Valdir Carleto