Ninguém tem direito de apreender jornais, a não ser a Justiça

Cobram-me posicionar-me sobre dois fatos que bombaram nestes dias.
1) Ontem, o áudio vazado de uma conversa na qual a esposa do deputado Eli Corrêa Filho pedia ajuda a um Marcelo para a campanha do marido. Cogitou-se que o interlocutor pudesse ser o vereador reeleito Marcelo Seminaldo (PT) e que ela estaria oferecendo a ele a Secretaria da Educação em troca do apoio.
Mera elucubração. O ex-candidato a vereador Marcelo Colonato (PRTB) veio a público afirmar que era com ele a conversa e que foi difundida entre seus apoiadores, porque desde o primeiro turno ele esteve com Eli. De tanto comentarem, procurei ouvir o áudio e concluí que era algo absolutamente normal. Qualquer pessoa, na condição de Francislene, faria tal pedido. Detalhe não ofereceu nada em troca, diferentemente do que se buscou difundir inicialmente.
 
2) Hoje, o ex-candidato Mikis Cabeleireiro postou vídeo no qual aparece recolhendo exemplares do jornal GuarulhosWeb, atribuindo que a pesquisa publicada seria mentirosa.
Parece-me atitude isolada e absurda do ex-candidato a vereador. Como pretenso legislador, ele deveria saber que nenhum cidadão tem o direito de apreender jornais ou revistas, ainda que o conteúdo fosse absolutamente mentiroso, o que não parece ser o caso, pois a pesquisa do Instituto Paraná, contratado pela rádio Jovem Pan, deu resultado parecido. Observe-se que quem contratou a pesquisa foi o portal de notícias nosso concorrente direto, mas temos pelos concorrentes o maior respeito.
Quem se considera prejudicado pode recorrer à Justiça, com pedido de liminar, pleiteando o recolhimento, como aconteceu no dia 2, quando o então candidato Martello conseguiu que fosse determinado cessar a distribuição de jornal com resultado de pesquisa nas proximidades dos locais de votação. Ninguém tem o direito de, por si só, exercer poder de polícia.
Valdir Carleto