No Coração do Mar (In The Heart Of The Sea – Warner Bros) / Crítica

Conhecido por seus excelentes trabalhos como Apollo 13 e Uma Mente Brilhante, Ron Howard sabe como impor um ritmo frenético em seus filmes. Em Anjos e Demônios, por exemplo, o diretor abusa do fator “tempo” para dar à trama um andamento bastante acelerado e cheio de adrenalina. Em seu novo trabalho para as telonas, No Coração do Mar, Howard não abandona a fórmula, só que desta vez, o catalizador de todo o frenesi é nada menos do que um dos mitos mais famosos da história da humanidade, a gigantesca baleia Moby Dick.

Baseado no livro homônimo escrito por Herman Melville, o filme conta história de Owen Chase (Chris Hemsworth), primeiro-imediato do navio baleeiro Essex, e seu difícil relacionamento com o capitão, George Pollard (Benjamin Walker). Como o objetivo da tripulação era obter óleo de baleia, para suprir as necessidades energéticas dos EUA, todos são obrigados a caçar baleias até os confins dos oceanos, cobrindo enormes distâncias em um longo período longo de tempo. Depois de muito tempo em alto-mar, a tripulação do Essex se depara com um horror nunca antes visto, a baleia Moby Dick. Tomada por um instinto vingativo, a enorme baleia literalmente destrói o navio, deixando Hemsworth e cia à deriva, dependendo apenas de suas habilidades de sobrevivência (e de muita sorte…).

Por ser uma adaptação bem comum, tendo um roteiro bom, mas que não arrisca ou ousa em momento algum, No Coração do Mar conquista o público através de seu impressionante visual. Com uma cenografia exemplar e bons efeitos especiais, o filme consegue propor uma experiência bastante imersiva. Mas quem merece destaque mesmo é a própria Moby Dick. É impossível não se espantar com seu tamanho colossal e com sua fúria. Por diversas vezes durante a história, quando a tripulação está numa pior, a baleia aparece para causar ainda mais estrago.

Mas quando a baleia está fora de cena, é o elenco de apoio que empurra o filme pra frente. Além de Hemsworth, o filme ainda conta com as boas presenças de Ben Whishaw (A Viagem, 007 Contra Spectre), Brendan Gleeson (Gangues de Nova York, Harry Potter), Tom Holland (o novo Homem Aranha), Cillian Murphy (A Origem) e Frank Dillane (Fear The Walking Dead).

Após quase duas horas de duração, o longa não entrega nada de novo, mas se sustenta por sua qualidade técnica. Cabe agora à Ron Howard, em sua próxima produção, conseguir mesclar de forma equilibrada um bom visual e uma boa história. A expectativa é de que Inferno, vindouro filme do diretor, que dará continuidade à história contada em O Código DaVinci e Anjos e Demônios, consiga realizar tal feito.

Nota: 7,5/10