Nove pessoas morrem e cerca de 300 estão desaparecidas em Brumadinho (MG)

Foto: Polícia Militar de MG

Após o rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou a morte de nove pessoas e cerca de 300 desaparecidas. Houve o resgate de 22 pessoas com vida e cerca de 100 pessoas que estavam ilhadas. De acordo com informações da Vale, havia 427 pessoas no local.

No local há aproximadamente 100 bombeiros atendendo a ocorrência. A previsão é de que mais 100 homens cheguem à região. As buscas pelos desaparecidos se intensificaram.

A estimativa é de que 2 mil pessoas estão sem energia no momento. Durante a madrugada, cinco torres de iluminação auxiliaram os trabalhos de salvamento.

Vale divulga lista de pessoas desaparecidas

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais registrou, até o início da madrugada deste sábado, 26, nove mortes em decorrência do rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora Vale, no município de Brumadinho. O último balanço da corporação informa ainda o resgate de outras nove pessoas retiradas com vida da lama de rejeitos.

A mineradora divulgou, na manhã deste sábado, uma lista com o nome das pessoas que não fizeram contato desde o rompimento da barragem. Mais de 400 pessoas, entre funcionários do quadro e terceirizados, integram o levantamento da mineradora.

De acordo com a empresa, a lista está sendo atualizada constantemente, conforme as pessoas são localizadas. “Se o seu nome está na lista, favor entrar em contato com a nossa ouvidoria para comunicar”, pediu a mineradora em comunicado. O telefone para atendimento é o 0800 821 500.

Atividades da Vale são suspensas em Brumadinho

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais determinou a suspensão imediata de todas as atividades da mineradora Vale na região de Brumadinho, onde uma barragem se rompeu no início da tarde de ontem (25). Por meio de nota, o órgão informou que também determinou a abertura imediata de um canal onde houve acúmulo de sedimentos que interrompem o fluxo natural do curso d’água.

De acordo com o comunicado, foi determinado ainda o rebaixamento do nível do reservatório da barragem VI, que transbordou após o rompimento da barragem B1. Outra medida estabelecida pela secretaria foi o monitoramento da qualidade da água no Rio Paraopeba, que abastece a região. Também haverá monitoramento, em tempo integral, das estruturas remanescentes da barragem, com comunicação imediata ao centro de comando e equipes que estiverem em campo.

A secretaria informou que a barragem B1 começou a operar em meados dos anos 70 e estava licenciada. Desde 2015, o local não recebia mais rejeitos. De acordo com o governo estadual, a Vale solicitou licença ambiental para desativar a estrutura e o documento foi aprovado pelo Conselho Estadual de Política Ambiental em dezembro de 2018, “seguindo todos ritos e procedimentos vigentes”.

“O órgão não autorizou a disposição de rejeitos, mas a retirada de todo material depositado e posterior recuperação ambiental da área”, destacou o comunicado. O volume de material disposto na barragem B1 era de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério de ferro.

A estrutura da barragem tinha área total de aproximadamente 27 hectares e 87 metros de altura. A competência para fiscalizar a segurança das barragens de mineração é da Agência Nacional de Mineração (ANM), conforme estabelecido na Política Nacional de Segurança de Barragens (Lei 12.334/2010). Ainda segundo a legislação, a responsabilidade pela operação adequada desse tipo de estrutura é do empreendedor.

Em nota, a ANM informou que a barragem B1 era uma estrutura destinada à contenção de rejeitos, de porte médio e que não apresentava pendências documentais. Em termos de segurança operacional, o local estava classificado na categoria de risco baixo e de dano potencial associado alto – em função de perdas de vidas humanas e dos impactos econômicos sociais e ambientais.

Governo de Minas

Para acompanhar os desdobramentos da tragédia, ocorrida no início da tarde desta sexta-feira, 25, o governador Romeu Zema se deslocou para o município. A Mina Feijão pertence à mineradora Vale. O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse que não se sabe o que ocorreu . “Ainda é muito cedo para termos essa informação”. Segundo ele, a tragédia é mais humana do que ambiental.

Técnicos da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) trabalham para restabelecer a energia elétrica de aproximadamente 2 mil pessoas. A estatal mineira diz que há cinco torres de iluminação para auxiliar os trabalhos de salvamento durante a madrugada. Por sua vez, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) assegura que não há risco de desabastecimento de água na região metropolitana.

*Com informações da Agência Brasil