O argentino Eugênio e a transitoriedade da Vida

*Por José Augusto Pinheiro

Ricardo Eugênio Boechat (1952-2019) – jornalista argentino que adotou o Brasil como sua Pátria – concluiu a missão terrena na segunda-feira, dia 11. Voou de helicóptero de Campinas (SP), onde palestrou para três mil pessoas, com destino à imortalidade. Eugênio foi gênio na profissão que abraçou, e demonstrou amor pelo público como poucos o fizeram até aqui.

Diante de mais este lamentável episódio no início de um ano repleto de notícias estressantes, Boechat se tornou o mais recente mestre terreno que doa a sua vida a fim de nos ensinar importante lição. A sua partida no retorno a Casa, morada futura de todos nós, nos ensina como é transitória a nossa vida neste singelo planeta da Via Láctea. A regra é clara, mas a sua compreensão depende da força espiritual de cada um.

“Toca o barco”, dizia Boechat nas manhãs da rádio BandNews. “Navegar é preciso, viver não é preciso”, preconizava o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935). É verdade. A vida não obedece à precisão dos cálculos matemáticos fundamentais para a arte da navegação pelos mares. Viver é aceitar tacitamente o imponderável, campo no qual a única certeza possível é que as situações sofrerão mudanças. Algumas delas, extremamente dolorosas.

A transitoriedade da Vida indica que nós estamos aqui agora, mas nada garante a nossa presença física no instante seguinte. É tão óbvio que ainda me causa surpresa perceber pessoas a minha volta que se apegam a este plano como se fossem viver para sempre. O apego, de qualquer natureza, é destruidor da Luz Divina, pois as três últimas letras da palavra são ‘e-g-o’. Quem só pensa em si jamais poderá ser feliz, visto que a Alegria Verdadeira jamais será conquistada individualmente. Foi o que nos ensinou Jesus, o Cristo, quando disse “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou Eu no meio deles” (Mateus 18:20). Teria o Mestre se referido também à Família?

Boechat vive. E viverá para sempre na memória daqueles que reconheciam o seu talento de encantar as pessoas. A sua matéria-prima era a comunicação eficaz, usando palavras de sabedoria que continham por vezes a acidez da crítica. Porém, ele sempre acalentou em seu nobre coração o desejo de ver edificada a Nação justa e perfeita com a qual todos nós sonhamos. E toca o barco.

*José Augusto Pinheiro, 56 anos, é professor de Oratória, escritor e palestrante