Textos: Kelly Saito, Tamiris Monteiro e Valdir Carleto
Fotos: Rafael Almeida, Newton Medeiros e arquivos pessoais

Desde o século 19, organizações femininas mobilizaram-se nos Estados Unidos e em vários países da Europa, contra as extensas jornadas de trabalho, que chegavam a 15 horas diárias, e em repulsa aos salários aviltantes que eram pagos às mulheres.

Em maio de 1908, foi celebrado nos Estados Unidos o primeiro Dia Nacional da Mulher. Uma manifestação contou com a participação de 1500 mulheres. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA definiu o dia 28 de fevereiro como data oficial. Em novembro de 1909, houve uma greve que afetou seriamente a indústria têxtil norte-americana. Em 1910, na II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, representantes de mais de cem países definiram que era preciso haver uma data internacional para honrar as lutas feminina.

Portanto, não foi o incêndio que dizimou 130 operárias em março de 1911 que deu origem ao Dia Internacional da Mulher. Mas foi, sem dúvida, esse o acontecimento determinante para que crescesse o movimento por mais direitos e respeito às mulheres.
Outros protestos aconteceram durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e em 8 de março de 1917, 90 mil mulheres protestaram contra as más condições de trabalho, manifestando-se contra o Czar Nicolau II. Entretanto, esse evento foi denominado “Pão e Paz”, pois era também contra a participação russa na Guerra. Apenas em 1921, o 8 de Março passou a ser considerado o Dia Internacional da Mulher.

De lá para cá, as conquistas femininas não pararam. Mais e mais direitos foram sendo obtidos, atividades as mais diversas passaram a ser desenvolvidas por elas e não há praticamente nenhum posto ao qual uma mulher não seja considerada apta a exercer.
Reinaldo Passadori , especialista em Comunicação Verbal e presidente do Instituto Passadori Educação Corporativa, afirma que ainda há muito a conquistar, mas felizmente os avanços são diários. “O empoderamento feminino é uma realidade fundamental a ser aceita. No contexto empresarial, por exemplo, tem-se observado que as mulheres estão galgando posições que antes só eram limitadas aos homens, mas, o mais importante é que incorporam às organizações uma característica própria, que é a liderança pelo diálogo e não pela truculência”, diz.

Ele afirma que um fator cada vez menos utilizado pelo mercado na contratação de uma mulher está relacionado à questão estética, uma vez que, hoje, as contratações estão diretamente relacionadas à qualidade profissional e à responsabilidade como profissional. “As mulheres podem afirmar com orgulho ‘Estou aqui por que conquistei o espaço’”.
Segundo Passadori, o sexo feminino tem características primordiais que devem ser valorizadas e até mesmo copiadas pelos homens, como é o caso de uma sensibilidade mais aguçada no lidar com as situações e a intuição de saber se posicionar melhor perante as adversidades. “Além, é claro, do charme e astúcia que se mostram em sua comunicação”, opina.

Há muito a conquistar, principalmente no sentido de garantir que a mulher seja respeitada, onde quer que ela esteja: em casa, no trabalho, na escola, nas ruas, nos transportes coletivos. E esse respeito precisa ser defendido por todos os meios, para crescimento da consciência coletiva e, assim, não haja impunidade. O papel da mídia é fundamental para o esclarecimento da opinião pública e o combate ao preconceito e à discriminação.

A equipe da Weekend elaborou esta Edição Especial, com muita dedicação e carinho, não apenas como uma forma de homenagear todas as mulheres que, no seu cotidiano, desdobram-se para dar conta de inúmeras tarefas. Mas, como mais uma voz a clamar pela total igualdade de direitos e pelo respeito que toda mulher merece ter.