Por Tamiris Monteiro
Fotos: banco de imagens

O vínculo do brasileiro com seus animais de estimação tem se mostrado mais forte do que qualquer crise: de acordo com dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), o número de empresas abertas no setor pet cresceu 80% no comparativo entre o primeiro trimestre de 2016 e o mesmo período de 2014. Há dois anos, eram 721 estabelecimentos no Estado e hoje existem 1.298 pontos comerciais do ramo.

Rodrigo-e-Ricardo-Chen-(2)E não estamos falando apenas de pet shops. Podemos dizer que o segmento colocou as asinhas de fora e tem mostrado a que veio; afinal, há um mundo de opções para os pets.

De olho nessa maré alta, os irmãos gêmeos Ricardo e Rodrigo Chen apostaram em um negócio para animais totalmente inovador: uma padaria e petiscaria gourmet para cães e seus donos frequentarem.

A ideia surgiu quando os irmãos estavam em viagem pelos Estados Unidos, em 2010, e passaram por uma padaria para animais. Ao voltar para o Brasil, analisaram que não havia nada parecido por aqui e no mesmo ano começaram a estruturar a marca e o conceito da empresa. Em agosto de 2015, abriram as portas da padaria Pet em Pinheiros, um dos bairros mais nobres de São Paulo.

Com resultados positivos, inauguraram a segunda unidade na Oscar Freire, seis meses após a abertura da loja de Pinheiros, confirmando o sucesso do setor. Na Padaria Pet, os bichinhos podem provar petiscos diferenciados, cerveja, bombons, molhos, bolos e até sorvetes. Tudo desenvolvido por uma equipe de quatro veterinários com doutorado em nutrição animal. Os donos não ficam de fora da comilança: há café, pães, tortas e bebidas, além de docinhos como macarrons para os humanos.

Food Truck bom pra cachorro

Outro que decidiu investir no segmento foi o publicitário Eduardo Luiz de Freitas, que colocou o Manjericão Food Truck para rodar em maio deste ano. A ideia de montar o negócio nasceu depois de conhecer duas irmãs que faziam comida natural para cachorros. “Notei que não existia food truck com alimentação para animais; dei um Google, e constatei que realmente no Brasil ainda não tinha ninguém fazendo. Fui ao Sebrae, fiz alguns cursos e corri atrás de quem pudesse fazer um food truck pra mim. Desde então, eu e minha filha, a Cecília, estamos na estrada”, conta.

manjericaoNo Manjericão, todos os produtos são naturais e próprios para os cães. Quem para no caminhãozinho pode comprar desde petiscos, cerveja, sorvete e muffins até roupinhas, brinquedos, bebedouros e outros acessórios. “Como minha vida é bem corrida durante a semana em uma agência de publicidade, às sextas eu e minha filha fazemos biscoitinhos em formato de osso e o restante adquirimos de empresas parceiras”.

Por enquanto, o food truck não tem lugar fixo. Eduardo diz que como durante a semana o movimento é menor, ele optou em trabalhar só aos sábados e domingos. “Os lugares em que fico aos fins de semana são definidos pela quantidade de pessoas que circulam com seus cachorros. Entro em contato com os pet shops de bairros ou veterinárias que queiram fazer parceria. Nós criamos um evento, damos um nome pra ele, criamos um logo e começamos fazer as divulgações, via rede social, folhetos, e camisetas; decoramos o local conforme o tema do evento e promovemos passeios com os cachorros alguns dias antes, próximo de onde acontecerá o encontro”.

Tem cara de doce, mas não é

Silvia Jallas foi outra a apostar no segmento e também dentro da área de alimentação. Há quase um ano, a veterinária abriu a Cão-de-ló Bolos para Pets, fazendo bolos e petiscos para festas, por encomenda. “Bem devagar, fui amadurecendo essa ideia e mais recentemente é que dei um gás. Faço biscoitinhos naturais toda semana, entrego no pet em que trabalho, e também faço por encomenda. Bolo de aniversário, por exemplo, só faço por encomenda mesmo”, diz.

Silvia explica que se motivou ainda mais a aventurar-se na área dos quitutes, por analisar que muitas pessoas mimam seus bichos de maneira inapropriada. “Por eu ser veterinária, vejo muito nos atendimentos clínicos as pessoas darem o próprio alimento para o animal, inclusive doce, que faz supermal. Tenho uma cliente que mora na Califórnia, e vi por uma foto ela dando um cupcake para o cachorro. Mandei uma mensagem perguntando se ele estava louca; ela respondeu dizendo que estavam numa padaria para cachorros. Aí me surgiu a ideia de fazer alimentos específicos”.

Segundo Silvia, os cães não podem comer açúcar de forma alguma. Em suas receitas ela usa farinha integral, suco de maçã natural, mel e canela. “Na massa do bolo e do cupcake, vai ovo e iogurte natural desnatado e quando faço a decoração com o nome do cachorro sobre o bolo, uso cream cheese light ou requeijão light”, compartilha.

Comemora “cão”

Sim, os pets também curtem uma boa festa e sabem comemorar. Tanto que já há estabelecimentos investindo no lazer diferenciado para os animais. É o caso da Sweetshop Patisserie e Café, que fez um domingo especial para os clientes e seus bichinhos.  A decoradora Laura Tinari da É Festa Guarulhos, em parceria com a Idearte Festas, foi a responsável por deixar o evento com uma cara apresentável para os não tão exigentes clientes, e conta que é uma delícia organizar festas nesse segmento. “Minha inspiração foi fazer algo divertido e diferente do convencional de mesas de festas de humanos. Usei apoios baixos para poderem visualizar os petiscos e objetos diferentes para trazer descontração. Outro ponto positivo nessas festas é ver as pessoas trazerem os filhos e os pets. É um jeito dos donos curtirem um dia em família. Poucos lugares aceitam animais, mas a Sweetshop sempre recebe os amigos pets na loja e resolveu fazer esse evento especialmente para eles”, pontua.

cadela-gravidaNa mira dos fotógrafos

Em março deste ano, as fotos da cadela Lilica prenha viralizaram pela internet, porque a fotógrafa curitibana Paula Grillo, especializada em álbuns familiares, fez um ensaio fotográfico da cachorrinha gestante. O book de grávida da Lilica foi divulgado na página do Facebook da fotógrafa e, em menos de uma semana, ganhou mais de 72 mil likes. Após dar a luz a cinco saudáveis cachorrinhos, Lilica ganhou outro ensaio fotográfico com sua cria. Nas novas fotos, a mamãe posou ao lado dos filhotes e mais uma vez fez os internautas vibrarem com tanta fofura.

A história de Lilica é apenas uma de muitas outras relacionadas à fotografia pet e, justamente por todo esse encanto pelo registro de momentos felizes dos pets, é que o mercado de ensaio com animais tem ganhado força. Márcio Monteiro, que é fotógrafo há mais de 20 anos, recentemente decidiu apostar no segmento e passou a fazer fotos de cães e gatos. Márcio faz pet ensaio, em que entrega para o cliente cerca de 50 fotos e um DVD com fotos só do animal; e o pet família, no qual fotografa o bichinho com a família e dá aos clientes, além das fotos em DVD, um fotolivro personalizado com os melhores cliques.

“Percebi que muitas famílias estavam integrando o pet como um membro a mais na família e identifiquei que essas pessoas poderiam querer ter uma linda recordação com o animal. Normalmente, faço as fotos em parques, locais seguros e longe de trânsito. Busco fazer o momento das fotos uma diversão entre os donos e seu pet, para que o registro seja único. Também produzo as fotos na casa onde o pet mora”, explica o fotógrafo.

Pets preciosos

A paixão pelos pets vai além dos mimos feitos exclusivamente para eles; muitos tutores gostam de expressar o amor pelos seus bichos usando joias e semijoias de temática animal. De olho nessa nova demanda, Ana Lúcia Serpejante, dona do e-commerce de semijoias Anna Acessórios, decidiu inovar e passou a produzir peças com design exclusivo para os amantes de pets. “O primeiro contato com as joias aconteceu há 25 anos, quando confeccionava peças para venda. A oportunidade de criar a loja virtual surgiu e pensei em unir a paixão por pets e acessórios, para transmitir o amor incondicional e gratidão que as pessoas sentem por seus animais de estimação”, conta.

Segundo Ana, as peças são antialérgicas – pois não tem o níquel da bijuteria comum -, banhadas a cinco milésimos de ouro 18k ou de prata e ainda acompanham certificado de garantia de seis meses e dicas de conservação. “Cada peça é escolhida com muito critério; principalmente as características do desenho. Tenho essa preocupação de selecionar acessórios bonitos e de alta qualidade”, enfatiza Ana. Além de brinquinhos e colares, na loja é possível encontrar pulseira de berloques – must have entre a mulherada – para contar através do objeto a história da pessoa com seu pet.

Planos de saúde

emerson-zirpoliQuem tem um bichinho de estimação em casa sabe bem que os gastos não se limitam apenas à alimentação, banho, tosa e brinquedos, os pets também adoecem e assim como os humanos precisam passar em consultas médicas, tomar vacinas e remédios e, em certos casos, até passar por cirurgias. Cá pra nós, quem já passou por alguma emergência veterinária com o animal sabe bem que as consultas e tratamentos podem pesar no bolso.
Por causa dessa crescente procura pelos serviços veterinários, algumas empresas desenvolveram planos de saúde para animais de estimação, bem parecidos com os de humanos. Geralmente, o serviço se limita a cães e gatos e fatores como raça, porte e idade podem influenciar no preço do plano.
Emerson Zirpoli comercializa planos da empresa Helth For Pet e explica que os serviços cobrem consultas, exames, cirurgias, internação e vacinas. “Cada plano possui uma cobertura; então, depende muito da escolha do cliente”. E há também benefícios como o Pet Home, em que os veterinários atendem em casa; o Pet Phone, central de relacionamento 24 horas para sanar dúvidas dos clientes; o Digi Pet, uma espécie de prontuário eletrônico; e o Pet Club que dá descontos em banho e tosa, hotéis, ração, farmácia e acessórios em empresas parceiras.
Assim como nos planos de saúde para humanos, para os animais também existe carência e há procedimentos que não são cobertos, como, por exemplo, parto, prótese e órtese, acupuntura e outros. Contudo, o corretor lembra que o plano de saúde também é um meio preventivo. “A cada dia, os tutores estão tendo a consciência da importância de um plano de saúde. Não somente pelo valor gasto no mercado, mas também sobre a necessidade de cuidar com check-up, prevenindo possíveis doenças provenientes das raças ou outras que possam acontecer ao longo dos anos”, ressalta.

Sorriso animal

aparelho-para-cachorroPode parecer estranho, mas cachorro também pode usar aparelho ortodôntico. De acordo com Thiago Presciotto, veterinário especializado em odontologia veterinária e um dos sócios da empresa Sorriso Animal, os casos de ortodontia canina não são tão comuns como na odontologia humana, por isso muita gente desconhece o procedimento; contudo, existe.

“Diferente da odontologia humana, não prezamos a estética, e sim a funcionalidade. Então, quando há um dente que está ocluindo (quando fecha a boca batendo dente com dente) ou um dente que machuca o lábio e língua, ao invés de fazermos extração para corrigir o defeito, temos a opção de trabalhar com o aparelho”, esclarece.
Tendo a indicação para que o animal use o aparelho, o primeiro passo para a futura colocação é fazer um molde em gesso e estudar por meio desse elemento qual técnica deve ser aplicada. “Essa análise ajuda o profissional a identificar se o cão vai usar um aparelho de braquete, que é bem comum na odontologia humana, ou se vai usar um aparelho com elásticos, por exemplo”. Para o profissional, a maior dificuldade é a manutenção, porque sempre que é preciso mexer no aparelho, o animal precisa estar sedado. “A vantagem é que o processo para os cães costuma ser mais rápido do que para os humanos; então, conseguimos trabalhar com uma média de dois a três meses e ter um resultado final”, pontua.

Os problemas ortodônticos podem levar o animal a parar de comer por causa de dor, a ter desgaste do dente, a deixar o canal exposto, entre outras situações. Para o cachorro que usa o aparelho, a higienização é fundamental, e o tutor do animal precisa escovar seu dente pelo menos duas vezes ao dia, que é a quantidade média que se alimentam. “Sempre após as refeições, é necessário escovar os dentes, porque acumula placa, consequentemente tártaro, e a partir disso o cachorro pode desenvolver outros problemas”, alerta.

Um banco de vidas

Para os pets, o sangue também pode ser muito valoroso, principalmente em casos de acidentes ou doenças. Por isso, hoje já existem bancos de sangue específicos para animais. Em Guarulhos, a FullPet atende casos do município e uma grande parte de pedidos que chegam de todo o Estado.
Segundo a veterinária Polliana Pimentel, boa parte dos doadores são animais da própria FullPet, que não possuíam lar e foram resgatados. “Qualquer cão saudável pode doar, desde que tenha entre 1 a 8 anos de idade, seja vacinado, vermifugado e com controle preventivo de pulgas e carrapatos. Estes passam por uma triagem, fazem alguns exames de sangue para avaliar a saúde deles. Após estes exames, podemos dizer se eles podem, ou não, ser doadores de sangue”, avalia.
Normalmente, cães e gatos precisam de transfusão de sangue em momentos nos quais houve a perda do volume sanguíneo no corpo ou por causa da baixa de algum índice hematológico. “O veterinário tem ciência dos bancos de sangue que existem hoje no Estado, que são poucos, e ele entra diretamente em contato com o local. Nos casos necessários, eles mesmos julgam se podem fazer as transfusões nas próprias clínicas, já que nós encaminhamos a bolsa até o veterinário. Casos como anemia, perda de sangue, baixa de plaquetas, alguns casos de insuficiência renal e de doenças crônicas, quando também há perda sanguínea, são passíveis de transfusão”, informa a profissional. As bolsas de sangue podem variar de R$ 150 a R$ 800.

Direito a cemitério

Assim como cuidar da saúde do pet tornou-se essencial para muitos tutores, a morte do animal de estimação também tem sido tratada com outros olhos pelos humanos, isso porque no fim da vida do bichinho, muitos donos têm optado por fazer uma cerimônia funerária com direito a velório ao invés de deixar o corpo em alguma clínica veterinária para que as empresas de coleta de lixo recolham para a incineração.
Observando essa crescente tendência, há 16 anos, o Pet Memorial decidiu abrir as portas para amparar essas pessoas que desejavam dar um fim diferente a seus amigos de pelos. A necessidade de criar o primeiro crematório individual de animais de estimação da América Latina surgiu quando o empresário Pepe Altstut e sua família começaram a pensar na morte de Puppy, uma poodle de estimação, que na época tinha 10 anos. “A Puppy era como minha filha e começamos a nos preocupar com o destino que daríamos ao seu corpinho quando ela não estivesse mais ao nosso lado”, conta o empresário.
cemiterio-de-cachorroO Pet Memorial oferece serviço de remoção 24 horas, velório, velório online, cremação, acompanhamento psicológico, urnas personalizadas e cinerários. Para se ter ideia da procura, o local realiza cerca de 120 cerimônias de velório por mês. O local comporta 30 pessoas, é disponível para todos os contratos e o momento para a família se despedir, fazer orações e homenagens, tem duração de até uma hora.
Mesmo parecendo estranho, até o velório online tem adeptos. “A transmissão online das cerimônias foi desenvolvida para que os parentes e amigos dos responsáveis que não podem comparecer ao crematório, tenham a oportunidade de se despedir do animal de estimação.

O Pet Memorial disponibiliza um login e uma senha, que podem ser distribuídos a parentes e amigos, sem limite de pessoas que poderão acessar”, explica a comunicação da empresa. O acesso é feito pelo site da empresa e as imagens são transmitidas de uma das duas salas de velório equipadas com câmeras.
Já o acompanhamento psicológico é oferecido para o responsável e acontece com hora marcada todas as quintas-feiras A psicóloga especialista em luto e consultora do Pet Memorial, Joelma Ruiz, diz que os velórios são parte importante do processo do luto. “Os velórios promovem espaços reservados para chorar e marcar a perda, para compartilhar o sofrimento, possibilitando que o luto seja vivenciado e validado”, destaca a profissional.
Se você acha que apenas cães, gatos, coelhos e pássaros são recebidos no lugar, engana-se.

“O Pet Memorial é estruturado para atender todo o tipo e porte de animal. Foi o caso do leão Ariel, que causou comoção em todo o Brasil. Seu velório foi acompanhado ao vivo por 200 pessoas e via internet por mais de cinco mil. Teve também o caso do porco Gabriel, um animal de quase 300 quilos, famoso por passear pelas ruas de São Paulo com seu dono e participar de programas de televisão. Há uns anos, também recebemos uma tartaruga de 140 anos que passou por três gerações”, afirma Evans Edelstein, diretor da empresa.

Serviços

Anna Acessórios
www.annaacessorios.com.br

Dog Garden
2600-3872 / 96036-7542

Laura Tinari Eventos
(É Festa)
96057-3399

Pet Memorial
3243-1511 / 4343-0000

Bixodó
2788-9423 / 94248-7372

Fotobicho
99467-7044

Manjericão Food Truck
99394-5145

Sorriso Animal Centro
Odontológico Veterinário
2461-2098

Cão-de-Ló Bolos para Pets
99700-2917

Full Pet
2279-4020

Padaria Pet
3637-6520 (Pinheiros)
2838-0888 (Oscar Freire)

Zirpoli Seguros
3484-7948 / 99522-3302