O Regresso (The Revenant – 20th Century Fox) / Crítica

Parceria entre DiCaprio e Alejandro G. Iñárritu tem história comum, mas esbanja beleza técnica

 

“Finalmente é a vez de DiCaprio no Oscar”. Essa é uma das frases mais escutadas desde que Leonardo DiCaprio foi indicado ao prêmio de melhor ator por seu trabalho em O Regresso. O problema é que o longa não é um bom entretenimento pela sua história ou pela atuação dos atores, e sim pela beleza técnica. É um equívoco dizer que o filme é bom somente pela (ótima) presença de DiCaprio.

Baseado no livro homônimo escrito por Michael Punke, The Revenant, no original, retrata a história real de Hugh Glass (DiCaprio), um guarda de fronteira que, durante uma expedição liderando um grupo de comerciantes, é atacado por um urso, ficando gravemente ferido. Para não atrapalhar a missão do grupo, Glass é deixado aos cuidados de Fitzgerald (Tom Hardy) e Bridger (Will Poulter). Fitzgerald pensa que cuidar de Glass, que está a beira da morte, é um tremendo desperdício de tempo, e irritado com a situação, decide deixar seu companheiro ferido para trás. Porém, Glass, contra todas as possibilidades, sobrevive, e inicia sua jornada de vingança contra aquele que o abandonou.

Foi interessante notar que o filme tomou certa liberdade em relação ao livro de Punke. No livro, por exemplo, não contamos com a presença do filho de Glass, sendo que, no filme, o personagem é peça fundamental na trama.

Se for avaliado cruamente, será notado que O Regresso não tem uma história (ou roteiro) genial, tampouco atuações, pois tudo o que está presente no longa é bastante comum. Quem nunca viu um filme sobre um homem com sua típica busca por vingança? É claro que DiCaprio está muito bem, mas ele merecia muito mais ter recebido o Oscar por O Lobo de Wall Street ou Diamante de Sangue do que merece receber por este filme. Como ele é apontado como o favorito para ganhar a estatueta, a impressão que fica é que sua possível vitória seria a consequência de um forte lobby em cima de sua indicação, e não de sua atuação em si.

O que merece exaltação no filme são os aspectos técnicos, principalmente a direção de fotografia de Emmanuel Lubezki. O ganhador do Oscar de melhor fotografia por Gravidade e Birdman realiza em O Regresso seu melhor trabalho até então. Lubezki consegue fazer com que cada cena que filma pareça uma pintura. A opção por filmar tudo em luz natural confere uma belíssima naturalidade às paisagens que filma.

Impressionante também foi a condução dos efeitos especiais e a confecção das maquiagens. A cena em que Glass é atacado por um urso é extremamente real e agoniante. A opção por não usar trilha sonora neste momento conferiu uma tensão ainda maior…

The Revenant é, de longe, o melhor trabalho do diretor Alejandro G. Iñárritu, mas não o melhor de DiCaprio. Mesmo assim, é um filme que, pela sua beleza, será lembrando por muito tempo.

 

Nota: 8,5/10