O sagrado mistério do Alimento da Alma!

Sessenta dias após a Páscoa – que na Tradição Cristã comemora-se a ressurreição do Cristo e na Tradição Judaica, que deu origem ao próprio cristianismo, é comemorada a libertação do povo hebreu do cativeiro egípcio, uma outra comemoração, para não dizer a mais significativa, que reverência o sagrado mistério do Alimento da Alma, acontece entre os seguidores da doutrina da Igreja Católica, em particular.

Para os povos cristãos, de uma forma geral, é a festividade da instituição do maior dos sacramentos que é a da Eucaristia. Ou seja, a comemoração que reverencia a possibilidade de os homens compartilharem do próprio corpo do Cristo, conforme narram os Evangelhos. Pois, foi durante a Santa Ceia, ocorrida na quinta-feira que precedeu a sua ressurreição, que Jesus instituiu o mistério da comunhão, ou a compartilha, do seu sangue e de seu corpo, representados no ato pelo vinho e pelo pão.

Essa particular comemoração chamada de Corpus Christi – uma referência latina que significa Corpo de Cristo – foi instituída no dia 8 de setembro de 1264, no seio da Igreja pelo Papa Urbano IV, em pleno período templário, a partir de um movimento interno que teve como base a visão de Santa Juliana de Mont Cornillon, que descreveu a Igreja sob o brilho da lua cheia, mas como uma mancha escura sobre ela que se compreendeu a ausência de um sacramento. Posteriormente, Santo Tomás de Aquino, também, a pedido do papa, compôs o ofício litúrgico da comemoração que se tornou oficial, juntamente com os hinos Tantum Ergo e Lauda Sion que são entoados até os dias de hoje nas igrejas católicas.

Vale lembrar que assim como o alimento é visto de maneira sagrada pelos cristãos, para o povo judeu – que tem sua história também vinculada ao milagre onde Deus oferece o maná, o alimento sagrado, àqueles que caminhavam no deserto em busca da Terra Prometida – este é um momento extremamente significativo, já que muito além da preservação do corpo físico, o alimento oferecido pelos Céus, em ambas as tradições, que se vinculam por suas origens, tem como propósito a imortalidade da Alma e a preservação do Espírito.

Assim, esta solenidade – que já dura mais de setecentos anos e que é, verdadeiramente, uma exaltação à importância do homem não só buscar o alimento do corpo – pela crença dos fieis e pela prática que acontece a cada celebração, se consolida em uma força muito particular no Mundo que requer, no mínimo, uma especial reflexão e reverência de cada um de nós.

Sobre José Paulo Ferrari

José Paulo Ferrari é psicólogo clínico – com pós-graduação pelo Hospital do Câncer e Unifesp – sua principal área de pesquisa é a Espiritualidade.
São José dos Campos, 20 de junho de 2019 – Dia de Corpus Christis