Obra satírica que retrata prisão de Eduardo Cunha é lançada

Em outubro de 2016, seis dias após tornar-se réu na Operação Lava-Jato, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi preso em Brasília. Um mês antes, ele já havia tido seu mandato cassado com uma votação de 450 a favor, 10 contra e nove abstenções. Antes da cassação, Cunha anunciou que estava escrevendo um livro, no qual contaria os bastidores do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. A prisão adiou o projeto do político, que pretendia lançar a obra no fim daquele ano. Seu encarceramento, no entanto, serviu de mote para o autor Ricardo Lísias escrever um romance satírico sobre o processo. Autor de “Divórcio”, “A vista particular” e “Inquérito policial família Tobias”, o escritor, conhecido pela sua literatura performática, que pretende interferir na realidade, resolveu testar radicalmente os limites da ficção.

Usando o pseudônimo Eduardo Cunha, Lísias descreve a rotina do personagem desde sua prisão no dia 19 de outubro até a virada do ano para 2017. Brincando com a metalinguagem, o escritor mostra no texto o que seria a produção do livro que Cunha (pseudônimo) estaria escrevendo. A narrativa é costurada com o dia a dia inventado do personagem na cadeia. Tudo ficção.

Eduardo Cunha, no entanto, decidiu entrar na Justiça contra a circulação e venda do livro. No dia 20 de abril, porém, o desembargador  Augusto Alves Moreira, da 8ª Câmara Cível do Rio de Janeiro, negou a liminar, alegando tratar-se de uma obra de ficção e defendendo a liberdade de expressão.