Ocupação das escolas tende a não acabar bem

Resultou infrutífera a reunião de conciliação entre representantes de alunos que ocupam mais de 60 escolas estaduais e o secretário Educação,Herman Voorwald.

O governo propôs suspender a reorganização do ensino temporariamente, desde que as escolas sejam desocupadas. Comprometeu-se a cumprir alguns passos, no sentido de discutir melhor com as comunidades escolares envolvidas e a estudar casos peculiares ainda neste ano, mas não vislumbrando a possibilidade de não pôr em prática as mudanças.

A contraproposta dos estudantes, segundo Daniela Skromov, diretora do núcleo de Direitos Humanos da DP-SP (Defensoria Pública de São Paulo), é de que o plano de reorganização pode ser aceito pelos alunos, desde que sejam cumpridas estas condições: o não fechamento de nenhuma escola; a convocação de toda a comunidade escolar (pais, professores, associações de pais e mestres, grêmios estudantis) para discussão do plano durante o ano que vem e a não execução do plano em 2016; a garantia de que professores e alunos não sejam punidos pelas ocupações; e que os formandos de 2015 possam participar das discussões em 2016.

Ficou para segunda-feira, 23, a definição do desembargador Sérgio Coimbra Schimidt, da 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, quanto às reintegrações de posse das escolas pelo governo estadual. O principal argumento da Secretaria de Educação é de que setores estranhos à atividade educacional tomaram as escolas e podem ter acesso a prontuários de funcionários, com danos irreversíveis se esses documentos forem destruídos ou alterados.

Diante desse cenário, com aulas interrompidas em plena época de provas de fim de ano, pessoas de movimentos sociais estranhos à Educação dentro dos estabelecimentos de ensino, é muito provável que a reintegração de posse seja decidida pela Justiça. E, se for, e o governo estadual resolver radicalizar em seu cumprimento, usando até forças policiais, é previsível que isso não vá acabar bem. Tudo que não se deseja é ver a Polícia tendo de retirar alunos à força de dentro das escolas ou usando meios radicais, como bombas de gás lacrimogêneo.

Em minha opinião, algo precisa ser feito para melhorar o nível do ensino nas escolas estaduais. Não sou pedagogo, mas visito escolas durante todo o ano e percebo a nítida diferença para melhor nas que atuam com apenas um nível de ensino. Crianças não destroem escolas; adolescentes destroem. Defendo a separação pretendida pelo governo e entendo que a proporção de alunos que serão remanejados é pequena.

Porém, o governo estadual errou feio na comunicação dessas medidas, não soube dialogar com a sociedade e é natural que haja resistência de professores e de famílias de estudantes. Para a Apeoesp, comandada por gente do PT, quanto pior, melhor. Tudo que eles puderem fazer para bagunçar a rede estadual de ensino, farão. Se sair a ordem de reintegração de posse e o governo usar de força para fazê-la cumprir, será o cenário perfeito para a demagogia de palanque que a Apeoesp adora praticar.

Defendo o bom senso de ambas as partes.