O Portal Click Guarulhos conversou com Klea Oliveira, 36, e Prof. Tom, como é conhecido na cidade, 44, depois de Guarulhos ser surpreendida com a notícia de que não haveria mais a tradicional Olimpíada Colegial Guarulhense (OCG). O evento é sempre aguardado na cidade pelos alunos da rede pública e particular de ensino e faz parte da vida de muitos cidadãos que participaram de uma das maiores competições estudantis do país.

Quando questionado sobre seu sentimento em relação à notícia, Tom surpreendeu: “Fiquei duas noites sem dormir. Tenho 44 anos, mas não me contive, chorei aos prantos.”  Tom iniciou na OCG com 19 anos, já como professor e para ele a competição é o maior meio de inclusão social e a maior oportunidade de transformar atletas adolescentes em homens. “Ajudei na formação do caráter de muitíssimos alunos, tirei alunos das drogas e consegui bolsas de estudos para alunos menos favorecidos. Alguns jogadores com quem trabalhei pegaram seleção, alguns são atletas profissionais e um está jogando nos EUA!”, falou o professor, com orgulho.

“Hoje posso dizer que formei muitos atletas e muitos homens e mulheres. Se os encontro na rua ou onde seja, lembro o nome, sobrenome e apelido. Não existiu um aluno que não foi importante pra mim”, disse Tom, que mobilizou as redes sociais com protestos em prol da OCG e reviveu muitos momentos importantes em cada comentário de apoio de ex-alunos, pais e amigos que tiveram o campeonato como um marco para suas vidas.

Para Klea, que tinha 13 anos quando participou da Olimpíada, a notícia foi recebida com tristeza. “Sou filha do esporte de Guarulhos e essa informação só me deu a certeza de que o esporte em nossa cidade está falido e esquecido”. Klea viveu o momento em que a cidade era conhecida como “a capital nacional do esporte amador” e guarda as lembranças com carinho e, acima de tudo, orgulho.

Ela participava do time de handebol e conquistou medalhas para a escola estadual Francisco Antunes (carinhosamente apelidado de Chicão) e Colégio Integrado de Guarulhos e, para ela, a competição é mais do que lazer para os jovens; é oportunidade de profissionalização e carreira. Klea é uma dos muitos que ganharam bolsa de estudos por representar uma instituição na competição.

“Fui convidada a fazer parte da equipe da nossa cidade, que na época participava dos principais campeonatos. Segui carreira, dediquei anos da minha vida e pude desfrutar de bons estudos. Fiz duas faculdades e tive uma experiência humana que acredito ter me engrandecido como pessoa, pois este aprendizado ninguém consegue passar para você, a não ser vivendo essas experiências”, finalizou Klea.

Para alegria dos guarulhenses, o prefeito, Sebastião Almeida (PT), nesta quarta-feira, 1, no programa Radar de Notícias, disse ao jornalista Pedro Notaro que a OCG acontecerá, pois é ele quem decide.

“Estou aliviado, mas sei que ainda falta muito, nossos talentos têm que sair da cidade pra jogar em boas condições. Temos que resgatar o orgulho do esporte de Guarulhos!”, finalizou Tom.

Porém, o atleta olímpico e professor Wilson David dos Santos, que foi quem primeiro cogitou a não realização do evento, em uma postagem no Facebook, é um pouco cético ainda. Segundo ele, embora a Secretaria de Esportes tenha cumprido o rito burocrático, até agora a Secretaria de Finanças não garantiu os recursos para realizar o evento, mesmo estando empenhado o valor no Orçamento Municipal. Wilson vê professores treinando equipes para o certame, vivencia a expectativa dos jovens e teme que as autoridades empurrem a decisão para depois e, na última hora, cancelem, como aconteceu com os JAG – Jogos Adaptados de Guarulhos em passado recente.

Se você tem história com a Olimpíada Colegial Guarulhense, envie fotos, vídeos e comentários que narre esse importante evento na cidade. O Portal Click Guarulhos fará um mural para homenagear o tradicional campeonato de Guarulhos! #OCGémaisdoquesóesporte

Jônatas Ferreira