Olimpíada, já estamos com saudade…

Por Tamiris Monteiro

O Brasil fez sua melhor campanha na Olimpíada Rio-2016: o País ficou na 13ª posição no quadro de medalhas, com sete ouros, seis pratas e seis bronzes. Foram 19 medalhas, duas a mais que em Londres (2012). Por conta dos sete ouros, os brasileiros também superaram a trajetória mais vitoriosa do País, que até então havia sido em Atenas (2004), com cinco ouros. Vale ressaltar que essa também foi a Olímpiada com mais modalidades a conquistar medalhas: judô (Rafaela Silva – ouro, Mayra Aguiar – bronze e Rafael Silva – bronze), atletismo (Thiago Braz – ouro), boxe (Robson Conceição – ouro), vela (dupla Martine Grael e Kahena Kunze – ouro), voleibol (seleção masculina – ouro), futebol (seleção masculina – ouro), vôlei de praia (Ágatha e Bárbara – prata e Alison e Bruno – ouro), tiro (Felipe Wu – prata), ginástica artística (Diego Hypólito – prata, Arthur Zanetti – prata e Arthur Nory – bronze), canoagem (Isaquias Queiroz – prata e bronze, Isaquias e Erlon de Souza – prata), tae-kwon-do (Maicon Andrade – bronze) e maratona aquática (Poliana Okimoto  – bronze).

As boas surpresas brasileiras

Como brasileiros, temos o dever de acreditar que sempre é possível subir ao pódio, mas nesta Olimpíada alguns atletas nos surpreenderam, como Rafaela Silva, Thiago Braz, Isaquias Queiroz, Robson Conceição e Poliana Okimoto. Principalmente Thiago e Isaquias. Em esportes não tão populares entre os brasileiros, esses atletas fizeram a alegria da torcida e provaram que o Brasil tem potencial esportivo em qualquer modalidade.

Recordes quebrados

cordes olímpicos. As modalidades foram as mais variadas: atletismo, natação, ciclismo, levantamento de peso, tiro, remo, arremesso de peso, entre outras. Vale ressaltar que no salto com vara, o brasileiro Thiago Braz, de 22 anos, conquistou o ouro olímpico ao saltar 6,03m, batendo o recorde olímpico. O recorde mundial, de 6,16m, pertence ao francês Renaud Lavillenie.

Na natação aconteceu um festival de quebra de recordes. Na despedida de Michael Phelps, o revezamento americano do qual fez parte ficou com ouro nos 4x100m, fazendo o tempo de 3m27s95. Já o nadador americano Ryan Murphy, de 21 anos, estabeleceu a nova melhor marca mundial dos 100m peito, ao nadar em 51s85 e ficar com a medalha de ouro. A nadadora americana Katie Ledecky, 19 anos, também deu trabalho às adversárias. Nos 800m livre, prova na qual estabeleceu o novo recorde mundial, com o tempo de 8m04s79, ela chegou quase 12 segundos à frente da britânica Jazmin Carlin.

No atletismo, a queniana Vivian Cheruiyout deixou as outras competidoras para trás e conquistou o ouro nos 5 mil metros, batendo – com quase 14 segundos de diferença – o recorde olímpico da romena Gabriela Szabo. A corredora etíope Almaz Ayana foi outra a bater recorde mundial, percorrendo 10 mil metros em 29m17s4.

Na ala masculina, o queniano Conseslus Kipruto pulverizou o recorde olímpico dos 3 mil metros com obstáculos, marcando o tempo de 8m03s28. Até então, a melhor marca pertencia ao seu compatriota Julius Kariuki, com 8m05s51. O velocista sul-africano Wayne van Niekerk é o novo recordista mundial dos 400m livre. Na final, para garantir a medalha de ouro, ele fez o tempo de 43s03, que derrubou a marca de 43s18, do americano Michael Johnson.

usain-bolt-comemora-a-vitoria-nos-100m-1471225478852_v2_1920x1285A despedida de um mito

Dá para arriscar dizer que Usain Bolt foi uma das maiores atrações dessa Olímpiada. E não foi só por causa das medalhas de ouro que conquistou em todas as suas disputas. O jamaicano ganhou o coração dos brasileiros que vibraram e torceram por ele todas as vezes que pisava na pista de atletismo. Não é para menos. Cheio de carisma e bom humor, em praticamente todas as suas competições, no final da prova, Bolt interagia com a torcida e até ia para o meio da multidão tirar selfies com os fãs. Simpático e divertido, Bolt viralizou na internet com muitos memes que usaram sua imagem. A Olímpiada Rio-2016 foi a última do atleta.

2016-0814-Katie-Ledecky-Michael-Phelps-Simone-Biles-SI51_TK3_00293Americanos de ouro

Os Estados Unidos são a principal potência olímpica do mundo: o país obteve 2.411 medalhas desde a criação dos jogos e, embora todo mundo saiba dessa grande capacidade de conquistar medalhas, os States ainda conseguem surpreender com novos e velhos talentos. Nesta Olímpiada, Michael Phelps, Simone Biles e Katie Ledecky conquistaram juntos 13 medalhas de ouro. Na foto feita para a capa da revista “Sports illustraded”, Phelps mostra suas cinco medalhas de ouro e uma de prata; a nadadora Katie Ledecky faturou quatro de ouro e uma de prata; e a ginasta Simone Biles conquistou quatro medalhas douradas e uma de bronze.

A torcida brasileira é a melhor do mundo

Dizem que o melhor do Brasil é o brasileiro e os Jogos Olímpicos serviram para comprovar essa constatação. A torcida brasileira deu um show de participação e foi o céu e o inferno para muitos atletas.

No primeiro jogo da seleção feminina dos Estados Unidos no futebol, a goleira Hope Solo ouviu os gritos “ôôôôô Zika!” a cada vez que tocava na bola. Tudo por conta de uma provocação da americana, que publicou no seu Instagram, antes dos Jogos, uma foto usando material de proteção contra mosquitos para se prevenir da doença.

O boxeador Carlos Andres Mina, do Equador, não ficou de fora da zoeira: assim que o lutador entrou no ringue, a torcida começou a cantar “mina, seus cabelo é da hora…” – um trecho da música Pelados em Santos, do grupo Mamonas Assassinas. Claro que o equatoriano não entendeu nada, mas a melodia deve ter ajudado, já que o atleta venceu a disputa.

Um árbitro de boxe também se tornou o queridinho da torcida. Jones Kennedy do Rosário, de 50 anos, roubou a cena de tal forma que a luta ficou em segundo plano. A cada vez que interrompia o duelo, a torcida comemorava. “Ahh, Rosário é melhor que Neymar”. “1, 2, 3, 4, 5 mil, quem manda nessa p* é o Rosário do Brasil”, gritou o público.

A imprensa brasileira e mundial também foi ouro na zoeira

Não foram só os atletas que deram show nessa Olimpíada. Os jornalistas abrilhantaram os Jogos Olímpicos com acontecimentos que provavelmente ficarão na história. O primeiro fato mais engraçado aconteceu durante uma transmissão ao vivo da rede britânica BBC. Enquanto o apresentador Dan Walker falava para os telespectadores britânicos, a noiva Maria de Cezar, que comemorava sua despedida de solteira com as amigas, chamou a atenção do apresentador e foi convidada a entrar no estúdio da emissora. Entrevistada, ela disse que amava muito o futuro marido e que ele era o “crush” dela, citando a expressão tão difundida nas redes sociais. Ela até ajudou a emissora ao pedir aos espectadores para assistirem à BBC, puxando um coro animado com as amigas.
Para Dan Walker, as surpresas não pararam por aí. Dias depois, em outra transmissão, o repórter flagrou um casal fazendo sexo na praia e diante da situação, brincou: “Para aqueles que estão se perguntando o que está acontecendo ao fundo, nós não vamos dar zoom”. No perfil do Twitter, ele comentou a situação: “Eles estão lendo um livro em uma posição estranha”.

Outro fato jornalístico que levou a internet ao delírio foi a troca de farpas entre os jornalistas globais William Waack e Cris Dias. Durante uma transmissão ao vivo, Cris reclamou que o colega não a havia cumprimentado na entrada anterior. “Boa noite, boa noite a todos. Agora finalmente ele me deu um oi, né, mas tudo bem, o momento pedia pressa, a gente entende. Vamos falar de vôlei, mas vôlei de quadra agora, que a seleção masculina…”, disse a jornalista. Depois disso, Waack a interrompe, aparentemente irritado com a reclamação da colega. “Vamos? Vamos falar de vôlei?”. Cris retoma o pensamento: “A seleção está classificada, né, para a semifinal… Você quer continuar?”, pergunta ela. Mas embaraçosamente William responde: “Não. Você”.

Outro caso que repercutiu foi o do jornalista Mendel Bydlowski, da ESPN Brasil. Enquanto esperava para entrar no ar, o jamaicano aproveitou para brincar com o público e fez chifrinho no repórter, caretas para a câmera e depois fingiu que nada estava acontecendo.

Assalto mentiroso

Pegou mal para o nadador americano Ryan Lochte mentir que havia sido assaltado no Brasil. Com o tempo, a polícia descobriu que o atleta inventou que ele e os colegas não haviam sido roubados e a história teve repercussão mundial. Após a polêmica, Ryan perdeu o apoio da marca australiana Speedo e de outros patrocinadores. A ABC News divulgou a nota oficial da empresa, que, por sua vez, afirma não poder compactuar com o comportamento do atleta, apesar de anos de parceria.

Espirito olímpico

As olimpíadas são cheias de boas histórias marcantes. Nesta edição, a solidariedade entre duas atletas chamou a atenção do mundo. As corredoras Abbey D’Agostino, dos Estados Unidos, e Nikki Hamblin, da Nova Zelândia, participavam dos 5 mil metros feminino, mas faltando cerca de 1.600 metros para o fim da prova, a neozelandesa tropeçou e caiu, derrubando a competidora americana. Sem conseguir evitar o choque, Abbey torceu o tornozelo. Após a queda, ela recebeu ajuda da adversária, que a ajudou a levantar. Poucos metros depois, foi a vez da americana voltar a cair por causa das dores provocadas pela lesão. Incentivada por Nikki, a atleta dos Estados Unidos completou a prova mesmo com dor. Na linha de chegada, as duas compartilharam um abraço e protagonizaram uma das cenas mais emocionantes dos Jogos Olímpicos.