Orquestra Jovem comemora 15 anos com homenagem a Heitor Villa-Lobos

a OJMG exacerbou intensidade harmônica em “Batuque”, do compositor carioca Oscar Lorenzo Fernández - Foto: Divulgação

Neste domingo, 16, a Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos (OJMG) completou 15 anos, num concerto com repertório vibrante, à altura de seu homenageado, o compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos. Surpreso e encantado com a profusão de ritmos, o público do Teatro do Adamastor Centro retribuiu com longos aplausos, tornando ainda mais assertivo o último espetáculo da Temporada 2018.

Falar do aniversário da Orquestra Jovem exige um revirar de memórias nas quais prevalecem grandes momentos de espetáculos inesquecíveis. Para abrir o concerto deste domingo, a OJMG exacerbou intensidade harmônica em “Batuque”, do compositor carioca Oscar Lorenzo Fernández, grande admirador de Villa-Lobos. Especial, essa peça marca a primeira apresentação da Orquestra Jovem, há exatos 15 anos, quando a cidade então comemorava seus 443 anos.

“Naquela época, essa peça foi escolhida por se tratar de uma composição vibrante, enérgica, forte e ligada às nossas raízes, o tom que quisemos dar à Orquestra Jovem desde a sua concepção”, explica o maestro regente da OJMG, Emiliano Patarra.

Bachianas Brasileiras nº 4 mistura a obra de Johann Sebastian Bach,referência para Villa-Lobos, com a música brasileira

A sequência do espetáculo destacou a obra prima Bachianas Brasileiras nº 4, uma das mais conhecidas dentre as nove peças da série, que mistura a obra de Johann Sebastian Bach, uma grande referência para Villa-Lobos, com a música brasileira. “Para Villa-Lobos, Bach simbolizava aquilo que nos une a todos, o poder que a música tem de nos tocar, então, ao se referir às Bachianas, ele destaca o princípio universal da música; e Brasileiras pelo seu desejo de ligar esse princípio com a música da nossa terra”, explica Patarra, recomendando fortemente ao público que buscasse ouvir as demais peças.

Para abrilhantar ainda mais o espetáculo, Patarra convidou ao palco dois grandes parceiros da Orquestra Jovem, o Coral Madrigal Vivace de Jundiaí, sob-regência do maestro Vasti Atique, e o Coral Lírico Coraleste, sob coordenação artística de Cristiane Mesquita e Marcello Mesquita. Juntos, orquestra e coro executaram com maestria a obra Choros nº. 10, cheia de ritmo e ousadia, bastante semelhante ao que se fazia na Europa no começo do século, incisivamente marcada por elementos da música brasileira.

Fomentando o intercâmbio musical entre os experientes músicos da orquestra com os jovens estudantes do Conservatório Municipal de Guarulhos, Patarra enfatizou a participação dos alunos do Projeto Caminhos da Percussão, que sob coordenação do professor Ricardo Barreto Ramesh ficaram responsáveis por temperar a festiva Choros nº. 10, engendrando um ritmo de samba, que encheu ainda mais de beleza o espetáculo.

História

Além de levar a música sinfônica para os moradores da cidade durante suas temporadas, a OJMG sempre objetivou a formação profissional dos jovens músicos. Desde que entrou para a Orquestra, há cerca de três anos, o violonista Rodrigo Oliveira Peres, 23, observa que seu desenvolvimento foi muito além de seu aperfeiçoamento no instrumento: “A partir do momento em que entrei para a Orquestra Jovem, tudo mudou. Aprendi a viver em grupo e, ao mesmo tempo em que isso foi muito importante, também exigiu de mim muita maturidade musical e pessoal”, explica.

Sobre o aspecto da interação entre o público e a OJMG, Rodrigo ressalta uma evolução gigantesca, sobretudo no último ano. “O público tem sido excepcional, tanto aqui no Adamastor quanto em outros lugares, e tem crescido cada vez mais. As pessoas têm se mostrado extrovertidas, alegres, sempre pedem bis, gostam de vir, ver e ouvir e, para todos nós, ter um público como esse interessado em nosso trabalho é muito gratificante, vai além dos ensaios, da leitura da partitura, é algo que envolve sentimento”, comemora o jovem violonista.

Durante toda a temporada, a OJMG fez profundos mergulhos nas obras de compositores renomados, como Vivald, Richard Strauss, Verdi, Beethoven e Tchaikovsky, uma forma de compreendê-los em sua totalidade, oferecendo-as de forma magnífica ao público, em inúmeros espetáculos de aconteceram durante todo o ano, tanto no Teatro do Adamastor Centro como em outras regiões da cidade.

Em 2018, espetáculos como o Rock em Concerto, Samba em Concerto, Circo em Concerto e as apresentações realizadas em parceria com a Companhia Brasileira de Danças Clássicas transpuseram as fronteiras da música ao mesclar diferentes linguagens artísticas, e conquistaram o grande público, que sempre lota o Adamastor para prestigiar a Orquestra.

Outro motivo de orgulho para os músicos é encerrar o ano com a temporada cumprida, exatamente da forma como foi anunciada no final de janeiro. “Isso é muito importante para todos nós e fazemos isso em respeito a todos vocês, que carinhosamente nos acompanham e dão significado ao nosso trabalho”, vibra o maestro Patarra.

Sobre a Temporada 2019, o maestro não revelou a programação, mas já instigou a curiosidade de todos: “Temos grandes surpresas saindo do forno, aguardem!”.