Por Val Oliveira
Fotos: Arquivo pessoal,
Rafael Almeida e José Geraldo Souza

Com 15 anos de existência e com grade curricular que contempla os cursos de violão, violino, guitarra, bateria, percussão, flauta transversal, flauta doce, saxofone, teclado, técnica vocal, musicalização infantil, coro infantil e teoria musical, a Escola Diocesana de Música surgiu como resposta a quem não tinha condições de fazer um curso teórico-prático de música. “Trabalhando com comunidades católicas, deparei-me com pessoas que, mesmo dominando a prática de algum instrumento musical, não tinham noção de leitura de partituras, técnicas de canto ou de instrumento”, explica Caetana Cecília Filha, idealizadora, professora e coordenadora pedagógica da EDM – Escola Diocesana de Música.

Cursos ecumênicos

Não há pré-requisito para quem deseja frequentar a escola, que atende pessoas de cinco a 80 anos. Outro detalhe importante é que a EDM não é exclusiva para o público católico. “A escola contempla o diálogo inter-religioso. Já passaram por aqui pessoas das igrejas Presbiteriana, Metodista, Assembleia de Deus, Verbo da Vida, Batista, Pentecostal Família de Jesus Cristo, Adventista, Edificando em Cristo, Ministério Recomeçar, Comunidade Evangélica Vida Eterna, Marchando para o Céu, Almas Restauradas para Cristo, Igreja Pentecostal Rosa de Saron, entre outras denominações como congregações religiosas femininas e comunidades espíritas”, enumera Caetana.

Com dois anos de duração, os cursos têm aulas em grupo ou individuais, totalizando três horas semanais, e têm preços variados de acordo com a modalidade escolhida. As inscrições são abertas duas vezes por ano, em janeiro e julho, e há uma lista de espera.

Veja também:
Musicoterapia na gestação

Administração e metodologia

Para construir a grade curricular, a coordenadora revela a preocupação na musicalização, que leva em consideração a história pessoal e realidade musical de cada aluno. A escola mantém-se financeiramente com os recursos angariados por meio da taxa de inscrição e mensalidade dos cursos, bem como de doações de algumas paróquias da Diocese.
Além dos músicos professores, fazem parte da equipe de trabalho profissionais das áreas de fisioterapia, fonoaudiologia e expressão corporal.

Segundo Caetana, a partir do aprendizado musical, muitas portas abriram-se para os alunos. Alguns iniciaram ou ajudaram na organização do ministério de música em suas paróquias, e outros alçaram voos mais longos. “Muitos foram convidados a participar de eventos religiosos e sociais, formando bandas para casamentos, festas e festivais. Outros continuam os estudos em conservatórios e faculdades de música e musicoterapia. No processo metodológico, há um grande esforço para uma articulação dos saberes entre os vários cursos.”

Vem aí o “Louvai!” em versão digital

Diz-se que “quem canta reza duas vezes”. O Louvai! é um livro de cânticos utilizado nas celebrações litúrgicas pelas paróquias da Diocese de Guarulhos. Há mais de mil cantos catalogados, que animam os fiéis e orientam os ministérios de música das comunidades.
Feito com capa de material plástico, lombada em espiral, também plástico, e com mais de 150 mil exemplares vendidos, o Louvai! vai ganhar uma versão digital, que já está em processo de produção. Além da letra, o aplicativo trará as cifras e todas as versões de uma mesma canção.

A Escola Diocesana em minha vida

A psicóloga e funcionária pública Franciane Priscila Rosa Braz, do ministério de música da paróquia Santo Antônio de Pádua, na vila Augusta, estudou, durante um ano e meio, técnica vocal na EDM. Ela relata que, a princípio, não acreditava que a escola fosse capaz de oferecer tudo o que agora vê que absorveu. “Estudamos desde fisiologia corporal para entendermos como nosso corpo funciona quando cantamos, até como nos expressar melhor, por meio de técnicas, para nos livrar da vergonha que muitas vezes nos impede de cantar melhor”, diz.

Ela relata que na escola foi estimulada a ser boa ouvinte de música, a cantar todos os estilos e a identificar seu gênero musical, entendendo a música como dom e arte, sem esquecer-se da espiritualidade.

Bons momentos

Perguntada sobre as melhores recordações dos tempos de curso, Fran, como é carinhosamente conhecida em sua comunidade, narra: “No final de 2012, nos apresentamos no Teatro Adamastor em homenagem a Luiz Gonzaga, que comemoraria 100 anos. Eu havia acabado de chegar à escola e foi minha primeira grande apresentação. O teatro estava lotado e para mim foi inesquecível. Até hoje, me lembro de todas as músicas, arranjos, pausas e afins daquela apresentação.”
Franciane destaca que não há como falar sobre a EDM sem citar padre Jair (foto) e a coordenadora Caetana que, segundo ela, sabem motivar e tirar de cada aluno o seu melhor. “O cuidado que eles têm em conhecer de forma particular cada aluno me marcou muito. Conhecendo-me, eles foram capazes de intervir de maneira precisa nas questões em que eu tinha mais dificuldade e reforçaram aquelas que eu já desenvolvia bem.”

Para onde a EDM me levou

Franciane conta que atualmente canta nas missas dominicais de sua paróquia, na qual atua como salmista. “Também canto no ministério de música “Quem como Deus?”, que faz parte do grupo de oração da Renovação Carismática de nossa comunidade”, descreve.
Para ela, o curso de técnica vocal a deixou mais segura para encarar outras atividades, como cantar solos, por exemplo. De posse de mais conhecimento e sabendo explorar seus dons, Fran passou a cantar para outros públicos. “Em 2015, fui convidada para cantar em um evento em Curitiba e no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Sempre que possível, busco transmitir os conhecimentos aprendidos na EDM, além de indicar a quem possa viver essa maravilhosa experiência”, finaliza.

 

Escola Diocesana de Música
Rua Mandaguari, 88, Bom Clima.
Tel.: 4965-4460