Aqueles que – como eu – foram crianças nas décadas de 1950 e 60, e ainda são apaixonados pela arte dos sons, das luzes e das imagens em movimento, certamente estão decepcionados com a versão que foi colocada à disposição do público de um dos mais importantes personagens dos quadrinhos daquela época: o Capitão Marvel.

O herói, o justiceiro, que se fazia presente com a palavra mágica e que, naturalmente, já trazia os arquétipos de heróis retratados pela mitologia e que nos inspiravam, inconscientemente, às mais elevadas virtudes morais, pode até ter nascido de interesses comerciais e passado por vários embates no campo dos direitos autorais, mas – naturalmente – compôs o universo interior das crianças dos nossos tempos e, além de estimular suas imaginações, ofereceu momentos de sonhos e ilusões sadias para milhares de rebentos em todo o mundo, visto o sucesso que a revista fez na época.

Desenhos fabulosos e histórias extraordinárias, para a imaginação infantil. Toda a família Marvel e os vilões da época

Nós, que tivemos o privilégio de sermos amparados em nosso desenvolvimento por arquétipos recheados de ensinamentos salutares, onde o bem e o mal destacavam-se como figuras claras e nos induziam a crer que os princípios da ética e das virtudes morais eram bases para a felicidade – com toda certeza – esperávamos muito mais desta singular arte que continua enriquecendo a imaginação humana, sobretudo em um momento em que o Mundo se vê diante de questões profundas acerca de ideologias e comportamentos e o próprio homem é colocado diante de problemas fundamentais para a garantia do futuro.

Claro que nossas almas não são tão pobres que nos impeçam de nos divertir um pouco com a figura burlesca que nos é apresentada pela “telona” atual – afinal, continuamos amantes do cinema – mas, daí a comparar com o legítimo herói de outros tempos… Que nos perdoem os entendidos da arte cinematográfica de plantão: aí já é pedir demais!

José Paulo Ferrari