A vida é um livro e quem não viaja lê apenas a primeira página. Essa frase, de Santo Agostinho, certamente traduz a importância de cair na estrada. Quem viaja, sai da rotina, da zona de conforto, conhece novos lugares e culturas e, por isso mesmo, é que dizem que viajar é a única coisa que você compra e te deixa mais rico. No entanto, se para quem viaja a riqueza é abstrata, para o país (estado ou cidade) em que há turismo, a riqueza é representada por cifrões.

No Carnaval deste ano, por exemplo, 1,1 milhão de turistas passaram pelo Rio de Janeiro. O evento movimentou cerca de R$ 3 bilhões na economia da cidade, de acordo com a Pesquisa da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur). A pesquisa, que foi realizada entre os dias 25 e 27 de fevereiro, apontou que as maiores notas foram dadas para a diversão noturna (9,3 por estrangeiros e 9,2 por brasileiros), seguida da hospedagem (8,6 e 8,7, respectivamente), restaurantes (8,3 e 8,5 respectivamente) e transporte público (7,9 e 7,5, respectivamente). Segurança (6,4 por estrangeiros e 6,6 por brasileiros) e limpeza pública (6,7 e 6,5, respectivamente) foram os quesitos que receberam as piores notas.

Segundo Claudia Parra, professora e coordenadora do Curso de Turismo da UNG (Universidade Guarulhos), o turismo surge como uma ferramenta de desenvolvimento econômico e social e, em algumas regiões, a atividade turística se torna tão fundamental quanto à indústria. “É natural que as pessoas percebam o turismo apenas como fonte de renda aos que estão diretamente ligados à atividade, como hotéis, agências de viagens e restaurantes. Mas quando passamos a entender melhor esse fenômeno mutante e dinâmico, entendemos que quando uma cidade tem turismo, é possível todos ganharem com isso”, afirma.

A especialista explica que o que agita a economia é o fluxo turístico, ou seja, o movimento de pessoas entre cidades (estados e/ou países), que viajam por alguma motivação, seja ela negócios, lazer, saúde, descanso ou atividades esportivas, sendo estas apenas algumas das formas de praticar o turismo. “Para que isso se concretize é utilizado da infraestrutura turística e do apoio da cidade. Isso gera divisas, que geram empregos, que geram riqueza e que geram, então, qualidade de vida para os moradores do destino turístico”, diz Claudia, que já foi gestora de Turismo de Mairiporã e atualmente desenvolve Planos Diretores de Turismo para municípios do interior paulista.
O turismólogo é o profissional que vai viabilizar esse processo, desenvolver planos, programas e projetos com habilidades de gestor de empreendimentos voltados para a atividade turística, sempre preocupado com os princípios da sustentabilidade. De acordo com Claudia, o mercado de trabalho deste profissional é bem amplo, já que ele pode atuar em agências de viagens, hotéis, eventos, empresas de entretenimento, consultorias de gestão e planejamento, bares e restaurantes, empresas de transportes, como aeroportos e navios marítimos, agências de pesquisas, marketing e comunicação. “O turismólogo, além da área de turismo, também pode trabalhar no campo da educação, gerenciamento de espaços culturais, poder público, entre outros espaços que são criados pela dinamicidade do mercado, que atualmente se encontra bastante aquecido e que busca sempre por novos profissionais”, destaca a professora.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que o Brasil conta com 179 cursos de graduação em turismo e quase 20 mil estudantes matriculados. “Um profissional de mercado pode ganhar de R$ 3 mil a R$ 8 mil reais por mês. No entanto, esse limite pode facilmente ser superado se o profissional se destacar no que tange à língua estrangeira, cargo ocupado, cursos de especializações, entre outros atributos”, afirma Claudia.

Não à toa, o Ministério do Turismo tem apostado no setor. No ano passado, divulgou o estudo Sondagem do Consumidor – Intenção de Viagem, que concluiu que a intenção do brasileiro em viajar pelo País nos próximos seis meses foi a maior registrada em junho nos últimos 10 anos, atingindo o índice de 83,6%, sendo o Nordeste líder da lista das regiões mais desejadas pelos brasileiros (41,4%), seguida do Sudeste (26,7%), do Sul (17,9%), Norte (8,1%) e Centro-Oeste (5,9%). E não para por aí. Este ano, o Ministério do Turismo lançou a “Websérie de Verão” em seu canal no YouTube, para mostrar o impacto positivo do turismo na economia brasileira na alta temporada.

O primeiro episódio mostra a gastronomia de São Paulo, com destaque para o Mercado Municipal; o segundo, a hotelaria de Florianópolis, um dos pontos fortes de seu turismo; o terceiro destino é Belém (PA), cidade que tem o artesanato como um dos principais atrativos turísticos; o quarto episódio segue para o Nordeste, cidade de Maceió (AL), na qual se destacam os passeios turísticos; o quinto episódio retrata o ecoturismo na Chapada dos Guimarães (MT); e o sexto, divulgado no dia 17 de março, destaca os Parques Temáticos, que de acordo com as informações do vídeo são 13 em todo o Brasil, que recebem 17 milhões de visitantes por ano e geram cerca de 11 mil empregos diretos.

De acordo com informações do Ministério de Turismo, para que um destino turístico seja capaz de atrair visitantes, além de gerar emprego e renda para a comunidade local de forma sustentável, não basta simplesmente ter um atrativo, mas é preciso planejamento e estratégia para que toda a cadeia do setor atue em harmonia, desde a promoção do destino até a organização da infraestrutura receptiva de desenvolvimento de roteiros, hospedagem, aluguel de veículos, guias e tantos outros entre os mais de 50 setores impactados pelo turismo. Este é o papel do turismólogo, profissão que passou a ser reconhecida por lei em 2012.

Sobre o turismo em Guarulhos, Claudia afirma que a cidade tem vocação para dois tipos: o de negócios e o de eventos. “Hoje entre os turistas que chegam, a grande maioria apenas dorme na cidade. Não há atividades paralelas ao seu negócio, o que podemos considerar uma grande perda, já que a maior cidade de entretenimento e lazer do País está a 20 minutos daqui”, destaca Parra, que mesmo diante da grande concorrência, acredita que um Centro de Convenções e Eventos na cidade seria um divisor de águas, pois além de atrair desenvolvimento e crescimento, geraria empregos, incentivaria a qualificação de mão de obra, além de toda projeção e vitrine que traria para Guarulhos. “O turismo deve ser entendido como fonte de desenvolvimento econômico e social. Temos aqui o Aeroporto Internacional, o parque hoteleiro com 22 hotéis e o corredor gastronômico que, aos poucos se instala na cidade. O que falta é um grande motivador para gerar fluxo e, consequentemente, demanda turística”, finaliza.