Por Jônatas Ferreira

Com o sucesso mundial da série “The Walking Dead”, os zumbis estão na moda e tomaram conta da mídia mais rápido do que a própria infecção. 

Na frase acima temos uma verdade e uma meia-verdade. Que a série é um fenômeno e que ela seja o maior expoente da temática nos dias atuais, isso está mais do que comprovado. Mas, a fissura nos comedores de cérebro não vem de hoje.

Como começou…

Segundo pesquisadores, a lenda surgiu em meados do século XVII, a partir das crenças espirituais do vodu haitiano, no qual um feiticeiro dava a alguma pessoa uma substância não mortal, feita a partir de compostos de ervas, que as deixava em um estado semimorto e quando acordassem voltariam sem vontade própria, como seus escravos particulares.
Em 1804, o Haiti tornou-se o primeiro país negro a tornar-se independente, após uma histórica guerra sangrenta e, por isso, ficou conhecido como um lugar violento e cheio de superstições. A coisa tomou forma mesmo em 1915, quando os Estados Unidos ocuparam o país e tentaram extinguir o vodu. Ao invés de acabarem com a religião, os norte-americanos acabaram levando as fábulas para casa.

A origem do fascínio

É bem verdade que o filme “White Zombie”, lançado em 1932, trouxe à tona o tema dos mortos-vivos para as telinhas, ainda seguindo a fábula haitiana. Mas, foi precisamente em 1968 com o lançamento de A Noite dos Mortos-Vivos, do emblemático George A. Romero, que os comedores de cérebro tornaram-se fenômenos.
Na época, ainda não se tinha essa visão canibal dos zumbis, tampouco suas aparências macabras. Romero foi o responsável por trazer um novo conceito para os monstros: os comedores de carne humana com corpos em putrefação, que se arrastam de forma lenta e emitem grunhidos esquisitos. Desde então, não pararam mais de aparecer histórias contagiadas pelos mortos-vivos.
A título de curiosidade, vale a pena dar uma olhada no vídeo que mostra os 100 anos de evolução dessas criaturas, que viralizou na internet, simplesmente por ser fantástico e mostrar toda essa trajetória mortal que os fãs acompanham.

https://www.youtube.com/watch?v=hYH7RHtrFTw

Pegadinha

As portas do metrô não se abrem. De repente, tudo fica escuro e, então, centenas de zumbis aparecem nas janelas do vagão. Imagine passar por essa cena. A situação fica muito pior quando os mortos-vivos começam a invadir, acredite! Longe de rir da desgraça dos outros, mas, pra quem está vendo, é engraçado.
Até Silvio Santos entrou na onda dos mortos e produziu essa pegadinha com um figurino impecável. A brincadeira bombou na internet. O vídeo já foi visualizado por mais de 18 milhões de pessoas e pode ser conferido direto no canal do Youtube da emissora.

Por que tanto interesse?

A civilização sempre se interessou por histórias apocalípticas. Mas nenhuma fez tanto sucesso quanto os zumbis, o que chega a ser loucura. A ideia fica mais absurda se pararmos para pensar que nossos familiares podem se tornar essas coisas; pior ainda, nós corremos o risco de sermos uma dessas criaturas, caso ocorra algo do tipo. “Acho que o nosso fascínio não vem dos mortos-vivos em si, mas sim de todas as imensas mudanças que o apocalipse zumbi traria para as vidas das pessoas, criando um mundo com novas regras (ou a ausência delas). No final das contas, os zumbis acabam sendo, a meu ver, o pano de fundo para demonstrar como o ser humano reage a situações-limite, para o bem e para o mal”, esclarece o escritor Rodrigo de Oliveira, que teve a ideia de criar a série “Crônicas dos Mortos”, após um longo pesadelo tão real que, ao acordar, começou a escrever seu primeiro livro freneticamente.

Será que rola um apocalipse zumbi?

Rodrigo de Oliveira, escritor das “Crônicas dos Mortos”

As possibilidades são poucas, mas teorias têm e sobram. “Espero que não, acredito que teria que ocorrer alguma mutação de um vírus ou bactéria para isso acontecer, ou mesmo algum tipo de experiência científica que desse muito errado. Obviamente, dada a infinita capacidade do ser humano de cometer erros estúpidos, essa segunda hipótese me parece a mais plausível”, explica Rodrigo.
Mas, caso ocorra, o escritor tem sua fórmula para sobreviver: “As pessoas que trabalham juntas e pensam de forma estratégica têm maior chance de êxito. Apenas através do apoio mútuo, da colaboração e da solidariedade, é possível atravessar grandes crises. Por isso, acredito que a primeira regra seria essa”, finaliza.

Leia também Entrevista com o autor Rodrigo de Oliveira

É bom se preparar:

Visando a sobrevivência dos nossos leitores, reunimos alguns itens importantes em uma eventual casualidade zumbi:

  •  Saia das cidades grandes;
  •  Procure armamento (armas brancas não precisam recarregar);
  •  Procure alimentos não perecíveis;
  •  Cuidado em quem confia;
  • Encontre remédios básicos, como antibióticos, analgésicos e bandagens;
  •  Na hora de enfrentar os monstros, acerte sempre a cabeça (de preferência, duas vezes, só para garantir);
  •  Não faça barulho.

 

Sem medo do horror

Os zumbis tornaram-se emblemáticos com as histórias de terror. Os primeiros jogos de Resident Evil lançados na década de 90 emplacaram o sucesso entre os gamers, graças à sua trama elaborada no horror – quem nunca levou aquele susto com a cena clássica dos zumbis estourando uma janela?
Porém, nos últimos anos, o cinema vem recebendo uma série de enredos que fogem um pouco do habitual. Por exemplo, o longa “Meu Namorado é um Zumbi”, que é a história de uma garota que se apaixona por um morto-vivo. O mais engraçado é como ambos se conhecem: o zumbi estava comendo o cérebro do namorado dela. Já o filme estrelado pelo galã Brad Pitt, “Guerra Mundial Z”, foca na ação e é recheado de efeitos especiais. O clássico “Zumbilândia” é hilário e dispensa comentários.
Os videogames não ficam para trás: “Left 4 Dead” é um verdadeiro apocalipse dos mortos-vivos, em modo cooperativo. O jogo não foca o terror, mas a febre – no sentido literal, é claro – foi tanta que fez o game receber mais um título.
Nem preciso falar do videoclipe do rei do pop, Michael Jackson, com a canção “Triller” e os zumbis dançantes. Não é mesmo?

Cuidado! A infecção está se espalhando rapidamente e contagiando até outros universos:

• Em uma galáxia muito, muito distante, a infecção chega ao universo expandido de Star Wars, através do Troopers da Morte, de Joe Schreiber, lançado pela Aleph;
• O clássico “Orgulho e Preconceito” já recebeu sua versão zumbilesca: “Orgulho e Preconceito Zumbi”, tanto para os livros – pela Intrínseca – quanto para as telinhas;
• Nem mesmo os Beatles ficaram de fora. O livro Zumbeatles, lançado no Brasil pela Record, é resultado da soma do mais bem-sucedido grupo de rock da história com zumbis.

A marcha dos zumbis

Zumbis em São Paulo? É possível, graças ao Zombie Walk, evento que acontece em todo o mundo, no qual fãs se fantasiam de monstros e percorrem as ruas da cidade, espalhando terror. Para participar, basta aparecer a rigor no dia de Finados (2 de novembro), às 15h na praça do Patriarca, que fica na ponta do viaduto do Chá, próxima à estação Anhangabaú do Metrô. A caminhada começa às 17h em ponto.

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