Por Jônatas Ferreira
Foto: divulgação

Você sente sono. Fecha os olhos. Começa a sonhar. De repente, algo parece querer sufocá-lo. Você acorda, mas não consegue mover-se. A pressão aumenta. O desejo é de gritar. O desespero de não poder reagir a algo invisível, por fim, o domina. São verdadeiros momentos de tensão submergidos num profundo terror. Então, vem o primeiro movimento e o respiro de alívio.

Talvez você tenha se identificado com a descrição acima. Trata-se de um acontecimento pouco conhecido, mas não raro: a paralisia do sono. “Temos um estágio de sono profundo chamado REM (em português, movimento rápido dos olhos). Nessa fase, descansamos e sonhamos e o organismo entra em paralisia”, esclarece o chefe do departamento de distúrbios do sono do Hospital Cema, Alfredo Lara, que também explica que o distúrbio acontece quando o cérebro não entende que você não está mais dormindo, ou seja, a pessoa está consciente, mas incapaz de exercer domínio sobre o seu corpo.

Todos estão sujeitos a passar por essa situação, o que não representa nenhum perigo, já que o distúrbio raramente está relacionado com algum problema psiquiátrico ou de saúde. O fenômeno acontece no momento do despertar ou no início do sono. A duração varia de poucos segundos a alguns minutos, mas, independente do período, parece uma eternidade.

A paralisia do sono, geralmente, é acompanhada do que a ciência chama de alucinações hipnagógicas – conhecidas como as visões. As ditas aparições acontecem porque o cérebro mistura os sonhos com a realidade. Ou seja, quem está nesse estado pode ter alucinações auditivas, visuais e olfativas; além das sensações desagradáveis, como a impressão de estar sendo enforcado. “Algumas pessoas têm o raciocínio nítido. Elas sabem que estão acordadas, mas não conseguem se mexer. Isso demora algum tempo. Outras vezes, elas intercalam com as alucinações do sono, quando se ouve sons, visualiza figuras estranhas ou coisa parecida”.

Manifestações culturais

De acordo com a terapeuta holística Maísa Intelisano, “à medida que nosso corpo cai em sono profundo, nosso espírito se solta e se projeta para fora dele, e vive as mais diferentes experiências, muitas delas rememoradas de forma lúcida e consciente por muitas pessoas quando acordam. Normalmente, quando nosso corpo está prestes a acordar, nosso espírito retorna e reassume o comando do cérebro e suas funções, voltando ao estado normal de vigília e liberando os movimentos naturais dos músculos. Algumas vezes, no entanto, por vários motivos diferentes, nosso espírito volta ao corpo antes que o cérebro seja capaz de liberá-lo da paralisia. Nesse caso, há um descompasso entre o cérebro e os músculos”, explica. Faz sentido, não?

Fato é que as aparições sempre estão ligadas a fé ou a cultura. Durante muito tempo, os mais diversos povos tentam explicar esse acontecimento que muitas vezes está relacionado a alguma figura do mal, como a presença sinistra de bruxas, demônios, seres espirituais ou até extraterrestres. Mitos e lendas não faltam. Esculturas e pinturas ilustram de forma sobrenatural a visão de seus autores a esse distúrbio considerado pela ciência como natural.

Existe tratamento?

A paralisia do sono normalmente não tem relação direta com problemas de saúde, e todos podem ter ao menos uma vez na vida. Contudo, se você tiver o distúrbio com frequência, recomenda-se consultar um especialista para saber se há algum problema com o organismo. Vale ressaltar que, durante a paralisia, é de extrema importância manter a calma, lembrando sempre que o evento é temporário.

Se você já teve uma experiência como essa, envie um e-mail para contato@clickguarulhos.com.br, contando sua vivência. Publicaremos aqui, juntamente com esta matéria.

Experiência:

“Estava dormindo, quando de repente acordei e senti meu corpo formigando. Dividia o quarto com meu irmão e tentei chamá-lo, mas não conseguia dar um pio. Não conseguia me mover, só conseguia ver tudo ao meu redor. Comecei a entrar em pânico, fiz força para gritar. Nada. Durou apenas alguns minutos, que pareceram uma eternidade. Consegui finalmente me mover, relaxei e peguei no sono de novo. Foi apenas uma vez que isto aconteceu comigo. Ainda bem!”

História encaminhada para o portal pela leitora Marcia S.

Maísa Intelisano, terapeuta holística
maisa@maisaintelisano.com.br
www.maisaintelisano.com.br

 

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