Pequenos e saudáveis

Por Bárbara Cunha

Se antes as crianças que brincavam na rua e corriam por todo o quintal tinham uma vida mais ativa e, automaticamente, mais saudável, hoje a grande maioria passa parte do seu dia assistindo televisão ou interagindo com os tablets e celulares. Prática que pode aumentar o sedentarismo e causar outros problemas.
Seria essa nova rotina consequência desse enorme avanço tecnológico? Talvez. Mas com o controle e estímulo dos pais para criar e se adaptar a uma rotina mais saudável, fica ainda mais fácil reverter a situação e combater esse sedentarismo precoce.
A qualidade de vida está diretamente ligada à prática de exercícios físicos regulares e uma alimentação saudável que beneficia as crianças da mesma forma que melhora a vida de muitos adultos e idosos. “Dentre os diversos benefícios, a atividade física ajuda a evitar o excesso de peso, doenças como hipertensão e diabetes e os efeitos negativos observados com a idade, como perda de massa muscular, perda de força e de capacidade funcional”, conta o preparador físico Gustavo Barquilha.
Atividades que envolvem agilidade, coordenação motora e força muscular podem desenvolver ainda mais os jovens. No entanto, a melhor maneira de estimular uma criança a praticar exercícios físicos é deixando-os escolher os que mais lhes agradem. “Um erro muito comum é o pai escolher a modalidade esportiva sem levar em consideração a opção do filho. Dessa forma, o rendimento fica cada vez menor”, explica o preparador.
Seja em clubes, quadras ou em academias especializadas, é imprescindível o acompanhamento médico para que o profissional possa prescrever o exercício e acompanhar o processo e o desenvolvimento da criança. Os pais também devem atentar-se à intensidade com que o filho se exercita, não o deixando esquecer cuidados como aquecimento antes e depois da atividade para evitar lesões.

Atividade física combina com alimentação saudável

Ingerir alimentos saudáveis deve ser uma prática direcionada pelos pais desde os primeiros anos de vida do bebê. “O melhor é começar com as frutas para habituá-lo a novos sabores e depois passar às famosas papinhas. As primeiras devem ser à base de frutas, naturalmente mais doces e por isso melhor aceitas pelo bebê. No entanto, pode acontecer de as primeiras colheradas de papas serem recusadas, isso porque o seu instinto lhe indica que deve excluir tudo da boca que não seja o mamilo”, explica a nutricionista Eliane Petean Arena.
Os hábitos alimentares adquiridos desde as primeiras refeições muito provavelmente serão mantidos na vida adulta, por isso a importância de controlar o que as crianças ingerem desde tão cedo. Oferecer uma refeição com alimentos de diferentes cores, gostos, consistências, temperaturas e texturas pode ser uma boa opção para estimulá-los.
Uma atitude muito comum por parte dos pais, que acreditam estar fazendo o melhor para estimular os filhos a comerem verduras e legumes, por exemplo, é castigar, punir, chantagear ou oferecer alguma recompensa depois que terminar a refeição. Atitudes como essas devem ser evitadas, pois reforçam cada vez mais a recusa da criança pelo alimento.
A nutricionista aponta que um dos principais problemas que afetam a alimentação, principalmente dos adolescentes, é justamente a omissão de refeições, como o café da manhã, que pode gerar um menor rendimento escolar. “A substituição do almoço e jantar por lanches também é preocupante, ainda mais se essa prática faz parte da rotina familiar”.
Sugerido pela própria especialista, a melhor maneira de preparar uma refeição é incluir uma hortaliça crua, como alface, rúcula, agrião e tomate; uma hortaliça cozida, como cenoura, chuchu, beterraba e espinafre; um cereal como arroz ou massa, batata; uma leguminosa como feijão, ervilha e grão de bico; e uma carne vermelha, ave ou peixe.
No entanto, a alta ingestão de refrigerantes, alimentos com alta densidade calórica como salgados fritos, bolachas recheadas, chocolate, alto consumo de balas e a baixa ingestão de frutas também contribuem para uma rotina mais sedentária e devem ser evitadas sempre que possível.
Dessa maneira, aliar uma alimentação saudável com a atividade física é a fórmula ideal para a qualidade de vida ideal. Assim como o preparador físico e a nutricionista advertem, quanto mais cedo essas práticas são adquiridas na vida, melhor.

Dez passos para o peso saudável, de acordo com o Ministério da Saúde:

1. Comer frutas e verduras variadas, pelo menos duas vezes ao dia;
2. Consumir feijão pelo menos quatro vezes por semana;
3. Evitar alimentos gordurosos como carnes gordas, salgadinhos e frituras;
4. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele do frango;
5. Nunca pular refeições: fazer três refeições e um lanche por dia. No lanche escolher uma fruta;
6. Evitar refrigerantes e salgadinhos de pacote;
7. Fazer as refeições com calma e nunca na frente da televisão;
8. Aumentar a sua atividade física diária. Ser ativo é se movimentar. Evitar ficar parado, você pode fazer isto em qualquer lugar;
9. Subir escadas ao invés de usar o elevador, caminhar sempre que possível e não passar longos períodos sentado assistindo à TV;
10. Acumular trinta minutos de atividade física todos os dias.