A reinvenção de Ridley Scott por… Ridley Scott!

A maioria das produções de ficção científica são marcadas por um tom bastante específico: o realismo sombrio. Filmes como Interestelar, Gravidade e Alien são sci-fis bons no que diz respeito a apresentar uma atmosfera tensa e sombria, sobrando pouco espaço para momentos leves. Ridley Scott, diretor de várias produções aclamadas com essa característica em especial, vai na contramão de tudo isso ao fazer Perdido em Marte, reinventando o gênero da ficção científica, e, principalmente, reinventando a si mesmo.

Baseado em um livro homônimo escrito por Andy Weir, “The Martian” (no idioma original), conta a história do astronauta Mark Watney, que, durante uma missão em Marte, sofre um acidente em meio à uma tempestade. Dado como morto por sua equipe, Watney é deixado para trás no planeta desolado. Contra todas as adversidades, ele sobrevive ao acidente, e precisa encontrar uma maneira de se manter vivo até que uma missão de resgate chegue. Por ser um planeta inóspito, Marte não oferece nenhum elemento vital, o que torna a sobrevivência de Watney muito mais complicada. Sua genialidade é a única coisa ao seu alcance, e é com ela que Mark terá que se virar para ter o que comer e o que beber.

Quando tal situação é estabelecida, o potencial para o filme ser dramático e tenso é muito grande, mas Ridley Scott, de uma forma inesperada, consegue fazer a busca pela sobrevivência de Mark Watney (interpretado de maneira incrível por Matt Damon) tornar-se algo extremamente divertido de se ver. A leveza que o filme traz consigo é contraditória a tudo o que Scott dirigiu até hoje. É difícil de imaginar que um diretor cuja especialidade são sci-fis pesados (basta apenas se lembrar de Alien: O Oitavo Passageiro e Blade Runner) consiga entregar uma ficção científica tão divertida, bem-humorada e otimista quanto é “Perdido em Marte”. Estamos falando de um novo Ridley Scott, na melhor forma possível!

O roteiro muito bem escrito de Drew Goddard (O Segredo da Cabana, Demolidor da Netflix) e o estrelado elenco de apoio (Jessica Chastain, Jeff Daniels, Chiwetel Ejiofor, Sean Bean, Kristen Wiig, Michael Peña, Kate Mara, Sebanstian Stan e MUITOS outros) são essenciais para o sucesso do filme. As referências à fenômenos da cultura pop que o roteiro entrega, junto à boas atuações dos coadjuvantes, criam uma aproximação ainda maior entre o público e o longa.

Mas o ponto alto do filme está apoiado em duas coisas: primeiro, à belíssima fotografia de Dariusz Wolski. As incríveis imagens que Wolski consegue conceber criam uma Marte extremamente bonita e crível, tudo potencializado belo bom uso do recurso 3D.

Em segundo, mas não menos importante, é o carisma de Matt Damon. O ator, de forma genial, dá á luz a uma personalidade sarcástica e muito bem-humorada para Mark Watney, que se sobressai nos momentos mais tensos. A situação pode ser a pior possível, mas ele consegue enfrentá-la de uma maneira bem descontraída. Como a luta pela sobrevivência de Watney é transmitida a todos na Terra, seu jeito diferente de ser frente às situações adversas tornam a missão de salvá-lo uma prioridade de âmbito global. Uma indicação ao Oscar de Melhor Ator, depois de todo esse trabalho, é uma realidade muito próxima!

 

Ao final de tudo, sobra ao público uma sensação extremamente positiva, deixada por um filme que, contra a tendência, se mostra uma experiência muito leve e divertida. Depois de Mad Max: Estrada da Fúria, Perdido em Marte é o melhor entretenimento cinematográfico do ano!

 

Nota: 10/10

Mateus Petri