Personagem inusitado na passeata pela saúde

Creio que não foram poucas as pessoas que se aproximaram do PT em algum momento, desde a criação do partido, em 1980, por intermédio do padre Antonio Carlos Frizzo, provavelmente o mais engajado politicamente em toda Guarulhos. Nunca foi candidato, a vice-prefeito, por exemplo, porque não quis. Convites não lhe faltaram.

Sempre polêmico, ele teve a coragem de posicionar-se em campo oposto ao do então bispo diocesano dom Luiz Gonzaga Bergonzini, seu superior hierárquico, quando um ou outro tema estava em questão.

Nos últimos anos, ele foi gradativamente se afastando do partido, devido às sequentes denúncias de envolvimento de petistas em casos de corrupção.

Quando eu soube que a Igreja Católica de Guarulhos estava organizando uma concentração popular, seguida de caminhada em direção ao Bom Clima, para reivindicar melhor atendimento de saúde para a população, poderia até imaginar que padre Frizzo estivesse envolvido na organização, mas não que estivesse entre os que a lideravam, porque, de certa forma, por se deslocar até o Paço Municipal, a manifestação ganhou um quê de ato antipetismo.

Para minha surpresa, quando a passeata percorria a avenida Tiradentes, defronte à Igreja de Nsa. Sra. Aparecida, quem estava falando ao microfone em cima do caminhão de som não era outro senão o padre Antonio Carlos Frizzo, clamando por mais investimentos em saúde, por atendimento digno para a população, por respeito aos direitos de todos, indistintamente.

Se a Igreja definiu há vários anos que sua opção seria preferencialmente pelos pobres, Frizzo decidiu rezar nessa cartilha, independentemente dos desdobramentos. A alguém que pudesse questionar que esse engajamento da Diocese em um tema até certo ponto político, um dos outros porta-vozes que utilizava o microfone disse claramente que a Igreja deve sim fazer política, não a política eleitoral, partidária, mas a política que defenda os interesses da maioria, que é o povo. Aliás, esse tipo de política todas as igrejas, seguidores de todos os credos e entidades de todos os segmentos têm obrigação de fazer, pois só a organização dos mais amplos setores da população fará com que os direitos dos cidadãos sejam respeitados e que o dinheiro que seria desviado para a corrupção seja investido na melhoria das condições de vida do povo.foto passeata