Peter Pan (Pan – Warner Bros.) / Crítica

Peter Pan enquanto atração circense

Não é de hoje que Hollywood tem direcionado suas forças na produção de histórias, que, no passado (não muito distante), renderam um bom montante de dinheiro. Remakes, reboots e releituras de histórias de super-heróis, contos de fadas e sucessos dos anos 70, 80 e 90 estão sendo produzidos a rodo para a indústria cinematográfica. Era apenas uma questão de tempo para que mais uma versão da história do menino que não queria crescer viesse à tona.

Adaptado dessa vez pelo diretor Joe Wright, Pan conta a história do menino antes dele ser a pessoa mais evidente da Terra do Nunca. Peter (Levi Miller) é retratado como um garoto jovem em meio a uma Londres desolada pela Segunda Guerra Mundial, sendo abandonado por sua misteriosa mãe (Amanda Seyfried) em um orfanato de freiras malvadas. Além de ser um grande peso na vida dos garotos órfãos, as freiras ainda mantém um acordo com piratas que estão a serviço do temido Barba Negra (Hugh Jackman, em sua forma mais caricata), tendo que fornecer meninos para trabalharem nas minas de Pixum (pó de fada cristalizado) localizadas na própria Terra do Nunca. Aqui, o icônico vilão Capitão Gancho (Garrett Hedlund) e a Princesa Tigrinha (Rooney Mara) são aliados de Peter na luta pela contra Barba Negra, que faz a vez do vilão principal. Sim, é uma história absurda!

Porém, toda essa história de origem incomum de um personagem muito conhecido dos contos infantis apenas serviu como pano de fundo para que Joe Wright fosse ao limite de sua característica principal: a criação de um mundo extremamente colorido, extravagante, e, no caso deste filme, um mundo que se assemelha ao máximo com um circo. Não que isso seja uma característica negativa…

Cores chamativas, figurinos extravagantes, coreografias ousadas das cenas de ação e cenários vívidos (coisas presentes em qualquer circo que se preze), junto a uma trilha sonora frenética, que faz divertidas homenagens à Niravna e Ramones, resultam em uma combinação muito bela e atrativa, tudo realçado por um 3D que entrega momentos bastante divertidos. Por diversas vezes, você se pega se desviando de objetos que “saem” da tela. O problema é que toda essa grandiloquência ofusca a história roteirizada por Jason Fuchs. Por ter um enredo que já não é totalmente crível (pois se distância bruscamente da história amplamente conhecida de Peter Pan), fica muito fácil o aspecto visual sobrepor a trama. Se uma história mais acessível fosse combinada ao bom visual criado, o sucesso de Peter Pan poderia ser maior.

No final das contas, o longa se mostra um entretenimento bastante convincente, que apesar da história fraca, é diversão garantida para o público infantil.

Nota: 7,5/10