PF apreende R$ 300 mil no apartamento de Kassab

Gilberto Kassab é ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - Foto: Marcelo Camargo/ABr

A Polícia Federal (PF) apreendeu na manhã desta quarta-feira, 19, em diligência ao bairro dos Jardins (zona nobre de São Paulo), R$ 300 mil em dinheiro no apartamento do ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD). Imóveis do ex-prefeito de São Paulo (2010 a 2016) e do irmão dele, Renato Kassab, são alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Kassab é o nome indicado para assumir a Casa Civil no governo de João Doria (PSDB).

PF cumpre oito mandados de busca e apreensão, em SP e no Rio Grande do Norte – Foto: Rovena Rosa/ABr

Um grupo de 40 policiais federais cumprem oito mandados de busca e apreensão, dos quais seis em São Paulo e dois no Rio Grande do Norte. Os alvos são investigados pelos crimes de corrupção passiva e falsidade ideológica eleitoral.

As investigações têm como base informações transmitidas durante delações premiadas de executivos da J&F. O objetivo é apurar suposto recebimento de vantagens indevidas por parte de Kassab enquanto estava na Prefeitura de São Paulo.

Kassab é o nome indicado para assumir a Casa Civil no governo de João Doria (PSDB) – Foto: Marcelo Camargo/ABr

As ações decorrem do inquérito que Kassab responde no STF por suspeita de pagamentos irregulares de R$ 58 milhões a ele e ao PSD, partido que ele fundou.

Desse total, segundo a Procuradoria-Geral da República, R$ 30 milhões foram repassados por meio de uma mesada de R$ 350 mil paga entre 2010 e 2016, em troca de uma “eventual influência política futura em demandas de interesse da JBS”. Os outros R$ 28 milhões foram repassados ao PSD, para que o partido apoiasse o PT nas eleições presidenciais de 2014.

Segundo informações da PF, parte dos recursos foi repassada para campanha de um determinado candidato ao governo do Rio Grande do Norte e a um deputado federal, ambos eleitos. Porém, os nomes não foram divulgados.

A suspeita é que os valores eram recebidos por empresas por meio da simulação de serviços que não foram efetivamente prestados e para os quais foram emitidas notas fiscais falsas.

PGR

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em petição encaminhada ao (STF) para o cumprimento dos oito, menciona que Kassab teria recebido o total de R$ 58 milhões, no período em que era vice-prefeito e depois assumiu a Prefeitura de São Paulo (2010 a 2016).

No pedido enviado ao Supremo, Raquel Dodge destaca que são investigados os crimes de corrupção passiva (Artigo 317 do Código Penal) e de falsidade ideológica eleitoral (Artigo 350 do Código Eleitoral).

Detalhes

Na petição, a procuradora-geral afirma que o pedido dos mandados de busca e apreensão se basearam em informações transmitidas pelos executivos Wesley Batista e Ricardo Saud, do grupo J&F. De acordo com ela, os pagamentos faziam parte de um acordo para que Kassab pudesse favorecer a empresa em “eventual demanda futura de interesse do referido grupo”.

Raquel Dogde acrescenta que foi feito contrato fictício de prestação de serviços com uma empresa do ramo de transportes que tinha relação comercial com a J&F. Segundo ela, os delatores afirmaram que entre 2010 e 2016, o ex-prefeito teria recebido R$ 350 mil mensais, em um total de R$ 30 milhões.

Em relação ao repasse de R$ 28 milhões ao Diretório Nacional do PSD, a procuradora-geral observa que houve doações oficiais de campanha e outros artifícios, como a quitação de notas fiscais falsas. Também há registro da entrega de dinheiro em espécie.

Defesa

O ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, disse que “seus atos seguiram a legislação e foram pautados pelo interesse público”. Em nota divulgada nesta manhã, ele afirmou que confia na Justiça e está à disposição para prestar esclarecimentos.

“O ministro confia na Justiça brasileira, no Ministério Público e na imprensa, sabe que as pessoas que estão na vida pública estão corretamente sujeitas à especial atenção do Judiciário, reforça que está sempre à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, ressalta que todos os seus atos seguiram a legislação e foram pautados pelo interesse público”, diz na nota.

* Com informações da Agência Brasil